A startup francesa de inteligência artificial Mistral anunciou um investimento de 1,2 bilhão de euros (cerca de R$ 7,4 bilhões) para a construção de infraestrutura digital na Suécia, incluindo data centers. A iniciativa marca o primeiro grande projeto da empresa fora da França e reforça o movimento europeu em busca de maior autonomia tecnológica na corrida de IA.
Segundo a companhia, os recursos serão destinados ao desenvolvimento de data centers especializados, ampliação de capacidade computacional e oferta de soluções de IA com processamento e armazenamento locais. A previsão é que as novas instalações entrem em operação em 2027 e deem suporte aos modelos de próxima geração desenvolvidos pela Mistral.
O projeto será realizado em parceria com a sueca EcoDataCenter, com foco na implementação de infraestrutura de computação em larga escala. Segund o site CNBC, países nórdicos têm se consolidado como destinos estratégicos para esse tipo de instalação na Europa, principalmente por conta do clima mais frio (que reduz os custos de resfriamento) e da energia relativamente barata.
O anúncio ocorre em meio ao esforço europeu para fortalecer sua soberania tecnológica em um cenário de crescente disputa geopolítica e dos avanços na corrida de IA.
Para Arthur Mensch, CEO da Mistral, em comunicado, o investimento representa um passo concreto na construção de capacidades independentes no continente. Isso porque os dados serão processados e armazenados na própria Europa, podendo atender empresas, instituições públicas e pesquisadores em grande escala.
Mistral é a aposta da Europa na corrida de IA
A Mistral foi fundada em 2023, na França, e rapidamente se posicionou como uma das principais empresas de IA da Europa.
Em setembro, levantou 1,7 bilhão de euros em uma única rodada, chegando a 11,7 bilhões de euros em valor de mercado. Entre os investidores estão nomes de peso como Nvidia, Microsoft e a fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores ASML.
No início, a Mistral se concentrava no desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs), mas, depois, ampliou sua atuação para incluir infraestrutura. Em junho, lançou o Mistral Compute, plataforma que integra GPUs, APIs e serviços de software.
Apesar de ser considerada a empresa europeia de LLMs mais bem financiada (com US$ 2,9 bilhões captados, segundo dados da plataforma Dealroom), a Mistral ainda está distante das cifras movimentadas pelas concorrentes dos Estados Unidos. A OpenAI, por exemplo, estaria próxima de concluir uma rodada que pode chegar a US$ 100 bilhões, enquanto a Anthropic mira mais US$ 20 bilhões.
O investimento na Suécia sinaliza que a disputa global por infraestrutura de IA está se intensificando – e que a Europa pretende ocupar um espaço mais estratégico nessa corrida.
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