Da burocracia à tecnologia: o novo papel do governo no ecossistema de inovação

Minha trajetória profissional sempre envolveu inúmeras iniciativas de inovação no Brasil e no mundo. Cada contexto exige diferentes abordagens, técnicas e limitações, mas uma coisa que ficou bem clara durante todos esses anos é que nenhum setor pode se dar ao luxo de ignorar a inovação. Muito menos o setor público.

Tradicionalmente, a atuação dos governos é focada em políticas públicas, regulamentação e prestação de serviços essenciais. Só que, hoje, muitos dos maiores desafios enfrentados pela população e pelos servidores — saúde pública, mobilidade urbana, educação, sustentabilidade ambiental, entre outros — podem ser mitigados ou até resolvidos com soluções que surgem no ecossistema de startups e empresas inovadoras.

Ignorar essas possibilidades significa manter a ineficiência de inúmeros processos e o impacto negativo para a sociedade.  Mas, quando há uma ponte entre a demanda pública e a capacidade de entrega de soluções adaptáveis e escaláveis das startups, o resultado pode ser impressionante.

É importante ressaltar que inovação não está restrita a grandes descobertas ou investimentos mirabolantes. É, antes de tudo, uma cultura contínua de pensamento ousado e resolução de problemas reais. Inovar significa transformar ideias em ações que gerem valor concreto para a sociedade. E essa transformação não acontece sem colaboração entre diferentes agentes, inclusive os governos.

Governos esses que precisam entender seu papel ativo no ecossistema, inclusive no que diz respeito a criar um ambiente regulatório mais favorável e incentivar a adoção de soluções emergentes. Muitos gestores públicos ainda veem a inovação como algo secundário ou acessório, quando na verdade ela deveria ser tratada como uma estratégia central para modernizar a administração e ampliar a eficiência de serviços.

Ou seja, o Estado precisa caminhar junto e não esperar que as soluções simplesmente surjam e estejam prontas. E assim conectar problemas às soluções, medindo o impacto real que elas geram. Para que isso aconteça de forma eficaz, o setor público deve dialogar com empreendedores, pesquisadores e investidores, criando processos que permitam testar, adaptar e escalar inovações que atendam às necessidades da população.

Um exemplo desse movimento é a parceria da Associação Brasileira de Tecnologia, Inovação e Comunicação de Londrina (Abratic) com o ecossistema de inovação local. O objetivo é posicionar a cidade como referência em govtech, por meio de iniciativas como criação de um novo hub, mapeamento de demandas tecnológicas e programas de incubação e aceleração de startups.

Esse caminho exige visão de longo prazo, coragem para repensar modelos tradicionais e disposição para trabalhar lado a lado com o setor privado e com a sociedade civil. Quando os governos se aproximam da inovação, deixam de ser apenas reguladores e se tornam facilitadores de um ecossistema que pode gerar mais eficiência, transparência e impacto social. E essa transformação pode mudar radicalmente a forma como todos nós vivemos. 

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