Um artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista Nature revela que o dinossauro mais estranho do mundo era ainda mais bizarro do que os cientistas imaginavam. Spicomellus afer, um anquilossauro do Jurássico Médio, tinha uma combinação de características nunca vista em qualquer outro vertebrado.
De acordo com o estudo, o animal ostentava uma arma na cauda pelo menos 30 milhões de anos antes de qualquer outro anquilossauro. Além disso, tinha um colar ósseo único ao redor do pescoço, com espinhos de até um metro de comprimento projetados para os lados – estruturas que o destacavam entre os dinossauros.
Em resumo:
- O dinossauro Spicomellus afer era um anquilossauro estranho e único;
- Tinha cauda armada e colar ósseo com espinhos;
- Viveu há 165 milhões de anos no Marrocos;
- Espinhos fundidos às costelas formavam armadura complexa;
- Estruturas serviam para atrair parceiros e intimidar rivais;
- Descoberta muda visão sobre evolução dos anquilossauros.
Essa espécie viveu há mais de 165 milhões de anos, na região que hoje corresponde a Boulemane, no Marrocos. Trata-se do anquilossauro mais antigo conhecido e o primeiro descoberto no continente africano. A nova pesquisa confirma a descrição inicial feita em 2021, que se baseava apenas em uma costela.
Combinação de armaduras não existe em qualquer outro animal da história
Os fósseis recém-descobertos mostram que os espinhos ósseos de Spicomellus eram fundidos às costelas e emergiam de um colar que envolvia o pescoço. Alguns espinhos tinham 87 centímetros de comprimento, e os cientistas acreditam que poderiam ter sido ainda maiores em vida. Nenhum outro animal, vivo ou extinto, apresenta essa combinação de armaduras.
A líder da pesquisa, Susannah Maidment, paleontóloga do Museu de História Natural de Londres e professora honorária da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, destacou em um comunicado a importância da descoberta: “Encontrar uma armadura tão elaborada em um anquilossauro primitivo muda nossa compreensão sobre a evolução desses dinossauros. Mostra também o valor de estudar fósseis africanos, que ainda têm muito a revelar.”
Além do pescoço, Spicomellus tinha espinhos longos sobre os quadris e lâminas ósseas no ombro, compondo uma armadura complexa. “Nunca vimos nada parecido em outro animal”, afirma a pesquisadora. Curiosamente, espécies posteriores de anquilossauros não herdaram essas estruturas, usando armaduras mais simples e voltadas principalmente para defesa.
Richard Butler, também paleontólogo de Birmingham, coautor do estudo, disse que estudar os fósseis foi arrepiante. “Spicomellus é completamente diferente de qualquer outro dinossauro conhecido. Isso nos faz repensar o que sabíamos sobre a evolução dos anquilossauros e mostra que ainda há muito a descobrir.”
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Fósseis ajudam a entender evolução e localização dos dinossauros
Os cientistas acreditam que os espinhos e placas de Spicomellus serviam para atrair parceiros e intimidar rivais. À medida que predadores maiores surgiram no Cretáceo, a armadura dos anquilossauros evoluiu para se tornar mais defensiva, simplificando sua aparência em relação a espécies antigas como Spicomellus.
Embora a ponta não tenha sido encontrada, ossos preservados indicam a presença de uma clava, semelhante às de anquilossauros do Cretáceo, vivendo milhões de anos depois. Isso sugere que algumas adaptações fundamentais do grupo já existiam desde cedo.
A descoberta reforça a importância do registro fóssil para entender a evolução e a distribuição geográfica dos dinossauros. Ela também mostra como espécies antigas podem apresentar comportamentos e estruturas surpreendentes, despertando curiosidade sobre a diversidade da vida no passado.
Os fósseis de Spicomellus foram preparados na Faculdade de Ciências Dhar El Mahraz, em Fez, no Marrocos, com equipamentos fornecidos pela Universidade de Birmingham. Eles agora estão catalogados e armazenados para futuras pesquisas.
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