Home Variedade Cuidado! Vírus bancário transforma seu WhatsApp em arma contra amigos

Cuidado! Vírus bancário transforma seu WhatsApp em arma contra amigos

by Fesouza
5 minutes read

Pesquisadores da empresa de cibersegurança Acronis identificaram uma nova ofensiva do malware bancário Astaroth que afeta o Brasil. Batizada de “Boto Cor-de-Rosa“, a campanha passou a usar o WhatsApp Web como canal de infecção, explorando a confiança entre contatos.

Em vez de e-mails genéricos ou links suspeitos, o golpe se espalha por mensagens automáticas enviadas a partir da conta da vítima. Por trás disso, há uma combinação de engenharia social refinada e uma arquitetura sofisticada, pensada para roubar credenciais bancárias sem chamar atenção.

Automação e linguagem natural contornam desconfiança de usuários

O ataque começa de forma banal. A vítima recebe no WhatsApp uma mensagem com um arquivo ZIP, enviada por alguém da sua lista de contatos. Ou seja, alguém que a vítima conhece de alguma forma. Esse grau de familiaridade aumenta a chance de desarmar a desconfiança do usuário.

Celular com ícone do WhatsApp na tela; ao fundo, um hacker encapuzado usando um notebook
Ataque hacker começa de forma banal: um arquivo ZIP recebido no WhatsApp (Imagem: Daniel Cosntante/Shutterstock)

Ao acessar e descompactar o arquivo no WhatsApp Web, o gatilho da infecção é disparado. Um script em Visual Basic (VBS), disfarçado de arquivo legítimo, é executado no computador da vítima. Ele abre a porta para o restante da operação.

Para aumentar a taxa de sucesso, o malware capricha na engenharia social. As mensagens usam tom levemente casual, do tipo “Aqui está o arquivo solicitado. Qualquer dúvida, fico à disposição!”. E ainda se adaptam ao horário local da vítima, escolhendo automaticamente entre “Bom dia”, “Boa tarde” e “Boa noite”. Para quem está acostumado a ter conversas relacionadas a trabalho no WhatsApp Web, por exemplo, é o tipo de contato que não acende desconfiança.

Do ponto de vista técnico, a nova ofensiva mostra um salto de complexidade. O script inicial baixa dois componentes principais:

  • Módulo bancário: responsável pelo roubo de dados;
  • Módulo de propagação: criado para espalhar o golpe.

Cada parte é escrita numa linguagem diferente: Delphi no núcleo do Astaroth e Python no novo mecanismo de disseminação. Isso dificulta a análise e a detecção por sistemas e programas de segurança tradicionais.

O módulo de propagação, como o nome sugere, é o motor de contágio. Ele coleta automaticamente a lista de contatos do WhatsApp da vítima e envia o mesmo arquivo malicioso para cada um deles. Note que isso ocorre sem o usuário precisar fazer algo. Resultado: cada novo infectado vira um “roteador” do malware.

Enquanto isso, o módulo bancário trabalha nos bastidores. Ele monitora a navegação do usuário no computador e só entra em ação quando identifica acessos a sites bancários ou financeiros. Quando isso acontece, ativa mecanismos de captura de credenciais de forma que o roubo de dados fica o mais invisível possível.

Malware bancário usa WhatsApp Web, rouba informações e ainda avalia métricas em tempo real

Além de espalhar e roubar informações, o malware acompanha o próprio desempenho. O sistema registra métricas como número de mensagens enviadas, falhas e taxas de sucesso. E envia esses dados, junto a listas de contatos filtradas, para servidores remotos. Para os criminosos, é um ataque que se avalia em tempo real.

Montagem de homem tocando em sinal de alerta em painel de cibersegurança
Sistema usado por cibercriminosos registra métricas como número de mensagens enviadas, falhas e taxas de sucesso (Imagem: amgun/Shutterstock)

Especialistas alertam que o principal ponto de atenção continua a ser o comportamento do usuário. Arquivos não solicitados, mesmo quando chegam por aplicativos de mensagem e de contatos conhecidos, devem ser tratados com muita cautela.

Segundo a Acronis, a variante já é detectada e bloqueada por soluções de EDR (Endpoint Detection and Response)/XDR (Extended Detection and Response). Esse tipo de ferramenta é pensado para detectar, investigar e bloquear ataques que já passaram pelas defesas básicas. Em resumo: antivírus tenta impedir a entrada, enquanto EDR/XDR assume que o invasor pode entrar e foca em detectar, conter e responder antes do dano se espalhar.

Leia mais:

No entanto, a empresa reforça que estratégias de segurança em camadas são essenciais para conter ataques que misturam tecnologia avançada com manipulação psicológica.

O post Cuidado! Vírus bancário transforma seu WhatsApp em arma contra amigos apareceu primeiro em Olhar Digital.

You may also like

Leave a Comment