Conteúdo de abuso sexual infantil no X é “sistêmico” e acessível, alerta Austrália

O órgão regulador de segurança online da Austrália constatou que a presença de conteúdos de abuso sexual infantil no X (antigo Twitter) é “particularmente sistêmica” e mais acessível do que em outros serviços digitais. Os dados foram obtidos pelo The Guardian, por meio de leis de acesso à informação.

Uma advertência formal por parte do eSafety foi formalizada ao X em janeiro, após a repercussão de casos em que o Grok teria sido utilizado para gerar imagens sexualizadas de mulheres e crianças. O episódio foi classificado como “abominável” pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.

Na carta, a gerente geral de operações regulatórias do órgão, Heidi Snell, relembra a promessa feita por Musk ao assumir o controle do X, em 2022, de que o combate à exploração infantil seria prioridade máxima. Apesar disso, segundo a autoridade, a disponibilidade desse tipo de conteúdo ainda se destaca negativamente na plataforma em comparação com outros serviços.

A análise da eSafety aponta que, embora medidas adotadas pela empresa (como o combate a contas automatizadas em 2025) tenham reduzido o uso de determinados termos associados à disseminação de material de abuso sexual infantil, o problema persiste.

De acordo com o regulador, hashtags aparentemente inofensivas continuam sendo utilizadas de forma combinada para divulgar conteúdo ilegal, o que aumenta o risco de exposição involuntária por usuários comuns.

O órgão indicou a possibilidade de emitir notificações formais para a remoção de conteúdos relacionados ao Grok, incluindo imagens manipuladas de pessoas. Relatórios adicionais citados pela autoridade sugerem ainda que o chatbot pode ter sido utilizado para gerar material extremista.

X foi acionado e afirmou tomar as devidas medidas contra conteúdos de abuso sexual infantil na plataforma (Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

O que diz o X?

Procurada pelo The Guardian, a empresa X afirmou manter uma política de “tolerância zero” em relação à exploração sexual infantil, incluindo conteúdos produzidos por inteligência artificial. Segundo a companhia, sistemas automatizados são utilizados para identificar esse tipo de material e mais de 99% das contas envolvidas são removidas de forma proativa, antes mesmo de denúncias.

A empresa também argumenta que termos considerados suspeitos pelo regulador não podem ser tratados como indicadores definitivos de conteúdo ilegal e criticou a ausência de exemplos específicos – como links ou perfis – na comunicação por parte do eSafety.

Em relação ao episódio envolvendo o Grok, a plataforma afirma ter acionado protocolos de resposta rápida e adotado medidas para conter violações.

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