Buracos negros ocultos em galáxias em colisão, alimentados por gás e poeira, podem se transformar em núcleos galácticos ativos, os chamados AGNs. O tema foi destaque no programa Olhar Espacial da última sexta-feira (27), que recebeu uas convidadas para discutir como esses objetos moldam a evolução das galáxias e ajudam a entender a história do Universo observável.
Um estudo sobre o tema, liderado pela astrofísica brasileira Anna Trindade Falcão, publicado no The Astrophysical Journal, investiga como a acreção de matéria e o feedback de buracos negros influenciam suas galáxias hospedeiras. Segundo ela, “achar um par de buracos negros separados a pouca distância, e que se formou há pouco tempo, é uma coisa rara”.
Fusão de galáxias e evolução cósmica
Quando duas galáxias começam a interagir gravitacionalmente, grandes quantidades de gás são canalizadas para suas regiões centrais. Esse material alimenta os buracos negros supermassivos, que passam a emitir radiação intensa em diferentes comprimentos de onda. A luminosidade excede em muito a produzida apenas por estrelas, caracterizando um núcleo galáctico ativo.
A pesquisadora explica que observar esses sistemas próximos oferece uma oportunidade única: “Então, a gente consegue estudar com muito mais detalhe os processos de interação entre as duas galáxias, como o gás se comporta quando essas galáxias estão se fundindo. Então, é bem interessante”. Esse nível de detalhe é crucial para modelar a física envolvida.
De acordo com Anna, “esse processo de fusão de dois buracos negros virando um buraco negro só, um buraco negro maior, também era um processo muito comum no início”. No universo primordial, colisões eram mais frequentes, contribuindo para o crescimento acelerado dos buracos negros e para a formação das estruturas galácticas atuais.
Ela acrescenta que compreender esses sistemas ajuda a reconstruir a história do cosmos: “com esses pares de buracos negros se formando, eles basicamente moldaram as galáxias que vemos hoje em dia. É ainda mais importante essa pesquisa porque a gente consegue ver esses processos acontecendo bem pertinho da gente”.
Entre os principais pontos abordados no programa:
- O que caracteriza um núcleo galáctico ativo
- Como a acreção alimenta buracos negros supermassivos
- O papel do feedback na formação estelar
- A importância das fusões galácticas no Universo inicial
Além de Anna, o episódio contou com a participação de Nivea Maria Silva, professora e divulgadora científica envolvida em projetos de educação e popularização da astronomia. O programa integra uma série dedicada às meninas e mulheres na ciência, destacando trajetórias acadêmicas e iniciativas de inclusão.
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