A Netflix segue apostando em produções coreanas que misturam gêneros e conceitos pouco convencionais, e Cashero é um dos exemplos mais curiosos desse movimento recente. A série combina ação, drama social e fantasia para contar a história de um herói improvável, cujos poderes dependem diretamente de algo bem terreno: dinheiro em espécie.
A proposta chama atenção logo de cara e serve como ponto de partida para reflexões bem mais profundas ao longo dos episódios. Mesmo com o final de Stranger Things bombando na Netflix, a produção ainda conseguiu subir no Top 10 e está ganhando a atenção dos assinantes do serviço.
Estrelada por Lee Jun-ho (King the Land), a produção acompanha Kang Sang-ung, um funcionário público comum de Seul que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao herdar habilidades especiais do pai. O detalhe? Cada uso do poder faz o dinheiro que ele carrega simplesmente desaparecer.
Em um país onde o custo de vida, a pressão social e a busca por estabilidade financeira são temas constantes, Cashero encontra um jeito original de transformar essas tensões em narrativa de super-herói. E se você ficou em dúvida sobre o desfecho ou quer relembrar os momentos finais da produção, veio ao lugar certo.
A seguir, explicamos a história, os personagens, o significado dos poderes e, claro, o desfecho de Cashero, que vai muito além de uma simples batalha final.
Quem é Kang Sang-ung e como funcionam seus poderes?
Kang Sang-ung é apresentado como um homem comum, prestes a se casar com Kim Min-suk e focado em economizar dinheiro para comprar uma casa e começar uma nova fase da vida. Tudo muda quando ele descobre que herdou superpoderes do pai, capazes de lhe dar força e resistência sobre-humanas.
No entanto, cada vez que usa essas habilidades, o dinheiro que carrega se transforma em moedas que caem no chão — e desaparecem de vez. O próprio pai de Sang-ung define isso como uma espécie de “consolação”: no passado, moedas de maior valor caíam, mas agora restam apenas centavos.
O som das moedas funciona tanto como um aviso visual e sonoro do uso do poder quanto como um lembrete constante do sacrifício envolvido. Segundo o diretor Lee Chang-min, a produção optou por uma mistura de efeitos práticos e visuais para tornar o momento mais realista. O som foi refinado ao longo de um mês, até chegar ao efeito final.
O dilema entre salvar pessoas e construir uma vida comum
Depois de conversar com Min-suk, Sang-ung promete não usar mais seus poderes para conseguir juntar dinheiro para o casamento e o apartamento. No entanto, sempre que se depara com alguém em perigo ou em situação extrema, ele se vê dividido entre cumprir a promessa e seguir sua própria consciência.
Esse conflito move boa parte do drama da série. Cashero não trata Sang-ung como um herói perfeito, mas como alguém constantemente pressionado por escolhas difíceis. A cada ato de heroísmo, ele se afasta do sonho de uma vida confortável.
Quem são os outros super-humanos de Cashero?
Além do protagonista, a série apresenta um grupo variado de personagens com habilidades especiais, cada um pagando um preço diferente por elas.
- Byeon Ho-in pode atravessar objetos sólidos, mas sacrifica sua própria saúde.
- Bang Eun-mi possui telecinese, capaz de mover objetos com um simples gesto, mas também sofre fisicamente com o uso do poder.
- Há ainda o Velho Do, que consegue prever o futuro, mas perde memórias importantes a cada visão.
- Já o detetive Hwang Hyun-seung pode voltar no tempo — ao custo da expectativa de vida de todos os envolvidos.
- Lee Hwa-jin completa o grupo com o poder de controlar o fogo.
O grande antagonista da série é a organização Beominhoe, comandada pela família Jo. Os irmãos Jo Anna e Jo Nathan caçam super-humanos para roubar suas habilidades, além de produzirem drogas capazes de replicar poderes.
Diferente de Sang-ung, que luta com recursos limitados, eles contam com dinheiro, influência e autoridade praticamente ilimitados. Essa desigualdade é um dos pontos centrais do conflito: enquanto o herói literalmente perde dinheiro a cada golpe, os vilões usam capital como arma, reforçando a crítica da série sobre concentração de poder e exploração.
A rivalidade com Jo Nathan e o confronto final
Sang-ung desenvolve um ódio particular por Jo Nathan após ele sequestrar Min-suk e colocar em risco o casamento do casal.
- Nathan representa o extremo oposto do protagonista: cruel, impulsivo e disposto a tudo para obter mais poder.
- O confronto entre os dois atinge seu ápice quando Nathan, fortalecido por drogas que replicam superpoderes, começa a atacar moradores inocentes de um conjunto habitacional.
- No meio de prédios em chamas e pessoas aterrorizadas, Sang-ung luta até seus limites, gastando tudo o que tem. Quando parece derrotado, algo muda completamente o rumo da batalha.
No momento mais simbólico da série, os próprios moradores começam a jogar dinheiro em direção a Sang-ung. Ao perceberem que ele só consegue lutar com recursos financeiros, as pessoas se unem, oferecendo o pouco que têm para ajudá-lo a continuar. O herói deixa de agir sozinho e passa a ser sustentado literalmente pela coletividade.
Segundo Lee Jun-ho, essa cena reforça a principal mensagem da série: ninguém consegue vencer grandes desafios sozinho. Em tempos difíceis, a união das pessoas comuns pode ser mais poderosa do que qualquer habilidade especial.
O final de Cashero
Após a derrota definitiva de Jo Nathan, a história desacelera para mostrar as consequências das escolhas feitas ao longo da série. Sang-ung e Min-suk finalmente conseguem retomar a vida simples que sempre desejaram.
Eles compram uma casa nova e descobrem que estão esperando o primeiro filho, simbolizando um novo começo depois de tantos sacrifícios. Os outros super-humanos também seguem caminhos mais tranquilos: Ho-in passa mais tempo com a filha, enquanto Eun-mi visita alguém do passado, encontrando um tipo diferente de encerramento para seus conflitos internos.
Já os vilões enfrentam punições à altura. Jo Won-do é responsabilizado por fundos ilegais, e Anna morre de forma trágica, em um desfecho visto pelos próprios atores como uma espécie de justiça poética.
No fim das contas, Cashero não é apenas uma série sobre superpoderes. É uma história sobre escolhas, limites e o verdadeiro valor das coisas. Sang-ung começa acreditando que o dinheiro é a fonte de sua força, mas termina entendendo que seu verdadeiro poder vem do desejo de proteger aquilo que ama — e da ajuda das pessoas ao seu redor.
Disponível na Netflix, Cashero se destaca por usar uma premissa inusitada para discutir temas muito reais, como desigualdade, responsabilidade social e empatia. O k-drama troca capas e máscaras por centavos… e, justamente por isso, acerta em cheio.
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