Estudo aponta vitamina que pode deixar seu intestino mais espertinho

Entender os mecanismos de evacuação do corpo humano pode ajudar a descobrir o que está por trás de condições comuns de saúde, como constipação, diarreia e síndrome do intestino irritável. Mas o intestino ainda é um mistério que intriga a ciência.

Um estudo internacional publicado este mês trouxe novos indícios dos fatores biológicos que regulam a motilidade intestinal, processo que determina a frequência das evacuações e pode ajudar a desvendar a causa dessas condições. E um delas surpreendeu a equipe: a vitamina B1, também conhecida como tiamina.

Descoberta pode ajudar a nortear estudos mais direcionados para as condições do intestino (Imagem: mi_viri / Shutterstock)

Processos que influenciam o intestino e evacuação

O trabalho analisou dados genéticos e questionários de 268.606 pessoas de ascendência europeia e do leste asiático. A partir dessa base, os pesquisadores buscaram variantes comuns no DNA associadas à frequência das evacuações, chamada no estudo de “frequência das fezes”.

Com o apoio de análises computacionais, o grupo identificou 21 regiões do genoma humano relacionadas ao ritmo do intestino – dez delas descritas pela primeira vez. Parte desses sinais genéticos confirmou mecanismos que já eram conhecidos anteriormente, o que reforça a consistência dos resultados.

Entre os processos destacados estão a regulação dos ácidos biliares, substâncias envolvidas tanto na digestão de gorduras quanto na sinalização celular no intestino, e a comunicação entre nervos e músculos intestinais. Essa sinalização inclui vias ligadas à acetilcolina, um neurotransmissor essencial para as contrações musculares que permitem o avanço do conteúdo intestinal.

Esses achados já eram conhecidos sobre a motilidade intestinal e foram dentro do esperado.

Pesquisa encontrou relação da frequência de evacuações com a síndrome do intestino irritável (Imagem: A.Basler/Shutterstock)

Vitamina B1 foi surpresa

O resultado mais inesperado surgiu quando a equipe reduziu o foco a dois genes considerados prioritários: SLC35F3 e XPR1. Ambos estão diretamente ligados ao transporte e à ativação da vitamina B1 no organismo.

Para verificar se esse sinal genético se refletia na prática, os cientistas analisaram dados alimentares de 98.449 participantes. O cruzamento das informações mostrou que uma ingestão maior de tiamina na dieta estava associada a evacuações mais frequentes.

Mais do que isso, a relação variava conforme o perfil genético de cada pessoa. Indivíduos com determinadas combinações genéticas nesses dois genes apresentavam respostas diferentes à ingestão da vitamina, sugerindo que fatores hereditários influenciam como a vitamina B1 afeta o funcionamento do intestino.

O estudo também identificou uma relação genética entre a frequência das evacuações e a síndrome do intestino irritável. A SII afeta milhões de pessoas e tem como base justamente as alterações na motilidade intestinal.

Estudo não é uma recomendação direta da vitamina B1 (Imagem: New Africa/Shutterstock)

Leia mais:

Desvendar os mistérios do intestino

  • Os novos dados genéticos ajudam a apontar caminhos mais claros para pesquisas futuras sobre a saúde do intestino – e as vitaminas que influenciam nisso;
  • Os pesquisadores destacam que os resultados não significam, por si só, uma recomendação direta de suplementação;
  • No entanto, eles abrem espaço para novos experimentos em laboratório e estudos clínicos mais direcionados, com foco na vitamina B1 e em seu metabolismo.

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