Quando a A24 divulgou que faria O Drama e as primeiras fotos de Zendaya e Robert Pattinson como um casal começaram a sair, parecia um sonho. Os dois apareceram felizes na rua, caracterizados como jovens acessíveis e apaixonados, a comédia romântica perfeita para muitos millennials e até para a geração Z. Essa idealização perdurou até o lançamento do primeiro trailer.
O Drama é um daqueles filmes que te leva ao extremo para provar um ponto. A narrativa remete àquelas brincadeiras no estilo “o que você faria se…” e “você prefere que isso ou aquilo”, mas, durante o filme, essa brincadeira se torna real e o casal tem que lidar com as consequências. Vale a pena ir ao cinema para conferir O Drama? Confira abaixo a nossa crítica completa e sem spoilers.
O casal perfeito
A dinâmica entre Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson) te convence logo no início, e esse é um ponto chave para nos manter presos até o final do filme. A interação entre os personagens contribui para a imersão na narrativa, sustentando o desenvolvimento emocional da história mesmo após a revelação central. Um ponto forte é que a descobrimos junto com Charlie e acompanhamos seu colapso ao longo do filme.
De um lado, o filme apresenta uma história individual, do outro, uma dor coletiva.
Sem revelar a grande reviravolta do filme, ainda é possível discutir suas consequências. Por conta da ótima construção entre o casal nos primeiros momentos, é quase impossível não torcer para que tudo dê certo no final. O fato de simpatizarmos tanto com a personagem de Zendaya torna o debate principal mais interessante. E se isso acontecesse com alguém que já amamos?
Tema delicado tratado sem delicadeza, mas com noção
O Drama se apresenta como uma narrativa centrada no relacionamento entre Charlie e Emma, e isso não muda, mas repentinamente se transforma em um debate maior. Ao longo da trama, o filme constrói um discurso que vai além do conflito individual, explorando um tema delicado, mas importante e extremamente coletivo.
A partir desse momento, a história passa a estabelecer paralelos mais evidentes com situações contemporâneas, que, apesar de não estarem tão próximas da realidade brasileira, ainda estão diretamente relacionadas ao crescimento de grupos online que disseminam discursos de ódio, e sobre isso a gente entende. De um lado, o filme apresenta uma história individual, do outro, uma dor coletiva.
Humor ácido e cenários sufocantes
O ponto mais polêmico do filme é também a sua maior força. O diretor e roteirista Kristoffer Borgli incorpora um humor ácido como uma das principais características de sua linguagem, mesmo em momentos delicados. Esse recurso funciona como contraponto ao tom mais denso da narrativa, ajudando a equilibrar a experiência e reforçando determinados aspectos da crítica proposta. Em nenhum momento o autor desrespeita com seu humor.
Mais um momento em que a química entre Zendaya e Pattinson merece destaque. O timing de humor dos dois, principalmente do ator, é o que deixa tudo tão engraçado. Durante a cabine, era possível ouvir o público rindo muito de cenas “terríveis”. Que maneira genial de provocar o debate.
Outro ponto notável é a mudança do sentimento nos ambientes. A casa dos dois, um ambiente aconchegante e familiar, rapidamente abraça o caos e se torna muito mais hostil; exatamente como costuma funcionar quando casais passam a se desentender, e, novamente: o roteiro te leva ao extremo para provar um ponto.
Vale a pena assistir a O Drama?
O Drama dialoga com questões estruturais claras, mas com origens negligenciadas. Além disso, o filme sugere a importância do coletivo como forma de enfrentamento: a ideia de que os personagens não estão isolados ganha espaço e se torna um elemento relevante na reflexão principal. Ao articular esses elementos e inseri-los como parte central da narrativa, O Drama se consolida como uma obra completa.
Muitos debates sairão da sala de cinema: é razoável fazer humor com esse tipo de situação? Se você estivesse na pele de Charlie, o que faria? E, claro, um filme polêmico assim dividirá opiniões, mas não é isso que a arte representa? Por aqui, O Drama se consolida como uma das melhores e mais interessantes estreias do ano.
O drama estreia dia 9 de abril nos cinemas, mas terá sessões prévias.
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