Europa, uma das maiores luas de Júpiter, é uma das grandes apostas na busca por vida fora da Terra. O astro é coberto por uma espessa camada de gelo que esconde um vasto oceano subterrâneo, algo que sempre foi visto como um ambiente promissor. Um estudo publicado nesta terça-feira (6) na revista Nature Communications pode frustrar essas expectativas.
O trabalho lança dúvidas sobre a existência de vida em Europa ao apontar limitações na energia disponível para sustentar processos geológicos essenciais.

Europa é promissora na busca por vida fora da Terra
Europa tem uma superfície gelada, com um oceano subterrâneo que pode ter até três vezes mais água do que existe na Terra. São 15 a 25 quilômetros de crosta de gelo, seguida de um mar com 60 a 150 quilômetros de profundidade. No fundo do oceano, há um manto rochoso envolvendo um núcleo metálico.
É justamente na interface entre o oceano e o manto – o equivalente ao fundo do mar – que muitos cientistas esperavam encontrar fontes de energia, como vulcanismo ou sistemas hidrotermais, considerados fundamentais para ambientes habitáveis.
Mas a nova pesquisa vai contra essa expectativa.

Lua de Júpiter não teria energia suficiente para sustentar vida
O estudo analisou a estrutura interna de Europa e o funcionamento de sua geologia, incluindo o ‘fundo do mar’ em que se esperava encontrar vida. No entanto, as conclusões apontam que as condições necessárias para isso podem não estar presentes.
Paul Byrne, professor associado de ciências da Terra, ambientais e planetárias da Universidade de Washington em St. Louis e autor principal do trabalho, afirmou que a energia disponível no interior da lua parece insuficiente para sustentar uma atividade geológica significativa no fundo do oceano. Sem esse dinamismo, processos químicos capazes de alimentar formas de vida semelhantes às conhecidas na Terra se tornariam improváveis.
Se pudéssemos explorar esse oceano com um submarino controlado remotamente, prevemos que não veríamos nenhuma nova fratura, vulcão ativo ou pluma de água quente no fundo do mar. Geologicamente, não há muita atividade por lá. Tudo estaria tranquilo.
Paul Byrne, autor do estudo
A pesquisa também revisitou o papel do aquecimento de maré, fenômeno causado pela intensa interação gravitacional entre Júpiter e suas quatro grandes luas – Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Esse efeito é responsável por manter Europa parcialmente aquecida e impedir que seu oceano congele por completo. No passado, esse aquecimento pode ter sido mais intenso, mas, segundo os cálculos atuais, atualmente ele não seria forte o suficiente para gerar atividade comparável à observada em Io, a lua mais vulcanicamente ativa do Sistema Solar.
Segundo o estudo, isso indica que, ao menos no presente, Europa pode não dispor da energia necessária para sustentar ambientes favoráveis à vida.

Uma nova esperança para Europa
A questão está longe de ser encerrada:
- Missões espaciais já programadas devem fornecer dados mais detalhados sobre a lua Europa nos próximos anos;
- A NASA prepara a missão Europa Clipper, dedicada a investigar a estrutura, a composição e a possível habitabilidade do astro;
- Já a Agência Espacial Europeia conduz a missão Juice, que estudará várias luas de Júpiter, com foco especial em Ganímedes, mas também coletará informações relevantes sobre Europa e Calisto.
Mesmo diante da possibilidade de resultados negativos, os cientistas veem valor na exploração. Para Byrne, a ausência de vida em Europa não seria uma decepção, mas parte natural do processo científico. A busca, segundo ele, continua, já que o universo é vasto.
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