O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, nesta quinta-feira (28) que a pasta passará a utilizar inteligência artificial (IA) para fiscalizar fintechs e fundos de investimento, com o mesmo rigor já aplicado ao sistema bancário tradicional.
A medida, segundo ele, tem, como objetivo, impedir que organizações criminosas utilizem essas instituições para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.
“A farra das fintechs e fundos de investimento a serviço de grupos criminosos vai acabar“, afirmou Haddad, em entrevista à TV Globo (repercutida pelo g1).
O ministro detalhou que a tecnologia será usada para rastrear entradas e saídas de recursos, identificar movimentações atípicas e localizar os beneficiários finais. “Quem abastece as contas, como se dão as movimentações, para onde foi o dinheiro. Quem está fazendo o quê”, explicou.
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IA na fiscalização de fintechs
- De acordo com Haddad, o sistema de IA será treinado para detectar transações suspeitas. “Movimentações atípicas, entra e sai sem identificação clara, tudo isso a nossa IA vai pegar e vamos para cima de quem estiver fazendo coisa errada. Vamos seguir o dinheiro do criminoso”, declarou;
- O anúncio ocorreu no mesmo dia em que foi realizada uma megaoperação contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que revelou o uso de fintechs e fundos de investimento pelo grupo criminoso para lavar dinheiro. “Depois de hoje, o crime organizado vai ter que encontrar outros meios“, disse Haddad;
- Segundo o ministro, as apurações indicaram que cerca de R$ 52 bilhões transitaram por fintechs ligadas ao crime organizado nos últimos quatro anos;
- Essas instituições faziam parte de uma rede complexa de movimentações financeiras, incluindo contabilidade paralela, que ocultava lucros obtidos por meio de adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.
Avanço no combate à criminalidade
Para Haddad, a ação marca um avanço no combate à criminalidade financeira. “A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado, porque a sofisticação do crime organizado hoje, ela exige da parte da Receita que nós consigamos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado”, avaliou.
O ministro destacou ainda que a identificação e o sequestro de recursos irregulares são passos fundamentais para enfraquecer a estrutura financeira dessas organizações.
Após operação da PF, Receita voltará a exigir declaração de fintechs
A Receita Federal voltará a exigir a declaração e-Financeira de fintechs. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (28) após a Polícia Federal desmantelar um esquema envolvendo o crime organizado, o setor financeiro e empresas de combustíveis. As investigações identificaram movimentações ilícitas que ultrapassam R$ 23 bilhões.
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