Colaboração Brasil-Itália transforma lixo em tratamento para Alzheimer

Uma colaboração entre pesquisadores do Brasil e da Itália busca desenvolver novos medicamentos para o tratamento do Alzheimer a partir de resíduos industriais. Bolognesi criou o B2AlzD2 Joint Lab no Departamento de Farmácia e Biotecnologia da Università di Bologna (UNIBO), o primeiro laboratório conjunto dedicado à doença entre Brasil e a cidade de Bolonha.

A parceria, liderada pela pesquisadora Laura Bolognesi, envolve cientistas de quatro universidades brasileiras: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo (USP Ribeirão Preto) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Resíduos da indústria são explorados como medicamentos contra o Alzheimer. (Imagem: Fahroni / iStock)

Foco em sustentabilidade e química verde

Uma das principais iniciativas do laboratório é identificar compostos com potencial para o desenvolvimento de medicamentos em resíduos industriais, como o líquido da casca da castanha de caju (CNSL, na sigla em inglês).

Esse óleo natural, subproduto da indústria de processamento de castanhas, é rico em compostos fenólicos, que podem ser aproveitados no combate ao Alzheimer.

Segundo Bolognesi, durante sua apresentação na FAPESP Week Italy, a integração da sustentabilidade é essencial na busca por moléculas bioativas.

“O uso de resíduos como matéria-prima para o desenvolvimento de fármacos resulta em produtos inerentemente sustentáveis”, afirmou Bolognesi segundo o EurekAlert!.

Além disso, o laboratório adota a abordagem “One Health”, que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental, garantindo que os medicamentos não apenas sejam eficazes, mas também acessíveis às populações que mais necessitam.

O líquido da casca da castanha de caju tem potencial para a criação de fármacos para tratamento do Alzheimer. (Imagem: olovedog / iStock)

Cooperação internacional e outras pesquisas

Luiz Carlos Dias, professor da Unicamp, também participou da discussão, apresentando o trabalho de um consórcio internacional focado na descoberta de medicamentos para doenças negligenciadas, como a doença de Chagas e a malária. O consórcio envolve a UNICAMP, USP e organizações não-governamentais como a Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi) e a Medicines for Malaria Venture (MMV), com apoio da FAPESP.

Dias destacou que o consórcio busca reduzir o tempo de descoberta de novos medicamentos. As substâncias são sintetizadas na UNICAMP e testadas em laboratórios brasileiros para avaliar sua atividade antiparasitária, visando, eventualmente, desenvolver compostos que possam entrar em testes clínicos.

Desafios no combate à resistência antimicrobiana

Monica Cricca, da UNIBO, apresentou o trabalho de seu grupo no desenvolvimento de sistemas de vigilância para detecção do superfungo Candida auris, resistente a diversas classes de medicamentos e que pode causar infecções graves. A disseminação do patógeno foi observada tanto na Itália quanto no Brasil durante a pandemia de Covid-19.

Já Ana Cristina Gales, da UNIFESP, abordou a questão da resistência antimicrobiana, reforçando a necessidade de novas soluções frente ao aumento de patógenos resistentes a tratamentos disponíveis.

Por fim, o evento também contou com a participação de Carmino Antonio de Souza, professor da UNICAMP e vice-presidente da FAPESP, que ressaltou a importância da cooperação internacional entre Brasil e Itália na área de hematologia.

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