Uma campanha de phishing em larga escala está se passando pelo Sistema Judicial Federal brasileiro para extorquir dinheiro de cidadãos através do PIX. A operação combina mensagens SMS fraudulentas, um banco de dados massivo de CPFs vazados e uma infraestrutura técnica internacional para criar um golpe extremamente convincente.
O ataque começa com mensagens SMS que alertam sobre irregularidades no CPF da vítima, ameaçando bloqueio de bens e contas bancárias. Os links levam a sites falsos como “pagamento-seguro.pro” que imitam páginas oficiais do Poder Judiciário.
Banco de dados vazado valida o golpe
A sofisticação real da operação está no uso de dados roubados. Quando a vítima insere seu CPF no site fraudulento, o sistema consulta automaticamente um banco de dados hospedado em Nova Jersey (EUA). Essa API retorna nome completo e data de nascimento reais da pessoa.
Ao ver seus próprios dados corretos na tela, a vítima acredita na legitimidade da cobrança. O site então exibe um número de processo judicial falso (0042074-92.2024.8.26.0000) e uma multa específica de R$ 846,23, acompanhada de um temporizador de 10 minutos para criar urgência artificial.
Infraestrutura de pagamento rotativa
Os criminosos implementaram um sistema de rotação entre dois processadores de pagamento PIX. O FusionPay (api.fusionpay.com.br) direciona pagamentos para “PAGNACIONALLTDA” em Brasília, enquanto o FusionPayBR/7Trust (api.fusionpaybr.com.br) usa “HICONEX_TECNOLOGIA_E_PAGA” em Goiânia.
A rotação entre processadores serve para distribuir riscos e dificultar o rastreamento. Caso uma conta seja bloqueada, a outra continua operando normalmente.
Erro operacional expõe a fraude
Os operadores deixaram logs do servidor publicamente acessíveis. Isso permitiu que pesquisadores identificassem vítimas sendo processadas em tempo real, além de chaves de API e registros completos de transações.
O domínio principal “pagment-seg.me” foi registrado através da Hostinger com proteção de privacidade, dificultando a identificação dos responsáveis. A infraestrutura internacional e o uso de dados vazados em massa indicam uma operação criminosa bem estruturada.
Carnaval se torna período crítico para fraudes digitais
Especialistas alertam que golpes como este tendem a se intensificar durante o período de Carnaval. Com a população em modo de férias, mais distraída e utilizando redes públicas de Wi-Fi em viagens, os criminosos aproveitam a janela de vulnerabilidade.
A urgência criada pelo temporizador de pagamento se torna ainda mais eficaz quando a vítima está longe de casa, sem acesso fácil a documentos ou pessoas de confiança para consultar. Além disso, o receio de ter contas bloqueadas justo durante o feriado prolongado pressiona muitas pessoas a pagarem sem questionar a legitimidade da cobrança.
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