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Estudo alerta para risco de Terra “menos habitável” no futuro

by Fesouza
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Um grupo internacional de pesquisadores publicou um novo alerta indicando que a Terra pode estar se aproximando de um ponto de não retorno climático, cenário em que o aquecimento global passaria a se autoalimentar e poderia tornar irreversíveis mudanças ambientais em larga escala. A análise foi publicada na revista científica One Earth na quarta-feira (11) e reúne evidências recentes sobre sistemas climáticos que já mostram sinais de instabilidade.

O estudo destaca que o aumento da temperatura global, combinado com mecanismos naturais de retroalimentação, pode levar o planeta a uma trajetória conhecida como “hothouse Earth”, ou “Terra estufa”. Nesse contexto, mesmo reduções futuras nas emissões de gases de efeito estufa poderiam não ser suficientes para interromper o aquecimento a longo prazo, segundo os autores.

Metade da Terra com chuva e a outra metade com Sol quente
O artigo aponta que mesmo reduções futuras nas emissões poderiam não ser suficientes para interromper o aquecimento do planeta (Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock)

Sistemas climáticos próximos de limites críticos

A pesquisa revisa 16 chamados “elementos de inflexão” do sistema climático, que são subsistemas capazes de mudar drasticamente quando certos limiares de temperatura são ultrapassados. Entre eles estão as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida Ocidental, o permafrost boreal, geleiras de montanha, a Floresta Amazônica e a circulação oceânica do Atlântico conhecida como AMOC.

Os pesquisadores afirmam que alguns desses elementos podem já estar em processo de mudança ou próximos do limite crítico. O derretimento de gelo, por exemplo, reduz a capacidade da superfície terrestre de refletir radiação solar, o que intensifica o aquecimento. Já o degelo do permafrost e a degradação florestal podem liberar grandes quantidades de carbono, ampliando o efeito estufa.

Segundo o estudo, essas mudanças podem se conectar em cascata. Um exemplo descrito envolve o enfraquecimento da circulação do Atlântico, que poderia alterar padrões de chuva e aumentar o risco de degradação da Amazônia, liberando mais carbono e reforçando ainda mais o aquecimento global.

Ventos levam a poeira do Saara através dos Oceano Atlântico até a floresta amazônica
A Floresta Amazônica está entre os 16 elementos de inflexão citados no estudo (Imagem: Jhampier Giron M / Shutterstock)

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Aquecimento acelerado e incertezas

Os autores apontam que a temperatura média global já está tão elevada quanto ou acima de qualquer período dos últimos 125 mil anos, enquanto os níveis de dióxido de carbono podem ser os maiores em pelo menos dois milhões de anos. Além disso, o ritmo do aquecimento teria aumentado nas últimas décadas, o que reduz o tempo disponível para evitar mudanças irreversíveis.

O trabalho ressalta que ainda há incertezas sobre o ponto exato em que cada sistema climático pode colapsar. Mesmo assim, os pesquisadores argumentam que essa incerteza não deve ser interpretada como sinal para adiar ações, mas sim como um fator que reforça a necessidade de precaução. O artigo também indica que os compromissos climáticos atuais são insuficientes para limitar o aquecimento a níveis considerados seguros.

Outro ponto abordado é a diferença entre uma “trajetória de Terra estufa” e um “estado de Terra estufa”. A trajetória representa o caminho de transição que ainda poderia ser evitado, enquanto o estado final envolveria temperaturas muito mais altas e elevação significativa do nível do mar ao longo de milhares de anos.

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