Funcionários das big techs dispostos a denunciar más práticas ocorridas dentro do ambiente corporativo no Brasil terão na “CTRL+Z” uma nova plataforma de apoio. Anunciada este mês, ela atuará na defesa da identidade dos delatores e em outras ações.
Cofundada pela ex-chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, Daniela da Silva, a entidade de direitos digitais objetiva reverter o atual cenário de assimetria de poder entre empresas e cidadãos. O nome é uma referência ao clássico atalho do teclado para desfazer ações.
Qual será o trabalho da CTRL+Z?
Criada para “enfrentar o modelo de operação das big techs no Brasil”, a organização social investirá em estratégias de investigação e exposição de abusos corporativos. Ações judiciais e mobilização de pessoas também farão parte do trabalho.
- Os fatos investigados, com danos documentados, serão expostos em parceria com veículos jornalísticos, mostrando o funcionamento real das gigantes da tecnologia, seus algoritmos e lobbies, segundo a plataforma;
- A CTRL+Z também fará o desenvolvimento de estratégias jurídicas, conscientizando sobre direitos digitais, sistematizando sobre vítimas e danos;
- Com essas ações, a entidade acredita ser possível aumentar o custo dos abusos corporativos no país;
- Já com a mobilização, a ideia é tornar os direitos digitais mais acessíveis para as pessoas que sentem o impacto das big techs em sua rotina.

Além da diretora-executiva, que deixou a Meta ao discordar de suas políticas e do alinhamento ao governo americano, a plataforma terá a presença do advogado Luã Cruz. Ele trabalhou no Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) em ações contra o Google, X e outras empresas da área.
Também faz parte da entidade a jornalista Tatiana Dias. Ex-editora-executiva do Intercept Brasil, a profissional conduziu investigações sobre lobby de big techs e vigilância.
Denúncias seguras
Pensando em fortalecer a cultura de denúncia contra abusos corporativos nas big techs que atuam no Brasil, a CTRL+Z deverá ser acessada por meio do Tor. O navegador focado em privacidade oferece uma camada extra contra o monitoramento das empresas.
Ainda de acordo com Daniela, o anonimato do delator é garantido pela legislação brasileira, que protege o sigilo da fonte. O dispositivo legal se sobrepõe às cláusulas de confidencialidade nos contratos das empresas que podem inibir as denúncias.
A primeira plataforma segura do Brasil para denúncias de violações de grandes empresas de tecnologia estará disponível em breve.
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