Confirmada a existência de um “Saturno errante” vagando sozinho pela galáxia

Pela primeira vez, astrônomos não apenas detectaram como também determinaram com precisão a massa e a distância de um planeta que não orbita nenhuma estrela. Localizado a cerca de 10 mil anos-luz da Terra, na direção do centro da nossa galáxia, este mundo solitário tem uma massa aproximadamente 70 vezes maior que a da Terra — comparável ao tamanho de Saturno — e representa uma confirmação histórica da existência dos chamados “planetas errantes”.

A descoberta, publicada na revista Science na última quarta-feira (1), foi possível graças a uma técnica conhecida como microlente gravitacional. Quando o planeta, batizado pelos eventos KMT-2024-BLG-0792 e OGLE-2024-BLG-0516, passou na frente de uma estrela distante, sua gravidade distorceu e amplificou a luz da estrela de fundo, como uma lente cósmica. Observar este evento de microlente de múltiplos pontos de vista, incluindo dados do telescópio espacial Gaia, permitiu aos cientistas triangular sua distância, um feito inédito.

Até agora, a natureza desses objetos era um grande mistério. Sem luz própria e extremamente distantes, eles eram praticamente invisíveis. A única forma de detectá-los era através desses eventos raros de microlente, mas essas observações, por si só, não conseguiam revelar a distância ou a massa real do objeto, deixando em aberto se eram planetas ou estrelas fracassadas.

Ilustração artística do evento de microlente gravitacional KMT-2024-BLG-0792/0GLE-2024-BLG-0516, observado simultaneamente por observatórios terrestres e pelo satélite Gaia.(Crédito da imagem: J. Skowron/OGLE)

Novas observações permitiram uma visão inédita

“Nossa descoberta oferece mais evidências de que a galáxia pode estar repleta de planetas errantes”, afirmou Subo Dong, professor da Universidade de Pequim e coautor do estudo ao Space.com. O astrofísico Andrzej Udalski, da Universidade de Varsóvia, complementa: “Estudos teóricos sugerem que eles deveriam ser muito numerosos na Via Láctea, até mesmo algumas vezes mais numerosos do que o número de estrelas”.

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A confirmação abre uma nova janela para entender a formação planetária. Cientistas acreditam que esses mundos podem ter sido ejetados de seus sistemas solares por interações gravitacionais caóticas ainda jovens, ou podem ter se formado diretamente a partir de nuvens de gás e poeira, sem nunca terem tido uma estrela-mãe.

O futuro da caça a esses nômades cósmicos é promissor. A próxima geração de telescópios, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA (com lançamento previsto para 2026) e o satélite Earth 2.0 da China (2028), será capaz de varrer grandes áreas do céu com uma velocidade sem precedentes, prometendo revelar uma população até então oculta de planetas errantes na escuridão do espaço interestelar.

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