Golpe do ‘Tribunal de Justiça’ usa CPF vazado para roubar PIX

Uma campanha de phishing em larga escala está se passando pelo Sistema Judicial Federal brasileiro para extorquir dinheiro de cidadãos através do PIX. A operação combina mensagens SMS fraudulentas, um banco de dados massivo de CPFs vazados e uma infraestrutura técnica internacional para criar um golpe extremamente convincente.

O ataque começa com mensagens SMS que alertam sobre irregularidades no CPF da vítima, ameaçando bloqueio de bens e contas bancárias. Os links levam a sites falsos como “pagamento-seguro.pro” que imitam páginas oficiais do Poder Judiciário.

Mensagens de phishing em nome do Tribunal de Justiça levam vítima para site falso do Sistema Judiciário Federal. Imagem: unpack64/X.

Banco de dados vazado valida o golpe

A sofisticação real da operação está no uso de dados roubados. Quando a vítima insere seu CPF no site fraudulento, o sistema consulta automaticamente um banco de dados hospedado em Nova Jersey (EUA). Essa API retorna nome completo e data de nascimento reais da pessoa.

Ao ver seus próprios dados corretos na tela, a vítima acredita na legitimidade da cobrança. O site então exibe um número de processo judicial falso (0042074-92.2024.8.26.0000) e uma multa específica de R$ 846,23, acompanhada de um temporizador de 10 minutos para criar urgência artificial.

Infraestrutura de pagamento rotativa

Os criminosos implementaram um sistema de rotação entre dois processadores de pagamento PIX. O FusionPay (api.fusionpay.com.br) direciona pagamentos para “PAGNACIONALLTDA” em Brasília, enquanto o FusionPayBR/7Trust (api.fusionpaybr.com.br) usa “HICONEX_TECNOLOGIA_E_PAGA” em Goiânia.

A rotação entre processadores serve para distribuir riscos e dificultar o rastreamento. Caso uma conta seja bloqueada, a outra continua operando normalmente.

Erro operacional expõe a fraude

Os operadores deixaram logs do servidor publicamente acessíveis. Isso permitiu que pesquisadores identificassem vítimas sendo processadas em tempo real, além de chaves de API e registros completos de transações.

O domínio principal “pagment-seg.me” foi registrado através da Hostinger com proteção de privacidade, dificultando a identificação dos responsáveis. A infraestrutura internacional e o uso de dados vazados em massa indicam uma operação criminosa bem estruturada.

Carnaval se torna período crítico para fraudes digitais

Especialistas alertam que golpes como este tendem a se intensificar durante o período de Carnaval. Com a população em modo de férias, mais distraída e utilizando redes públicas de Wi-Fi em viagens, os criminosos aproveitam a janela de vulnerabilidade. 

A urgência criada pelo temporizador de pagamento se torna ainda mais eficaz quando a vítima está longe de casa, sem acesso fácil a documentos ou pessoas de confiança para consultar. Além disso, o receio de ter contas bloqueadas justo durante o feriado prolongado pressiona muitas pessoas a pagarem sem questionar a legitimidade da cobrança.

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