Um erro no Smart Sampa, sistema de reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, fez um morador da capital paulista ser detido quatro vezes por engano, conforme relatou o g1 nesta quinta-feira (26). As prisões aconteceram em um intervalo de sete meses.
Mesmo sem cometer nenhum crime, o coordenador de departamento pessoal, Ailton Alves de Sousa, foi conduzido à delegacia em todas as ocasiões. A mais recente ocorreu na segunda-feira (23), enquanto levava a mãe ao médico, deixando-o constrangido.
Confundido com foragido da justiça
Em todas as vezes, as autoridades alegaram que o rosto de Ailton está cadastrado no Smart Sampa como o de um foragido da justiça acusado de homicídio no Mato Grosso. No entanto, o homem diz nunca ter ido ao estado da região Centro-Oeste.
- Além disso, ele aponta outras diferenças em relação ao verdadeiro suspeito, que poderiam ter evitado as prisões por engano, caso fossem observadas;
- Os dois têm o mesmo nome, porém o sobrenome do foragido é “Souza”, com “z”, enquanto o seu se escreve com “s”;
- O suspeito nasceu na cidade de Santa Tereza do Oeste (PR), em 1972, e Ailton em São Paulo (SP), em 1984;
- Inconsistências aparecem, ainda, nos sobrenomes das mães e nos nomes e idades dos pais de ambos.

Outro detalhe importante é que não há foto no mandado de prisão do foragido, o que pode ter contribuído para associar o rosto de Ailton no Smart Sampa ao do homem procurado. O advogado dele acionou a Prefeitura e a justiça para corrigir o problema.
Apesar das solicitações para a retirada dos dados do sistema de monitoramento, feitas desde a primeira detenção, as abordagens continuaram. Enquanto a correção não acontece, ele afirma viver com medo constante de ser preso novamente.
Prefeitura nega falha no Smart Sampa
Segundo a administração municipal, a falha não está no sistema de monitoramento de segurança. Os dados inseridos na plataforma são de responsabilidade do poder judiciário e de outros órgãos.
Já a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma ter notificado o Conselho Nacional de Justiça, que realiza cadastros no Banco Nacional de Mandados de Prisão, sobre a inconsistência. O órgão também solicitou a exclusão dos dados e da foto de Ailton do sistema.
Uma pesquisa do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), em parceria com o Instituto de Referência Negra Peregum e a Rede Liberdade, apontou problemas com o Smart Sampa. A análise relata 23 prisões indevidas por inconsistências no reconhecimento facial, além de 82 pessoas presas e liberadas posteriormente.
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