Duas gigantes automotivas dos EUA e da China estão se unindo; o que vem por aí?

A Ford e a montadora chinesa Geely estão em negociações sobre uma possível parceria. O movimento reflete a pressão crescente sobre as fabricantes para dividir custos elevados de produção e desenvolvimento de novas tecnologias, especialmente em um cenário de tarifas e competitividade global.

As informações foram reveladas pela agência Reuters, que ouviu oito fontes com conhecimento direto das conversas e que falaram em condição de anonimato.

Segundo as fontes, o eixo mais avançado das negociações envolve a Europa. A ideia é que a Geely utilize as fábricas da Ford no continente para produzir veículos destinados ao mercado europeu. Três das pessoas familiarizadas com o assunto indicaram que a montadora americana colocaria sua capacidade industrial à disposição, enquanto outras duas afirmaram que as conversas também envolvem tecnologias colaborativas entre as empresas, incluindo sistemas de direção autônoma.

As tratativas se intensificaram nas últimas semanas. Executivos seniores da Geely se reuniram com lideranças da Ford em Michigan, nos Estados Unidos, na semana passada. Nesta semana, a Ford teria enviado uma delegação à China para aprofundar as discussões. As conversas estariam em curso há meses, mas ainda não há garantia de um acordo formal.

De acordo com a Reuters, não está claro se a parceria envolve a atuação no mercado americano.

A agência procurou ambas montadoras. A Geely preferiu não comentar. Já a Ford afirmou, em nota, que mantém diálogo constante com diversas empresas: “Às vezes, as negociações se concretizam, outras vezes não”.

Ford já vem firmando parcerias globais para dividir investimentos (Imagem: jon lyall/Shutterstock)

Geely e Ford miram na Europa

Um eventual acordo na Europa poderia beneficiar especialmente a Geely ao reduzir o impacto das tarifas impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos fabricados na China. Em 2024, o bloco adotou tarifas provisórias de até 37,6% para conter um risco de inundação de veículos chineses subsidiados.

Uma das unidades cotadas para participar da parceria é a fábrica da Ford em Valência, na Espanha.

O movimento se insere em uma estratégia mais ampla de montadoras chinesas para estabelecer produção local na Europa. A Leapmotor, por exemplo, já produz veículos em uma fábrica da Stellantis na Espanha, enquanto empresas como Xpeng e fornecedores chineses firmaram acordos com grupos industriais europeus, como a Magna, na Áustria.

A própria Geely tem ampliado sua presença internacional por meio de parcerias. A empresa mantém acordos com a Renault na Coreia do Sul e no Brasil, onde as duas montadoras produzem e comercializam veículos com tecnologias chinesas usando fábricas e redes de vendas da francesa.

Para a Geely, parceria seria uma forma de contornar tarifas a Europa (Imagem: Pavel Shlykov / Shutterstock)

Ford quer reduzir distância para concorrentes

Para a Ford, uma aproximação com a Geely pode ser um atalho para reduzir a distância em relação a concorrentes globais em áreas como veículos conectados e autonomia. Ambos os setores são dominados pelas montadoras chinesas e já aparecem como prioridade para rivais americanas, como a Tesla.

O CEO da Ford, Jim Farley, tem falado sobre essa desvantagem. Em entrevista no Aspen Ideas Festival no ano passado, ele classificou a liderança chinesa em veículos elétricos e tecnologia embarcada como “a coisa mais humilhante que já vi”. A parceria com a Geely seria uma forma da americana correr atrás do prejuízo.

Ainda assim, qualquer acordo envolvendo tecnologia chinesa para o mercado americano tende a enfrentar forte escrutínio político. Na prática, as chinesas enfrentam tarifas e restrições regulatórias nos EUA. As medidas foram adotadas durante o governo Biden, com a justificativa de preocupação com a coleta de dados de americanos. As regras continuam em vigor no governo de Donald Trump.

No entanto, o atual presidente revelou que veria com bons olhos montadoras chinesas fabricando veículos nos EUA, desde que isso significasse investimentos e geração de empregos locais.

Além disso, o foco em alianças não é novo para a Ford. A empresa fechou recentemente um acordo com a Renault para produção de veículos elétricos na Europa e tem defendido publicamente a necessidade de dividir riscos e investimentos em um setor cada vez mais competitivo.

Na semana passada, o Financial Times informou que Ford e Xiaomi teriam conversado sobre uma parceria para produção de veículos elétricos nos EUA. A informação negada por ambas as empresas.

O post Duas gigantes automotivas dos EUA e da China estão se unindo; o que vem por aí? apareceu primeiro em Olhar Digital.

Related posts

Vivo vai cortar Wi-Fi de quem não pagar em dia

Singtel: nova operadora chega ao Brasil para atuar no mercado corporativo

Review: My Hero Academia All’s Justice é um parque de diversões para fãs do anime