Golpe no Caixa Tem: criminosos falsificam número da Caixa para roubar vítimas

Um grupo criminoso está comercializando infraestrutura de telefonia VoIP para aplicar golpes em larga escala contra usuários do Caixa Tem, aplicativo da Caixa Econômica Federal voltado a beneficiários de programas sociais. 

A operação foi identificada por uma investigação de fonte aberta (OSINT) conduzida pelo pesquisador de segurança Clandestine (@akaclandestine).

Serviço é vendido no mercado underground

O produto, chamado de “SIP Caixa Tem”, inclui troncos SIP com spoofing de número, tecnologia que faz a chamada aparecer no celular da vítima como se viesse do 0800 726 0207, número oficial da Caixa. Os pacotes variam de 5 canais por R$ 1.500 a 100 canais por R$ 11.000, com minutos a R$ 0,10 cada.

Por R$ 2.000 adicionais, o comprador tem acesso a um discador automático com até 50 chamadas simultâneas e transcrição de voz em tempo real. O operador lê as respostas da vítima na tela sem precisar ouvi-las.

Esse tipo de operação funciona como um streaming, os criminosos pagam para usar e nem sempre é necessário ter um entendimento avançado do funcionamento da tecnologia.

SIP e vishing: meio e conteúdo

A infraestrutura SIP e o vishing funcionam de forma complementar. “A SIP é o “meio” (troncos VoIP brasileiros com spoofing do número oficial da Caixa + auto-dialer + transcrição em tempo real).

O vishing é o “conteúdo” (o script de engenharia social que convence a vítima a abrir o app Caixa Tem ao vivo e entregar acesso)”, explica Clandestine

Como o golpe funciona

O discador dispara chamadas para bases de dados de beneficiários vazados. Quando a vítima atende, o criminoso informa que a conta está bloqueada ou com problema e pede que ela abra o aplicativo.

O roteiro pode envolver compartilhamento de tela, fornecimento de códigos OTP ou alteração de e-mail, senha e telefone cadastrado. Com o acesso obtido, o saldo é transferido via PIX para contas laranjas.

Tanto ao telefone quanto por chamada de vídeo, os criminosos fingem tentar ajudar a vítima a resolver problemas em suas contas.

Base de dados vazados alimenta o esquema

Os criminosos utilizam números de bancos de dados de beneficiários vazados de pessoas com conta Caixa Tem vinculada a programas sociais. 

“Não é possível apontar um vazamento único e recente como origem dessa campanha específica, pois esses dados circulam há anos no mercado underground a partir de exposições históricas de CadÚnico, INSS e programas assistenciais”, disse o pesquisador.

A escala é industrial

Com 100 canais SIP e 50 threads de discagem simultânea, uma única operação consegue realizar milhares de ligações por dia por operador. 

Não há como mensurar a escala de quantas pessoas podem ser atingidas pela campanha, mas todo o esquema é pensado para enganar o máximo de pessoas possível.

“A infraestrutura foi projetada exatamente para ataques em larga escala. O desenho do serviço deixa claro que o objetivo é volume industrial”, afirmou o pesquisador.

A Caixa Tem é o alvo porque, com dezenas de milhões de beneficiários, datas de crédito previsíveis e dados pessoais amplamente expostos em vazamentos históricos, a chance de ter sucesso no golpe é maior.

Como se proteger

A Caixa nunca solicita senhas, códigos ou autorização de transações por telefone. O número no visor pode ser falsificado — receber uma chamada do 0800 726 0207 não garante que ela é legítima.

Em caso de ligação suspeita, desligue e contate a Caixa você mesmo pelo canal oficial. Denúncias podem ser feitas pelo aplicativo ou pelo 0800 726 0207.

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