A Alphabet, controladora do Google, divulgou nesta quarta-feira (4) os resultados financeiros do quarto trimestre e, além de superar as expectativas de Wall Street em lucro e receita, indicou que pretende ampliar de forma expressiva seus investimentos em inteligência artificial (IA) em 2026. A projeção de gastos de capital veio bem acima do que o mercado aguardava.
Segundo a companhia, o aumento dos aportes ocorre no contexto da intensificação da disputa entre grandes empresas de tecnologia para expandir infraestrutura e produtos baseados em IA. Apesar do desempenho operacional positivo no trimestre, os investidores reagiram negativamente ao tamanho do plano de investimentos anunciado.
Resultados trimestrais da Alphabet superam projeções do mercado
No balanço referente ao quarto trimestre, a Alphabet registrou lucro por ação de US$ 2,82 (cerca de R$ 14,76), acima da estimativa de US$ 2,63 (R$ 13,76). A receita total somou US$ 113,83 bilhões (cerca de R$ 596 bilhões), superando a projeção de US$ 111,43 bilhões (R$ 583,37 bilhões), de acordo com dados da LSEG.
A receita da empresa cresceu quase 18% na comparação anual, enquanto o lucro líquido alcançou US$ 34,46 bilhões (R$ 180,41 bilhões), alta de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O segmento de publicidade respondeu por US$ 82,28 bilhões (R$ 430,76 bilhões), avanço de 13,5% em um ano.
No detalhamento das áreas de negócio, o Google Cloud faturou US$ 17,66 bilhões (R$ 92,45 bilhões) no trimestre, crescimento de cerca de 47% a 48% na comparação anual, superando as expectativas dos analistas. Já a receita com anúncios no YouTube subiu quase 9%, para US$ 11,38 bilhões (R$ 59,58 bilhões), mas ficou abaixo da estimativa de US$ 11,84 bilhões. Os custos de aquisição de tráfego somaram US$ 16,59 bilhões (R$ 61,99 bilhões), também acima do esperado.
Gastos bilionários reforçam foco em inteligência artificial
A Alphabet informou que projeta despesas de capital entre US$ 175 bilhões (R$ 916,18 bilhões) e US$ 185 bilhões (R$ 968,53 bilhões) em 2026, quase o dobro do valor investido em 2025. Analistas, em média, esperavam cerca de US$ 115,26 bilhões (R$ 603,37 bilhões) em gastos, segundo dados compilados pela LSEG.
O aumento está ligado principalmente à expansão da infraestrutura necessária para sustentar serviços e produtos de IA, concentrados em grande parte no Google Cloud. Assim como rivais como Amazon Web Services e Microsoft Azure, a divisão de nuvem do Google enfrenta restrições de capacidade que limitam a captura total da demanda crescente por soluções de inteligência artificial.
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IA e outras apostas estratégicas da Alphabet
Durante a teleconferência com investidores, o CEO da Alphabet e do Google, Sundar Pichai, afirmou que o aplicativo de IA Gemini ultrapassou 750 milhões de usuários ativos mensais, acima dos 650 milhões registrados no trimestre anterior. Segundo ele, o crescimento ocorre à medida que a empresa amplia a distribuição de seus produtos baseados em inteligência artificial.
Pichai também destacou avanços operacionais na área. De acordo com o executivo, a Alphabet conseguiu reduzir em 78% os custos unitários de operação do Gemini ao longo de 2025, resultado de otimizações nos modelos, melhorias de eficiência e maior utilização da infraestrutura existente.
Além da IA, o balanço trouxe números do segmento Other Bets, que reúne iniciativas fora do negócio principal, como a empresa de ciências da vida Verily e a divisão de veículos autônomos Waymo. A área registrou receita de US$ 370 milhões no trimestre, queda de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, e um prejuízo de US$ 3,61 bilhões, alta superior a 200% na comparação anual.
A Waymo respondeu por parte relevante desse resultado após registrar um encargo de US$ 2,1 bilhões em compensação baseada em ações, relacionado a uma nova rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 16 bilhões. Segundo a diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, a maior parte desse valor foi contabilizada como despesa em pesquisa e desenvolvimento.
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