Durante a era PS2, era comum encontrar versões alternativas de GTA San Andreas inspiradas em cidades brasileiras sendo vendidas em feiras e camelôs. Anos depois, essa curiosidade ganhou um novo peso histórico: a Rockstar realmente cogitou ambientar a franquia fora dos Estados Unidos — incluindo o Rio de Janeiro. A revelação veio de Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar North.
Em entrevista recente ao GamesHub, Vermeij explicou que, além do Rio, cidades como Tóquio, Moscou e Istambul também chegaram a ser discutidas internamente. “Tivemos ideias para jogos GTA no Rio de Janeiro, Moscou e Istambul. Tóquio quase se tornou realidade”, afirmou o veterano, que trabalhou em GTA III, Vice City, San Andreas e GTA IV.
Segundo ele, embora o Brasil tenha sido apenas uma ideia conceitual, o Japão esteve muito mais próximo de ganhar um capítulo próprio. “Outro estúdio no Japão ia usar nosso código para fazer GTA: Tóquio. Mas no fim, isso não aconteceu”, contou Vermeij, detalhando que o projeto chegou a avançar antes de ser descartado.

GTA Rio de Janeiro não aconteceu, mas GTA Tóquio quase foi uma realidade
Na época, a Rockstar considerava levar Grand Theft Auto para fora dos Estados Unidos, buscando novas ambientações além das cidades americanas satirizadas pela franquia. O objetivo era explorar culturas diferentes sem abrir mão da identidade da série.
Dentro desse plano, Tóquio foi o cenário que mais avançou. De acordo com Vermeij, um estúdio japonês externo trabalharia no projeto usando a base tecnológica da Rockstar. “Tóquio quase se tornou realidade”, reforçou o ex-desenvolvedor.

Já o Rio de Janeiro ficou apenas no campo das ideias, sem nunca entrar em produção formal. Mesmo assim, a cidade brasileira figurava entre os locais considerados pela equipe, ao lado de Moscou e Istambul.
Com o passar dos anos, a própria escala dos jogos tornou esse tipo de mudança mais difícil. Vermeij explicou que o tempo de desenvolvimento atual inviabiliza tantas experimentações. “Não é realista… quando sai um GTA a cada 12 anos, você não vai ambientá-lo em um novo local”, afirmou.
Rockstar não fez, mas o camelô fez — e muito
Enquanto a Rockstar nunca lançou um GTA oficial no Rio, os jogadores brasileiros viveram uma realidade paralela nos tempos do PS2. Nas feiras, versões piratas de GTA San Andreas adaptadas para cidades brasileiras eram comuns.
Esses discos traziam nomes como GTA Rio de Janeiro, GTA Brasil ou variações similares, com mapas, rádios e personagens modificados por fãs. Para muita gente, essa foi a primeira experiência de ver a franquia ambientada no país.

Mesmo sem qualquer ligação oficial com a Rockstar, essas versões ajudaram a criar uma relação cultural forte entre o público brasileiro e a série — especialmente em uma época em que mods ainda eram pouco acessíveis para quem jogava em console.
Espírito brasileiro ainda vive na franquia
Hoje, esse vínculo segue vivo por meio de mods e servidores personalizados. Um dos exemplos mais populares é o GTA Torcidas, que roda sobre GTA San Andreas Multiplayer (SA-MP) e recria o universo das torcidas organizadas dentro do jogo.
O servidor reúne jogadores de dezenas de times e virou fenômeno nas redes sociais. Segundo Foqs, líder do projeto, o ambiente tem regras claras. “Não apoiamos trazer problemas de fora para cá… Não toleramos racismo nem homofobia”, afirmou ao Voxel. A entrevista completa você confere clicando aqui!

Com mais de 20 mil acessos semanais e presença ativa desde 2009, o GTA Torcidas mostra como a comunidade brasileira continua adaptando a franquia ao seu próprio contexto cultural, mesmo sem um GTA oficial ambientado no país.
E você? Lembra das diferentes versões de GTA San Andreas vendidas na feira? Conte para o Voxel nas redes sociais quais delas marcaram a sua época!
