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Final explicado de Sonhos de Trem: Entenda desfecho emocionante do filme indicado ao Oscar

by Fesouza
11 minutes read

Indicado ao Oscar 2026 em quatro categorias, incluindo Melhor Filme e Roteiro Adaptado, Sonhos de Trem (Train Dreams) é o principal representante da Netflix na premiação este ano. Dirigido por Clint Bentley e estrelado por Joel Edgerton, o longa adapta a novela homônima de Denis Johnson e acompanha oito décadas da vida de um homem comum no interior dos Estados Unidos.

Com uma narrativa contemplativa, que ganha belas imagens com a direção de fotografia do brasileiro Adolpho Veloso, o filme percorre a transformação do século 20 pelos olhos de Robert Grainier, um trabalhador das ferrovias que vive amores, perdas e silêncios profundos. A história começa no ritmo de uma locomotiva a vapor e termina nos céus, com um avião cortando o ar, escondendo metáforas sobre o tempo e o progresso.

Enquanto a história possui um desfecho impactante e bastante direto, algumas dúvidas e interpretações ficam no ar, justamente para deixar o espectador pensando na história e em toda a sua jornada com o filme. Se você quer saber mais detalhes e mergulhar ainda mais na narrativa do longa-metragem, veio ao lugar certo!

A seguir, confira o final explicado com mais detalhes sobre a narrativa de Sonhos de Trem, desde explicações simples que você pode ter deixado passar até interpretações sobre a narrativa do longa-metragem. O texto, como esperado, conta com spoilers!

Qual é a história de Sonhos de Trem?

O longa-metragem Sonhos de Trem acompanha a vida de Robert Grainier desde a infância órfã até a velhice solitária na região de Idaho. Trabalhando na construção de ferrovias e no corte de madeira, ele ajuda a erguer a infraestrutura que conectaria o Estados Unidos— mesmo sem jamais sair de um pequeno raio de quilômetros – e se torna mais um dos personagens esquecidos que passam pela Terra.

Pela voz de um narrador, que segue os padrões do livro que inspirou o filme, descobrimos que a vida de Robert ganha sentido quando conhece Gladys (Felicity Jones). Eles se casam, constroem uma cabana à beira do rio e têm uma filha, Kate. O amor do casal é simples, mas profundo: mesmo quando Robert passa longos períodos longe, trabalhando como lenhador, sua família é o centro de sua existência.

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Robert sonhava em deixar seu trabalho para viver mais tempo com a família.

O sonho de Robert é deixar para trás a vida de lenhador e na construção de ferrovias, visando passar mais tempo com sua família. No entanto, tudo muda quando um incêndio florestal destrói a região. Ao retornar do seu último trabalho, Robert encontra apenas cinzas no local em que ficava sua casa. 

O lenhador passa meses em busca de sua família, mas o corpo de Gladys e Kate nunca é encontrado. A ausência se transforma em um luto suspenso — sem confirmação, sem despedida, sem fechamento. Com esse peso, ele busca continuar vivendo a sua vida, sempre com um buraco deixado pela ausência de seus entes queridos.

O que aconteceu com Gladys e Kate?

O filme nunca mostra, explicitamente, a morte das duas. Robert entra na área devastada, procura sinais de vida e não encontra nada. Em certo momento, até vemos o personagem imaginando o que poderia ter acontecido, mas o longa nunca traz uma clareza sobre o assunto, e isso é proposital.

Essa escolha narrativa é fundamental, pois estabelece que o luto dele não é apenas pela perda, mas pela dúvida. Sem corpos, sem testemunhas, resta a esperança — por mais irracional que seja.

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A dúvida de Robert sobre a morte da esposa e da filha é proposital.

E é essa esperança que o impede de abandonar a cabana reconstruída no mesmo lugar da tragédia. Com o passar do tempo, o local é reerguido, de um pequeno abrigo até uma casa similar à antiga, mas sem a presença da esposa e da filha.

Ao mesmo tempo, a natureza ao redor renasce. A floresta que queimou começa a se regenerar, mostrando que o mundo consegue seguir em frente. Aqui, o filme mostra um grande contraste entre a natureza do mundo e a natureza humana, usando Robert como exemplo: enquanto a Terra segue seu ciclo natural de destruição e renovação, Robert permanece preso no momento da perda.

Enquanto o filme se passa no século 20, no interior dos Estados Unidos, a premissa de luto pode gerar identificação com os tempos atuais. O incêndio que devastou a vida de Robert pode ser visto como uma metáfora real para muitos acontecimentos da vida contemporânea, desde um acidente de carro até a pandemia da covid-19. 

Afinal, enquanto o mundo segue girando e evoluindo, quem sofreu com grandes traumas e perdas ainda pode guardar a dor dentro de si, de maneira silenciosa, mas latente. 

Quem é a “menina-lobo”? Ela é Kate?

A esperança de reencontrar a família nunca deixa Robert, e isso fica evidente em uma das cenas na parte final do filme. Anos depois, já idoso e isolado, Robert recebe a visita de uma jovem selvagem, ferida, que se move como um animal. Ele acredita que seja Kate, que teria sobrevivido ao incêndio e crescido na floresta.

O narrador deixa claro que ele sabe que isso é impossível. Ainda assim, ele cuida da menina, imobiliza sua perna machucada e passa a noite ao seu lado, em uma cadeira. Pela manhã, , no entanto, ela desaparece.

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A identidade da menina salva por Robert nunca é revelada, e isso é proposital.

A identidade da garota nunca é confirmada, mesmo com Robert repetindo o nome Kate inúmeras vezes. O filme também deixa no ar que a garota pode nem ser mesmo real: pode ser uma alucinação causada pela febre, uma criança perdida, ou apenas a materialização do desejo de Robert de ser pai novamente, nem que seja por uma noite.

E é justamente isso que importa: ao cuidar da menina, ele finalmente vive o gesto que lhe foi roubado pelo incêndio — salvar sua filha. O filme sugere que essa experiência funciona como um ritual de encerramento do luto, com o restante do longa-metragem mostrando que o personagem pode seguir em frente, mesmo com os fantasmas do passado.

Quem foi Fu Sheng e por que ele aparece?

Falando em fantasmas, um elemento que assombra Robert é Fu Sheng, o trabalhador chinês que ele viu ser assassinado por colegas racistas durante a construção da ferrovia. Robert não impediu o ocorrido, o que fez com que ele carregasse uma grande culpa durante a vida, e um medo de que o universo lhe cobrasse por isso.

As aparições de Fu Sheng ao longo do filme simbolizam a culpa e omissão de Robert. O personagem representa não só um trauma pessoal, mas também uma dívida histórica: os imigrantes chineses ajudaram a construir as ferrovias estadunidenses, mas foram apagados da narrativa oficial.

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Colega de trabalho morto “assombra” Robert durante sua vida. 

Assim, Fu Sheng se torna uma presença constante na memória de Robert — uma lembrança de que sua vida, embora simples, também esteve ligada à violência e à injustiça. O personagem é mais uma representação das centenas de trabalhadores que fazem parte da história, mas não esquecidos enquanto o mundo gira.

O significado da cena da televisão e a frase “Somos nós”?

Já nos anos 1960, carregando o peso da idade, Robert caminha pela cidade de Spokane e vê, pela vitrine de uma loja, imagens do astronauta John Glenn orbitando a Terra. Confuso, ele pergunta a uma mulher que está passando sobre o assunto. “Somos nós”, responde ela, quando uma imagem do planeta aparece na televisão. 

Esse é um dos momentos mais simbólicos do filme. Robert nasceu em um mundo de cavalos e lampiões, trabalhando para expandir trilhos que encurtaram distâncias. Neste momento, ele vê a humanidade deixando o próprio planeta. O salto tecnológico é vertiginoso.

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Os espectadores acompanham a evolução do mundo sob a perspectiva da vida de Robert.

A frase “Somos nós” conecta o homem isolado, que viveu na beira do rio, ao coletivo. Mesmo sendo um eremita, mesmo sentindo-se pequeno, ele sempre fez parte desse movimento maior. As ferrovias que ajudou a construir foram os primeiros passos rumo ao mundo moderno — e, eventualmente, ao espaço.

O que acontece no final de Sonhos de Trem?

Na sequência final, vemos que Robert decide voar em um biplano. Enquanto o avião gira no céu, imagens e sons de sua vida passam por sua mente: Gladys, Kate, os trabalhadores, a floresta. O público tem um vislumbre de toda a vida do personagem que acabou de conhecer, em cerca de 90 minutos de filme.

É um momento de suspensão, literal e simbólica. Ele perde a noção de “cima” e “baixo”, como diz o narrador, e finalmente se sente conectado com o mundo, encontrando um propósito que buscou a vida toda. 

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O filme revela que Robert morreu sozinho, após sua vida simples e ordinária. 

Pouco depois, descobrimos que Robert morreria em novembro de 1968, sozinho em sua cabana, sem herdeiros, em uma cena que mostra seu corpo se fundindo com a natureza que toma a casa. Mas naquele dia de primavera, voando sobre a terra que moldou sua vida, ele finalmente se sentiu conectado a tudo, segundo o narrador.

A cena do avião mostra como pequenas experiências podem ser transformadoras, servindo como um clique para algo grandioso – como assistir a um filme e sair dele pensando sobre a vida, por exemplo. Além disso, a morte silenciosa de Robert é um exemplo de como somos pequenos em relação ao vasto planeta e a vida da natureza que nos cerca. 

O que o final de Sonhos de Trem realmente significa?

Além de ser uma obra emocionante, o filme Sonhos de Trem constrói um conflito silencioso entre Natureza e Progresso. A natureza aparece no incêndio, na regeneração da floresta e nos animais, desde um urso até os cães. Já o progresso surge nos trilhos, nas pontes e, por fim, no foguete e no avião.

Assim como nós, Robert está preso entre esses dois mundos. O personagem trabalha para o progresso, mas é marcado pela força indomável da natureza. No fim, o longa sugere que ambos continuam — com ou sem ele. A floresta renasce. A tecnologia avança. E sua vida, aparentemente pequena, foi parte da engrenagem que permitiu esse salto.

Como diz um dos personagens do filme, “a árvore morta é tão importante quanto a viva”. Robert pode não ser lembrado pelos livros de história, mas é parte do solo onde o futuro cresceu e o tempo deixou sua marca.

Com direção de fotografia do brasileiro Adolpho Veloso, Sonhos de Trem fala sobre luto, tempo e pertencimento — e lembra que, mesmo quando nos sentimos isolados, fazemos parte de algo maior. E você, o que achou do longa-metragem?

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