A escassez global de memória RAM deve pressionar preços e reduzir a oferta de eletrônicos nos próximos anos. O impacto, segundo analistas e executivos do setor, já atinge smartphones, consoles e notebooks, e tende a se intensificar ao longo de 2026, impulsionado pela forte demanda de empresas de inteligência artificial (IA).
A alta nos valores dos chips ocorre em meio à priorização da indústria para atender o mercado de IA. Como praticamente todo dispositivo eletrônico depende de RAM, a restrição de oferta pode afetar desde celulares até equipamentos hospitalares. E, de acordo com previsões citadas por fabricantes e consultorias, não há expectativa de alívio antes de 2028.
Smartphones devem ficar mais caros em 2026
Analistas da IDC, Omdia e Counterpoint apontam que 2026 foi um dos melhores anos já registrados para vendas de smartphones, com crescimento de aproximadamente 2% e embarques na casa de 1,25 bilhão de unidades. A Apple informou recorde de vendas do iPhone em janeiro.
Apesar do desempenho positivo, o cenário pode mudar. A Omdia avalia que fabricantes devem priorizar rentabilidade e buscar receitas alternativas. Já a Qualcomm alertou que a escassez de memória afetará diretamente o volume de produção de celulares.
Em teleconferência realizada em 4 de fevereiro, o CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, afirmou que “todo o setor é impactado pela memória” e que a escassez e os aumentos de preço devem definir a escala da indústria ao longo do ano fiscal. Segundo ele, as fabricantes devem concentrar esforços em modelos premium. O CFO Akash Palkhiwala acrescentou que diversas OEMs, especialmente na China, reduziram planos de produção e estoques.

A IDC destaca que a memória representa de 15% a 20% do custo de materiais de um smartphone intermediário e de 10% a 15% em modelos topo de linha. A previsão atual é de aumento médio de até 8% nos preços, com reajustes ainda maiores nos aparelhos mais baratos. A consultoria também indica que modelos premium podem manter 12 GB de RAM, sem avanço para 16 GB em versões Pro.
Fontes ouvidas pela ZDNet Korea afirmaram que a Apple pode pagar de 80% a 100% a mais por memória neste trimestre após renegociações com Samsung e SK Hynix. O CEO Tim Cook disse a analistas que a empresa avaliará alternativas para lidar com o impacto nas margens.
Consoles e portáteis enfrentam atrasos e reajustes
A crise também alcança o mercado de games. A Bloomberg informou que o Nintendo Switch 2 pode sofrer aumento de preço, enquanto o PS6 da Sony pode ser adiado para 2028 ou 2029.
A Valve descontinuou o Steam Deck de US$ 399 no fim de dezembro, elevando o valor inicial para US$ 549. Em fevereiro, anunciou o adiamento do Steam Machine devido à escassez de memória e indicou que precisará rever expectativas de preço. O Steam Deck OLED também está sem estoque por causa da crise.
Outros portáteis registraram aumentos. O MSI Claw 8 AI Plus passou a custar entre US$ 1.099 e US$ 1.199, dependendo do varejista. Já o Lenovo Legion Go 2 deve chegar com preço maior ou especificações reduzidas em comparação à versão anterior.
Notebooks podem subir até 30%
O mercado de PCs também sente os efeitos. Fabricantes como Lenovo, Dell, HP, Asus e Acer planejam reajustes entre 10% e 30%. A IDC projeta queda de 4,9% a 8,9% no mercado de PCs em 2026, enquanto a TrendForce estima retração de 2,4% nas vendas de notebooks.
A Dell já elevou preços entre US$ 55 e US$ 765, conforme a configuração. A Framework informou que o custo por gigabyte subiu de cerca de US$ 10 para até US$ 16, resultando em aumento de 6% a 16% em seus produtos. “Estamos apenas repassando o aumento de custos dos fornecedores”, escreveu o CEO Nirav Patel.
A Lenovo admitiu ter estocado memória, mas o CEO Yang Yuanqing disse à Bloomberg que os custos subiram entre 40% e 50% no último trimestre e podem dobrar em breve.

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Escassez deve durar até 2028
O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, afirmou no início de fevereiro que não há perspectiva de alívio antes de 2028, após conversar com grandes fabricantes de memória. A Micron informou ao Wccftech que sua nova fábrica em Idaho deve abrir em meados de 2027, mas a produção relevante só deve ocorrer em 2028. A SK Hynix já havia projetado escassez até o fim de 2027.
Micron, SK Hynix e Samsung concentram cerca de 95% da oferta global de DRAM. Embora estejam ampliando capacidade, a expansão exige tempo. A Samsung deve elevar o fornecimento de wafers em apenas 5% neste ano.
Para o fundador da SemiAnalysis, Dylan Patel, a indústria evita expansão acelerada por risco de excesso de oferta, que no passado levou empresas a prejuízos. Até que novas fábricas entrem em operação, os custos adicionais tendem a ser repassados ao consumidor final.
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