Uma supernova superluminosa que aparece cinco vezes no céu, como se fossem fogos de artifício cósmicos, pode ajudar a medir a taxa de expansão do Universo. O fenômeno foi registrado por astrônomos da Technical University of Munich (TUM), da Ludwig Maximilians University (LMU) e dos institutos Max Planck MPA e MPE, após seis anos de busca por um evento desse tipo. O objeto, localizado a cerca de 10 bilhões de anos-luz, foi identificado em agosto de 2025 após seis anos de busca por sistemas promissores.
A explosão estelar, oficialmente chamada SN 2025wny e apelidada de SN Winny, aparece cinco vezes no céu devido ao fenômeno de lente gravitacional. Duas galáxias em primeiro plano desviam a luz da supernova, criando múltiplas imagens com atrasos diferentes de chegada à Terra. Ao medir esses intervalos, os pesquisadores podem calcular a constante de Hubble, que expressa a velocidade atual de expansão do cosmos.
Supernova superluminosa e cinco imagens no céu
A SN Winny é classificada como uma supernova superluminosa, muito mais brilhante que explosões estelares típicas. Segundo Sherry Suyu, professora associada de Cosmologia Observacional na TUM e pesquisadora do MPA, a probabilidade de encontrar uma supernova superluminosa perfeitamente alinhada com uma lente gravitacional adequada é inferior a uma em um milhão.
“Apelidamos essa supernova de SN Winny, inspirados em sua designação oficial SN 2025wny. É um evento extremamente raro que pode desempenhar um papel fundamental para aprimorar nossa compreensão do cosmos”, afirmou Suyu. Ela explicou que a equipe compilou, ao longo de seis anos, uma lista de lentes gravitacionais promissoras até que, em agosto de 2025, o evento coincidiu exatamente com uma delas.
Para determinar a distribuição de massa das galáxias que atuam como lente — fator essencial para medir com precisão os atrasos temporais — pesquisadores do MPE e da LMU utilizaram o Large Binocular Telescope, no Arizona (EUA). O telescópio conta com dois espelhos de 8,4 metros de diâmetro e um sistema de óptica adaptativa que corrige distorções atmosféricas. O resultado foi a primeira imagem colorida de alta resolução do sistema já publicada.
As observações revelaram duas galáxias centrais e cinco cópias azuladas da supernova, configuração incomum, já que sistemas em escala de galáxia costumam gerar apenas duas ou quatro imagens. A partir dessas posições, Allan Schweinfurth (TUM) e Leon Ecker (LMU) desenvolveram o primeiro modelo de distribuição de massa do sistema.
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Nova abordagem para a constante de Hubble
Atualmente, a constante de Hubble é medida principalmente por dois métodos que produzem resultados conflitantes, situação conhecida como tensão de Hubble. O primeiro é o método local, baseado na chamada escada de distâncias cósmicas, que calcula distâncias galácticas em etapas sucessivas. Pequenos erros de calibração podem se acumular ao longo do processo.
O segundo método analisa a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, resquício do Big Bang, e utiliza modelos do Universo primitivo para estimar a taxa atual de expansão. Embora seja altamente preciso, depende de premissas sobre a evolução cósmica que ainda são debatidas.
Stefan Taubenberger, primeiro autor do estudo de identificação da supernova, afirmou que a medição por meio de uma supernova com lente gravitacional representa uma alternativa direta.
“Diferentemente da escada de distâncias cósmicas, este é um método de etapa única, com menos e completamente diferentes fontes de incertezas sistemáticas”, explicou.
Astrônomos de diferentes países acompanham atualmente a SN Winny com telescópios terrestres e espaciais. Os resultados devem contribuir para esclarecer a divergência entre as medições existentes.
Os estudos foram submetidos à revista Astronomy & Astrophysics. O trabalho liderado por Taubenberger foi aceito para publicação em dezembro de 2025, enquanto o artigo sobre os modelos de lente, assinado por Ecker e Schweinfurth, está disponível no arXiv e aguarda avaliação.
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