Uma hacktivista que utiliza o pseudônimo “Martha Root” descobriu uma rede que operava para criar um ecossistema de relacionamentos apenas para pessoas brancas e com a ideologia do supremacismo racial. Chamada de WhiteDate (encontro branco, em tradução livre), a plataforma vem sendo comparada com o Tinder e foi deletada pela hacker enquanto estava vestida de Power Rangers.
As plataformas faziam parte de uma rede operada por uma empresa sediada em Paris chamada Horn & Partners. O grande carro-chefe que alimentava essa rede era o WhiteDate, ou seja, um tipo de sistema que buscava conectar pessoas para relacionamentos românticos focados nos “Europids”, uma expressão para europeus brancos.
Fora esse Tinder bem alternativo, havia também o WhiteChild, que estava focado em uma pegada ancestral para incentivar a geração de famílias puramente brancas. Para quem sentiu falta de uma rede profissional, o WhiteDeal se firmou como um braço especializado para networking entre funcionários e gerentes com a mesma visão de mundo.
Vestida de Power Rangers rosa e ao vivo durante o evento Chaos Communication Congress na Alemanha, Martha Roots deletou ao vivo os servidores do WhiteDate e outros dois websites ligados ao supremacismo, enquanto tudo era transmitido em uma livestream.
‼️A German hacker known as “Martha Root” dressed as a pink Power Ranger and deleted a white supremacist dating website live onstage
This happened during the recent CCC conference.
Martha had infiltrated the site, ran her own AI chatbot to extract as much information from users… pic.twitter.com/vpTEoFR8JR
— International Cyber Digest (@IntCyberDigest) January 2, 2026
8.000 perfis foram vazados
Para encontrar essa plataforma supremacista, a hacktivista Martha Root precisou recorrer apenas à engenharia social e IA. A pesquisadora utilizou um modelo de linguagem chamado de Ollama para criar perfis femininos falsos, e precisou apenas passar por alguns “testes de pureza” para se juntar ao grupo.
Após encontrar o grupo, Root criou o website iokstupid.lol para identificar os usuários em um mapa, onde expôs mais de 8.000 perfis vazados da plataforma. Dados como nome de usuário, localização, idade, histórico de atividades, religião, tipo de vida, estado civil, etc, estão entre os conteúdos encontrados.

“Imagine se autodenominarem ‘raça superior’, mas se esquecer de proteger o próprio site – talvez seja melhor aprenderem a hospedar WordPress antes de dominarem o mundo”, ironiza Martha Roots.
O conteúdo completo exfiltrado pela hacktivista não está totalmente disponível, como emails e mensagens, mas foi enviado para pesquisadores e jornalistas do Distributed Denial of Secrets (DDoSecrets), um site sem fins lucrativos para denúncias.
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