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Fórmula E por dentro: o que vi nos bastidores da Jaguar TCS Racing

by Fesouza
6 minutes read

A 12ª temporada da Fórmula E começa daquele jeito que já entrega tudo antes mesmo da primeira largada.

A Fórmula E é o lugar onde tecnologia e performance param de ser discurso e viram cronômetro. Onde decisões de software, estratégia, gestão de energia e leitura humana da corrida fazem tanta diferença quanto o talento ao volante. E, claro, o colunista oriental que vos fala foi entender tudo isso de muito perto, de dentro da equipe TCS Jaguar Racing.

E é exatamente por isso que eu tô empolgado pra te contar tudo o que vem a partir daqui. Regras que parecem simples, mas escondem um verdadeiro xadrez em alta velocidade.

Bastidores mostram como uma equipe funciona muito antes de o carro entrar na pista. Conversas com quem decide, quem constrói e quem pilota. Tecnologia sendo desenvolvida no limite e, aos poucos, escorrendo para os carros que a gente vai ver nas ruas. Se você acha que Fórmula E é só “corrida de carro elétrico”, fica comigo — porque a história é muito maior, mais profunda e mais interessante do que você imagina.

E olha só: a temporada já começou, e foi aqui no Brasil, em São Paulo, no dia 6 de dezembro. Uma cidade que conversa diretamente com o que a Fórmula E acredita e defende. Uma metrópole movida majoritariamente por energia renovável, com forte presença de hidrelétrica e bioenergia. E vale destacar: este é o maior e mais ousado calendário da história da categoria, com 17 corridas, cruzando cidades icônicas e circuitos de última geração ao redor do mundo.

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Fonte: Marcio Hanashiro

As regras da Fórmula E sem complicar, tudo bem mastigadinho

No automobilismo, regra é lei. Mas calma: na Fórmula E dá pra entender rapidinho e já assistir a corrida com outro olhar.

A temporada vale dois campeonatos ao mesmo tempo:

  • Pilotos: ganha quem somar mais pontos ao longo do ano.
  • Equipes: vale a soma dos pontos dos dois pilotos do time.
    Ou seja, não adianta um carro ir bem e o outro não — constância é tudo.

Sistema de pontos

Os 10 primeiros pontuam, no padrão FIA:

  • 1º (25), 2º (18), 3º (15), 4º (12), 5º (10), 6º (8), 7º (6), 8º (4), 9º (2), 10º (1).

Tem bônus pra apimentar:

  • Pole Position: +3 pontos.
  • Volta mais rápida: +1 ponto, mas só se terminar no top 10.

Como funciona o fim de semana

Treinos:

  • São dois treinos livres de 30 minutos (sexta e sábado). Em rodada dupla, o segundo dia tem apenas um treino. Não vale o resultado, serve para acertar o carro;
  • Detalhe importante: ao longo da temporada, cada equipe precisa colocar pilotos novatos em pelo menos dois treinos;
  • Potência nos treinos: 350 kW.

Classificação (qualificação)

  • Os pilotos são divididos em dois grupos, andam 10 minutos a 300 kW;
  • Os quatro mais rápidos de cada grupo avançam para os duelos (mata-mata);
  • Nos duelos, a potência sobe para 350 kW;
  • Quem vence leva a Pole Position.

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A corrida (E-Prix)

A largada é parada. A corrida tem número definido de voltas, mas pode ganhar voltas extras por Safety Car ou bandeira amarela. Aqui entram os grandes diferenciais da Fórmula E.

Attack Mode

  • O piloto sai da linha ideal, ativa uma zona específica da pista e ganha potência extra (de 300 kW para 350 kW) por um tempo limitado;
  • É um risco calculado: você perde tempo agora para ganhar vantagem depois.

Pit Boost

  • Durante a corrida, todos os pilotos precisam fazer uma parada obrigatória para ganhar 10% de energia extra em apenas 30 segundos, com um impulso de 600 kW;
  • Só que cada equipe tem apenas um equipamento, então não dá pra parar os dois carros ao mesmo tempo. Estratégia pura;
  • O Pit Boost só pode ser usado com a bateria entre 40% e 60%.

Pneus e carregamento

  • Todos usam o mesmo pneu, de 18 polegadas, para seco e molhado;
  • Existe limite de pneus novos por fim de semana;
  • E um ponto-chave: não pode recarregar o carro durante a classificação nem a corrida. Só entre sessões e nos treinos.

O gatilho que me conectou a essa modalidade

Agora vamos falar sobre o gatilho que me conectou a essa modalidade e que, com certeza, vai pegar em cheio em quem é apaixonado por tecnologia. E o que me conquistou ali não foi só a velocidade. Foi enxergar o mercado, a tecnologia e a forma como as coisas são construídas a quatro mãos, com empresa de tecnologia e equipe de corrida resolvendo problemas reais sob pressão real. E quando eu falo em ‘quatro mãos’, não estou falando de investimento, patrocínio ou algo do tipo. Estou falando de criar tecnologia, de novas formas de olhar e testar informações em tempo real, construindo literalmente soluções que inovem a rotina do time e o próprio carro.

Ao visitar a Jaguar TCS Racing, foi exatamente isso que eu vi, só que com uma camada extra: aqui, tudo é elétrico, e o que está sendo desenvolvido é, literalmente, a ponta da cadeia alimentar da tecnologia que, em breve, vai descer para os carros de rua.

Eu conversei com três pessoas que, juntas, fecham o triângulo perfeito dessa história: François Dossa (diretor executivo da TCS na América Latina), Ian James (chefe da equipe Jaguar TCS Racing) e Mitch Evans (piloto da Jaguar TCS Racing). Cada um me deu uma peça do quebra-cabeça.

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Francois Dossa e o motivo pelo qual isso não é “só patrocínio”

Quem conduziu a conversa na Jaguar TCS Racing foi François Dossa, e a primeira coisa que ele deixa muito clara é: aqui não existe “logo no carro” como objetivo final.

François contextualiza a própria trajetória: francês naturalizado brasileiro, descendente de indianos, com cerca de cinco anos no Grupo Tata e mais de três anos na Jaguar. Essa passagem importa porque ele participou diretamente da decisão de colocar a TCS dentro da Fórmula E. E, segundo ele, desde o começo estava claro que não seria um patrocínio tradicional.

A TCS entrou como parceira tecnológica, com um objetivo direto: ajudar a construir o melhor carro do campeonato. Isso significa engenheiros, cientistas de dados e especialistas em software trabalhando lado a lado com a Jaguar de forma contínua, corrida após corrida.

A Fórmula E, pra ele, é um laboratório extremo: tudo acontece sob pressão, com margem mínima de erro, e a tecnologia precisa funcionar em tempo real. O resultado aparece na hora. Não existe “vamos ajustar na próxima apresentação”. É por isso que esse ambiente é tão valioso para desenvolver soluções que depois podem migrar para outros contextos.

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