Ao longo dos últimos 15 anos, o computador pessoal demonstrou uma capacidade de sobrevivência que poucos previram. Mesmo com a popularização dos smartphones e tablets, os PCs seguiram firmes. Agora, porém, o mercado entrou em crise e essa resiliência terá que enfrentar um teste de fogo.
O motivo é a escassez de chips de memória, que estão sendo devorados pela indústria de IA, deixando os computadores pessoais com menos opções. Nas últimas semanas, as fabricantes de laptops começaram a reajustar preços – para cima – para dar conta do recado.

Computadores pessoais sobreviveram por anos… mas enfrentam nova crise
Em 2010, a Apple anunciou a chegada de uma suposta era “pós-PC” com o lançamento do iPad. Esse cenário nunca se concretizou. Já há uma década, os smartphones passaram a liderar o acesso à internet no mundo. Mesmo assim, os computadores pessoais – tanto desktops quanto notebooks – continuaram firmes.
Agora, esses dispositivos enfrentam uma nova crise. Nos últimos meses, os preços das memórias RAM e dos chips NAND usados em SSDs dispararam. O motivo é a oferta limitada e a demanda altíssima. Isso porque os componentes que alimentam os PCs também são usados em data centers que viabilizam a inteligência artificial.
As consequências já estão dando as caras no varejo: custos mais altos para computadores pré-montados, venda de componentes a preços inflacionados e até a oferta de modelos sem memória instalada.

Computadores ficarão mais caros este ano
Uma análise da TrendForce indicou que os preços da memória RAM subirão de forma acentuada no primeiro trimestre de 2026, o que pressiona ainda mais os valores finais de notebooks e desktops.
Como resposta, as fabricantes começaram a reagir. Segundo o The Verge:
- A Asus comunicou parceiros de distribuição sobre aumentos de preços em toda a sua linha de produtos;
- A Dell alterou os preços dos novos computadores XPS 14 e XPS 16 pouco antes do anúncio oficial;
- A Lenovo vem estocando memória para PCs para lidar com a crise ao longo de 2026;
- A HP também possui estoque de memória e, apesar de não ter feito mudanças nos preços, reconhece que precisará agir. A empresa prevê que o aumento contínuo deve afetar as margens de lucro a partir de maio.

Qual a solução?
Não há resposta simples.
Uma solução aparentemente fácil seria oferecer menos memória RAM. No entanto, os sistemas operacionais atuais foram projetados para consumir muita memória. O Windows 11, por exemplo, exige no mínimo 4 GB RAM – e sequer funciona bem nessa quantidade.
Atualmente, o limite mínimo fica em torno dos 8GB. A TrendForce prevê que, no caso dos smartphones, é possível reduzir esse número e que os aparelhos provavelmente voltarão a ter 4GB de RAM ainda este ano. No entanto, no caso dos notebooks, essa redução acarretaria na incompatibilidade com os processadores e sistemas operacionais atuais.
Para piorar, os computadores com inteligência artificial – uma tendência do setor – exigem ainda mais memória. A Microsoft definiu 16 GB de RAM como requisito mínimo para o Copilot Plus.
Para além das fabricantes, a crise também cria um cenário delicado para as empresas de software. A Microsoft encerrou o suporte ao Windows 10 no fim de outubro e a escassez de memória pode afetar o ciclo de atualização para o Windows 11, assim como o Copilot.
E, de acordo com uma análise da IDC, o aumento de preços pode não ser apenas temporário, já que a indústria global de semicondutores está redirecionando sua capacidade de produção para atender a crescente demanda no setor de IA.
Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron, por exemplo, começaram a priorizar memórias de alta largura de banda (HBM), usadas principalmente em aceleradores gráficos voltados para data centers. O resultado é que os insumos deixarão de ser usados para abastecer smartphones e PCs pessoais.

Mercado gamer também deve sofrer com a crise
A crise atinge diretamente o segmento de PCs montados sob demanda e o mercado gamer. Embora as vendas totais de computadores tenham recuado nos últimos anos, o público de jogos manteve o crescimento, criando espaço para montadoras menores. No entanto, com o cenário atual, essas empresas não têm poder financeiro para estocar memória e devem ser as mais prejudicadas.
As placas de vídeo também entram na equação: o custo crescente da memória vai refletir nos preços das GPUs de última geração.
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E se os custos de componentes continuarem elevados em 2026, como indicam as previsões, os reflexos também podem chegar aos consoles, como modelos atuais de Xbox e PlayStation.
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