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Grok é usado para criar imagens sexualizadas falsas, diz mãe de filho de Musk

by Fesouza
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A escritora e estrategista política Ashley St. Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk, afirma ter sido alvo de imagens sexualizadas falsas criadas a partir de fotos reais com o uso do Grok, ferramenta de inteligência artificial (IA) ligada ao X/Twitter, de Musk. O relato foi publicado pelo The Guardian nesta semana. E colocou a plataforma no centro de uma nova crise sobre consentimento, moderação e responsabilidade no uso de IA.

Segundo St. Clair, o material foi produzido sem autorização e circulou na rede como forma de assédio digital. Ao relatar o episódio, ela diz ter se sentido “horrorizada” e “violada”. E passou a tratar o caso como um exemplo de como ferramentas de IA, quando mal controladas, podem ser usadas para atacar e silenciar mulheres.

‘Fui violada’: usuários usam Grok para gerar imagens sexualizadas falsas de mãe de um dos filhos de Musk

Ashley St. Clair se tornou uma figura pública após revelar, em 2024, que teve um filho com Elon Musk. Desde então, passou a ser alvo de hostilidade online. Segundo ela contou ao Guardian, usuários do X usaram o Grok para manipular imagens reais suas, transformando fotos comuns em material sexualizado, sem qualquer tipo de consentimento.

Ashley St. Clair em evento
Ashley St. Clair se tornou uma figura pública após revelar, em 2024, que teve um filho com Elon Musk (Imagem: Reprodução/Redes sociais)

St. Clair afirma que o episódio ultrapassou o limite do ataque virtual comum e entrou no campo da violação pessoal. “Eu me senti horrorizada e violada”, disse. O que mais a abalou, segundo o relato, foi perceber que o uso da ferramenta não era pontual, mas sistemático, repetido por diferentes perfis.

A gravidade aumentou quando ela percebeu que imagens antigas também estavam sendo usadas, o que ampliou o alcance do abuso. Para St. Clair, o caso se encaixa em práticas conhecidas de assédio digital e revenge porn, nos quais a exposição é usada como forma de intimidação e punição pública.

Ela disse ter denunciado o conteúdo diretamente à plataforma, mas não obteve resposta eficaz de imediato. As imagens só começaram a ser removidas depois que o jornal procurou o X para comentar o caso, o que reforçou, segundo ela, a sensação de desamparo diante da tecnologia.

No fim da reportagem, St. Clair vai além do episódio pessoal e faz uma leitura mais ampla: para ela, o uso do Grok dessa forma funciona como instrumento de silenciamento, afastando mulheres do debate público. A escritora diz considerar medidas legais, amparadas por leis recentes que tratam da manipulação não consensual de imagens.

Após a repercussão, o X se manifestou oficialmente. A empresa afirmou que vai suspender permanentemente contas que usarem o Grok para criar conteúdos ilegais, aplicando as mesmas punições previstas para uploads ilícitos. Entram aqui remoção de material e acionamento de autoridades quando necessário.

Casos semelhantes expõem padrão e pressionam por responsabilização

O relato de St. Clair não é um caso isolado. O The Verge apontou que o Grok passou a permitir a edição de imagens sem notificar as pessoas retratadas, o que abriu caminho para uma onda de manipulações não consensuais. O problema ganhou força após a integração de novas ferramentas de edição diretamente ao X.

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Grok passou a permitir a edição de imagens sem notificar as pessoas retratadas, o que abriu caminho para uma onda de manipulações não consensuais (Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock)

Segundo a apuração, usuários passaram a explorar esses recursos para alterar fotos de mulheres, figuras públicas e até menores de idade, sem barreiras técnicas eficazes. Enquanto concorrentes adotam filtros mais rígidos, o Grok operava com salvaguardas frágeis, facilmente contornáveis.

O Olhar Digital também documentou o problema ao relatar casos em que o Grok Imagine foi usado para gerar imagens falsas de celebridades, apesar de políticas internas que proíbem a representação sexualizada de pessoas reais. O funcionamento de modos voltados a conteúdo “picante” ajudou a ampliar as críticas à ferramenta.

Leia mais:

Além disso, o G1 contou a história de uma jornalista que teve fotos manipuladas após pedidos feitos diretamente ao Grok no X. Ela relatou impacto emocional intenso e registrou boletim de ocorrência. Dados oficiais citados na reportagem mostram que esse tipo de crime cresce rapidamente e atinge majoritariamente mulheres, o que reforça o alerta levantado por St. Clair.

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