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Dois cometas podem ser vistos no céu entre janeiro e fevereiro

by Fesouza
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A temporada de cometas de 2026 já começou, com dois deles visitando o céu noturno entre janeiro e fevereiro: o C/2024 E1 (Wierzchos) e o 24P/Schaumasse, que podem ser observados com o uso de binóculos ou telescópios. Ambos são tênues demais para serem vistos a olho nu.

Diferente de estrelas cadentes (nome popular para “meteoros”), que cruzam o céu em segundos, os cometas mudam de posição lentamente, noite após noite. A visibilidade desses corpos gelados depende da proximidade em relação ao Sol e à Terra, e não apenas de sua órbita fixa.

Dois cometas podem ser vistos no céu entre janeiro e fevereiro
Cometa C/2024 E1 (Wierzchos). Crédito: Miloš Maco/AstroBin

Saiba mais sobre os cometas visíveis no céu entre janeiro e fevereiro:

C/2024 E1 (Wierzchos): um visitante único

Descoberto em março de 2024, C/2024 E (Wierzchos) é um cometa de órbita hiperbólica. Embora essa seja uma característica sugestiva de objetos interestelares, ele provavelmente veio da Nuvem de Oort, nos confins do Sistema Solar, e também passará por aqui uma única vez, para nunca mais voltar.

O Wierzchos atinge seu ponto mais próximo do Sol (periélio) nesta terça-feira (20), tornando-se visível ao entardecer no Hemisfério Sul, um pouco acima do horizonte na direção sudoeste. De acordo com o guia de observação In-The-Sky.org, o pico de brilho do cometa será na segunda-feira (26).

Dois cometas podem ser vistos no céu entre janeiro e fevereiro
Cometa C 2024 E1 Wierzchos registrado a partir de Fitchburg, Massachusetts, EUA. Crédito: Rick Evans/AstroBin

Para observá-lo, você precisará de um céu escuro, longe das luzes da cidade. De acordo com o guia de observação Starwalk Space, embora algumas previsões mais otimistas sugiram que binóculos comuns possam detectá-lo, é mais seguro apostar em binóculos de alta ampliação ou pequenos telescópios.

No dia 17 de fevereiro, esse cometa fará sua maior aproximação com a Terra, momento em que seu brilho diminuirá um pouco, exigindo ainda mais paciência e céus limpos para ser encontrado.

24P/Schaumasse: um velho conhecido

Enquanto o Wierzchos é um visitante de passagem única, o cometa 24P/Schaumasse é um “frequentador” do nosso “pedaço”. Descoberto em 1911, ele completa uma volta ao redor do Sol a cada 8 anos. Este cometa atingiu seu brilho máximo no início de janeiro, mas continua observável em ambos os hemisférios durante as próximas semanas.

Diferentemente do Wierzchos, o Schaumasse é menos brilhante e não será visível com binóculos, exigindo, no mínimo, um telescópio de médio porte, além de condições de escuridão total, para ser identificado como uma pequena mancha difusa no céu.

Dois cometas podem ser vistos no céu entre janeiro e fevereiro
Cometa 24P/Schaumasse capturado remotamente em 16 de jaeiro de 2026 a partir de Schörfling am Attersee, na Áustria. Crédito: Oliver Schneider/AstroBin

No Hemisfério Sul, o melhor momento para tentar localizá-lo é na madrugada, a partir das 2h da manhã (horário de Brasília), na direção leste (onde o Sol nasce). Com o passar dos dias, ele cruzará o céu rumo ao norte.

O objeto permanecerá ao alcance dos telescópios até o final de fevereiro, perdendo brilho gradativamente. É um alvo mais desafiador, recomendado para quem já tem alguma prática com astronomia amadora.

Leia mais:

Abril pode trazer o cometa mais brilhante de 2026

Ainda neste semestre, em abril, teremos um candidato a destaque entre os cometas de 2026, com a passagem do C/2025 R3 PanSTARRS. Descoberto em setembro de 2025, ele está gerando grande expectativa de brilho. Embora as previsões mais conservadoras apontassem para uma magnitude 7, visível apenas com binóculos, observações mais recentes sugerem que ele pode atingir magnitude 3.5, tornando-se visível a olho nu.

Além disso, de acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, existe a chance de um fenômeno chamado de “dispersão frontal” amplificar sua luz. Caso isso ocorra, o objeto poderá atingir magnitude -2, o que faria seu brilho superar o de Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno. Com isso, possivelmente, este tende a ser o cometa mais brilhante do ano.

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Cometa C/2025 R3 (PANSTARRS) registrado pelo observatório remoto iTelescope, localizado no Deserto da Grande Bacia, Beryl Junction, Utah, EUA. Crédito: Taras Prystavski/AstroBin

A janela ideal para observá-lo será curta, concentrada na virada de abril para maio. A visibilidade dependerá da localização do observador: no Hemisfério Norte, ele aparecerá no céu da madrugada até meados de abril. Já para nós, no Hemisfério Sul, a chance de ouro será a partir do final de abril e início de maio, ao observar o céu noturno logo após o entardecer. Em ambos os casos, o cometa estará baixo no horizonte, exigindo um local livre de poluição luminosa, mais afastado dos grandes centros urbanos.

Classificado como um cometa de longo período ou de trajetória hiperbólica, ele está apenas de passagem pelo interior do Sistema Solar antes de ser lançado ao espaço interestelar. Mesmo que sua órbita o mantenha preso ao Sol, o tempo de retorno seria tão longo que não ocorreria durante nossas vidas. Portanto, essa é uma oportunidade única para a humanidade contemplar esse raro corpo celeste.

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