Futuro da internet está mudando – e a culpa é da IA

A popularização da inteligência artificial tem potencial para mudar profundamente a forma como as redes móveis são utilizadas, colocando o upload de dados no centro das atenções – algo que, até agora, sempre foi secundário em relação ao download.

Atualmente, a maior parte do uso de smartphones está concentrada em consumir conteúdo: navegar na internet, assistir a vídeos e acessar redes sociais. Esse padrão privilegia redes desenhadas para baixar grandes volumes de dados.

No entanto, aplicações de IA começam a inverter essa lógica. Ferramentas capazes de analisar fotos enviadas pelos usuários, além de óculos inteligentes que prometem transmitir imagens em tempo real para sistemas de IA, apontam para um cenário em que os dispositivos precisarão enviar muito mais dados para a rede. E as operadoras terão que se adaptar.

Relatório da Ookla Speedteste Intelligence apresentou um novo panorama da conectividade em tempos de IA (Imagem: iStockPhoto)

IA vai mudar demanda pela rede

Esse possível futuro levanta dúvidas sobre o preparo das operadoras móveis. Dados do Ookla Speedtest Intelligence mostram que, entre 17 grandes operadoras analisadas globalmente, as empresas chinesas são as que destinam a maior parcela da capacidade de rede ao uplink, enquanto as operadoras dos Estados Unidos aparecem na outra ponta, com a menor proporção.

Mesmo com o aumento global das velocidades de upload entre 2021 e 2025 – impulsionado por mais espectro e avanços tecnológicos do 5G – a fatia da capacidade dedicada ao envio de dados permaneceu estável ou até diminuiu em alguns mercados.

Nos EUA, testes de campo da RootMetrics indicam que T-Mobile, AT&T e Verizon destinaram cerca de 20% dos “slots” de rede TDD (Time Division Duplex) ao uplink no segundo semestre de 2025. O TDD, amplamente adotado no 5G de banda média, permite alternar rapidamente entre upload e download, mas a maioria das operadoras opta por configurações estáticas para evitar instabilidade e interferências.

A preocupação cresce porque aplicações baseadas em IA podem gerar novos padrões de tráfego. Óculos inteligentes já conseguem fornecer análises contextuais do que o usuário vê, e soluções semelhantes sugerem um futuro no qual transmissões contínuas de vídeo alimentarão sistemas de visão computacional. Isso poderia permitir desde assistência em reparos domésticos até tradução instantânea de placas ou análise nutricional de cardápios – tudo em tempo real.

China está na frente quando o assunto é se adaptar ao potencial da IA (Imagem: Ookla Speedtest Intelligence)

Fabricantes de equipamentos em rede já alertaram para o impacto

  • Para a Ericsson, o tráfego de uplink tende a crescer de forma significativa e pode se tornar um recurso estratégico para as telecomunicações;
  • A Nokia, por sua vez, avalia que a IA altera quando, como e para onde o tráfego flui, aumentando a complexidade das redes;
  • A GSMA, associação global do setor, projeta cenários em que o uplink pode representar até 35% do tráfego móvel total até 2040, caso aplicações de IA avancem rapidamente.
IA também deve mudar demanda pelo 5G (Imagem: Scharfsinn/Shutterstock)

IA vai forçar redes móveis a se adaptar

Ainda assim, há muitas incertezas. Parte do processamento de IA pode acontecer diretamente nos dispositivos, reduzindo a dependência da nuvem. Questões como latência, compressão de vídeo, evolução do 5G-Advanced e o papel de conexões Wi-Fi também influenciam esse futuro. Por enquanto, os dados mostram uma tendência clara: embora o upload esteja mais rápido, o download continua dominando os investimentos das operadoras.

Especialistas avaliam, porém, que esse equilíbrio pode mudar. Se a IA realmente passar a “ver” e “ouvir” pelo usuário, as redes móveis precisarão se adaptar a um mundo em que enviar dados será tão importante quanto recebê-los.

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