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Explosão de foguete não muda planos para Alcântara, diz presidente da Agência Espacial Brasileira

by Fesouza
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A explosão do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da INNOSPACE, após o lançamento no Centro Espacial de Alcântara (MA), reacendeu o debate sobre riscos e maturidade operacional do setor espacial no Brasil. Para o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, em entrevista exclusiva ao Olhar Digital, o episódio — ocorrido cerca de 30 segundos após a decolagem, com acionamento do sistema de término de voo e queda na zona de segurança — não vai atrapalhar os planos para a base.

A mensagem central do dirigente foi direta: o espaço é um ambiente de alto risco e falhas são esperadas, inclusive em países com longa tradição de lançamentos. “Essas coisas acontecem, acontecem no mundo todo, o programa espacial é arriscado. Espaço é um negócio difícil”, afirmou Chamon, ao comparar o incidente no Brasil com falhas recentes em outros países, como no programa indiano.

Ao mesmo tempo, ele insistiu que o revés não muda o rumo dos projetos em andamento. “Isso não significa que nós vamos desistir. Ao contrário”, disse. Na entrevista, o presidente reforçou que o aprendizado acumulado em operações como a realizada em Alcântara tende a fortalecer as próximas campanhas.

Explosão de foguete não muda planos para Alcântara, diz presidente da Agência Espacial Brasileira
Drone flagra momento em que o foguete HANBIT-Nano, da Innospace, explode ao despencar no solo após decolar da Base de Alcântara, no Maranhão, Brasil. Crédito: Pedro Pallotta/YouTube

“A base se mostrou 100%”: Alcântara sai preservada, diz presidente

Chamon separou o que considera ser o problema do voo do que foi a atuação da infraestrutura brasileira. Para ele, a ocorrência reforçou a confiabilidade do centro de lançamento, não o contrário.

“A base se mostrou 100%, a performance dela foi 100%, desempenho absolutamente correto da base”, declarou. Em seguida, resumiu: “Falha, acontece, nesse caso aconteceu, mas toda a logística foi feita para que o foguete pudesse ser lançado.”

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A leitura do presidente é que o comportamento do centro — inclusive em protocolos de segurança — tende a ser um ativo para atrair novos clientes. “A base é muito confiável e a InnoSpace vai voltar justamente por causa disso”, completou.

A própria INNOSPACE confirmou que não houve vítimas nem danos ao solo e que o procedimento de segurança seguiu protocolos acordados com a Força Aérea Brasileira (FAB). A investigação definitiva ficará a cargo do CENIPA, enquanto a empresa realiza análises preliminares com dados de telemetria e rastreamento.[

Foguete posicionado na plataforma de lançamento
Foguete Hanbit-Nano posicionado na plataforma de lançamento da Base de Alcântara, no Maranhão (Imagem: Innospace)

Volta ao calendário e continuidade do programa

Chamon afirmou que a operação não encerra a presença da empresa no país e mencionou reservas de oportunidades futuras de lançamento. “A INNOSPACEjá reservou vários slots, acho que são cinco, espaços no calendário para lançamento”, afirmou, indicando que a companhia pretende manter Alcântara no planejamento.

Ele também buscou normalizar a reação pública a acidentes desse tipo, sugerindo que o Brasil precisa se habituar ao aumento de cadência no setor. “Ninguém gosta disso, mas esses fatos, essas falhas acontecem, o programa vai continuar”, disse. “A gente precisa começar a se acostumar com elas, porque cada vez mais nós vamos lançar foguetes… e as coisas podem dar errado.”, completou ainda.

Marco Antonio Chamon
Marco Antonio Chamon, presidente da AEB (Imagem: Divulgação)

O presidente indicou ainda que a repercussão do lançamento — mesmo com falha — pode ter funcionado como “vitrine” operacional.

“As empresas perceberam que a base está pronta para ser utilizada… funciona perfeitamente”, disse, acrescentando que não revelaria nomes para não interferir em tratativas: “Eu não vou abrir o nome das empresas… porque eu não quero atrapalhar nenhuma negociação que está em curso.”

De acordo com a INNOSPACE, o lançamento iniciou normalmente, houve perda de comunicação ao atravessar nuvens e, depois, dano estrutural e perda de propulsão, com queda na área prevista. A empresa diz trabalhar para retomar tentativas dentro das janelas já garantidas em Alcântara para 2026, após a conclusão das apurações e correções no veículo.

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