Um cimento que mantém o interior de edifícios naturalmente frescos, reduzindo a dependência do ar-condicionado e, também, os gastos com energia elétrica, é a mais nova aposta da China para combater o aquecimento global. A novidade foi detalhada em uma pesquisa publicada na revista Science Advances, na última quarta-feira (20).
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Sudeste da China, o material possui uma composição química diferente da versão tradicionalmente utilizada na construção civil. A fórmula inédita reduz a temperatura do ambiente em até 5,4ºC, funcionando como alternativa à refrigeração artificial.
Como o novo cimento chinês resfria o ambiente?
Apresentando as mesmas aparência e textura que a versão comum, o cimento super-resfriante criado pelos cientistas chineses traz, em sua composição, uma maior quantidade de cristais de etringita. Esse material potencializa a capacidade de reflexão da luz solar, em vez de absorvê-la.
- Dessa forma, o produto que era um grande acumulador de calor, contribuindo para aumentar a temperatura no interior das construções, se transforma em um poderoso refletor térmico;
- A mistura dos minerais ricos em alumina também permitiu que o cimento refletisse o calor de forma eficiente por meio da “janela atmosférica”, enviando a radiação solar diretamente para o espaço;
- O produto inovador se mostrou, ainda, mais durável nas análises mecânicas, ambientais e ópticas;
- Nos testes realizados em parceria com a Universidade Purdue (Estados Unidos), o cimento chinês permaneceu 5,4ºC mais frio do que o ar, mesmo sob Sol intenso.
Com as alterações feitas, é possível produzir o material em temperaturas menores do que o cimento convencional, resultando em uma menor emissão de carbono já na origem. Os autores do estudo apontaram que o processo reduz as emissões em 25%.
Estima-se que a nova fórmula possa até se tornar carbono negativo em cerca de 70 anos, como demonstraram cálculos feitos por algoritmos de inteligência artificial. Isso seria um feito notável, levando em consideração que o ramo de construção civil está entre os principais emissores de gases do efeito estufa do mundo.
Cidades mais frescas e sustentáveis
Os pesquisadores chineses afirmam, ainda, que a adoção em larga escala do cimento que resfria edifícios naturalmente abre caminho para que tenhamos cidades mais frescas e sustentáveis. Ele pode ser usado em paredes, pavimentos e telhados, apresentando mais eficiência do que outras soluções semelhantes.
Além disso, contribuiria para economizar energia elétrica ao dispensar a necessidade do ar-condicionado para a climatização de ambientes, um dos maiores vilões da conta de luz. A tecnologia vai passar por novos testes e, no momento, não há previsão de quando estará disponível comercialmente.
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