Elon Musk declara apoio à ultradireita alemã a dois meses da eleição

O bilionário Elon Musk voltou a causar alvoroço no cenário político internacional ao declarar apoio ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

No X, Musk escreveu, nesta sexta-feira (20): “Só a AfD pode salvar a Alemanha“. A declaração ocorre a dois meses das eleições federais no país, nas quais o partido aparece como potencial segunda força política, com 18% a 20% das intenções de voto, segundo a DW.

O endosso foi amplamente celebrado por líderes da AfD, monitorada pelos serviços de inteligência alemães por suspeitas de extremismo.

Alice Weidel, colíder da sigla e candidata ao cargo de chanceler federal, agradeceu publicamente a Musk, enquanto outros membros aproveitaram a declaração para reforçar críticas à União Europeia (UE) e ao governo atual.

Beatrix von Storch, deputada da AfD, comparou o apoio de Musk a movimentos semelhantes nos EUA e na Argentina, afirmando que “toda democracia precisa de liberdade de expressão“.

Contexto e implicações

  • Musk já havia demonstrado simpatia pela AfD anteriormente, interagindo com membros do partido e questionando a vigilância sobre suas atividades;
  • Agora, seu apoio ocorre em momento decisivo da campanha eleitoral alemã, quando a sigla busca ampliar seu alcance, mesmo enfrentando resistência de outros partidos, que rejeitam qualquer possibilidade de coalizão com os ultradireitistas;
  • A declaração de Musk foi feita como comentário sobre um vídeo da influencer alemã Naomi Seibt, conhecida como “anti-Greta Thunberg“;
  • No vídeo, Seibt criticava Friedrich Merz, líder da União Democrata Cristã (CDU, na sigla em inglês), por descartar alianças com a AfD;
  • Embora Merz tenha conduzido a CDU a uma guinada mais à direita, ele mantém firme sua oposição à formação de governo com os ultradireitistas.
Musk terá cargo no governo Trump (Imagem: Kathy Hutchins/Shutterstock)

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Repercussões políticas na Alemanha

A mensagem de Musk gerou reações mistas no meio político alemão. O chanceler federal Olaf Scholz minimizou o impacto da declaração, afirmando que a liberdade de expressão também se aplica a multimilionários, mas sugeriu que as palavras de Musk não eram “um bom conselho político”.

Já Anton Hofreiter, do Partido Verde, acusou Musk de apoiar um “bando de fascistas comprados” e destacou as conexões do partido com o presidente russo Vladimir Putin.

Alexander Throm, da CDU, questionou a credibilidade de Musk, enquanto Clara Bünger, do partido de Esquerda, classificou a declaração como tentativa de interferência no processo eleitoral alemão. Em contrapartida, Christian Lindner, do Partido Liberal-Democrático (FDP), criticou a AfD, mas tentou atrair Musk, argumentando que seu partido seria um aliado mais adequado.

Musk e a política global em 2024

O apoio à AfD é apenas mais um dos episódios que consolidam a crescente “presença” de Musk na política global. Neste ano, ele se envolveu diretamente na campanha de reeleição de Donald Trump nos EUA, liderando esforços financeiros e logísticos que geraram controvérsias. Seus esforços lhe renderam um cargo no novo governo.

Também abriu negociações para financiar o Reform UK, partido populista liderado por Nigel Farage no Reino Unido, e protagonizou disputas legais no Brasil, criticando o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o ministro Alexandre de Moraes, durante os embates envolvendo a Corte e o X.

As ações de Musk refletem sua disposição de usar sua influência e recursos financeiros para moldar cenários políticos em várias partes do mundo, atraindo tanto apoiadores quanto críticos. Na Alemanha, seu endosso à AfD já está sendo apontado como movimento que pode reforçar a polarização política no país às vésperas de uma eleição decisiva.

Olaf Scholz, pressionado no cargo, minimizou as falas do bilionário sul-africano (Imagem: miss.cabul/Shutterstock)

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