Um dos principais filmes indicados ao Oscar, Hamnet, conta uma história devastadora sobre luto. O longa acompanha os personagens Agnes e William Shakespeare, quando o autor estava no auge da carreira como escritor na Inglaterra, e o trauma de ter perdido um de seus filhos gêmeos, Hamnet, ainda criança.
O filme, então, divide seu tempo entre os momentos mais felizes da família, a conexão de Agnes com a natureza e a paixão de William pela dramaturgia e a dor desesperadora de uma perda terrível. Por ser uma produção inteiramente emocional, talvez não tenha ficado claro para algumas pessoas o motivo de Hamnet ter acabado como acabou.
Mas para te ajudar a solucionar essa dúvida, o Minha Série trouxe um breve contexto do filme Hamnet, além de uma explicação sobre o seu fechamento. Se você ainda não assistiu, cuidado com os spoilers!
- Hamnet retrata o luto de Agnes e William Shakespeare após a morte do filho;
- A história alterna memórias felizes e a dor da perda;
- A peça Hamlet vira a forma de William se despedir e lidar com a culpa;
- Agnes entende o gesto ao ver o filho simbolizado no palco;
- A arte eterniza Hamnet e ajuda o casal a aceitar o luto.
O que significa a apresentação final de Hamnet? Por que é tão importante?
Os momentos finais do filme, sem dúvidas, são os mais impactantes de toda a trama. Nele, vemos uma oportunidade definitiva de Agnes e William enfrentarem a perda do filho, com a trama mostrando como cada um dos envolvidos lida com a tragédia de forma diferente.
Agnes, por exemplo, fica extremamente furiosa com o marido, mas não por culpá-lo de alguma forma, mas porque ele estava afastado da família por motivos de trabalho e não estava ao seu lado quando o filho morreu. William, por sua vez, sentiu toda essa culpa, e como uma forma de se despedir do filho e imortalizá-lo, usou a arte para escrever a peça Hamlet.
No início da peça, Agnes fica furiosa com o que está vendo, mas ao observar o ator que faz Hamlet, logo percebe a semelhança com seu filho e fica sem palavras. E é assim que ela entende que Wlliam está usando todo o seu talento e habilidade narrativa para lidar com o sentimento de culpa e luto. Em uma cena emocionante, o próprio dramaturgo sobe no palco como o fantasma do pai de Hamlet, encenando um momento de despedida que não conseguiu ter.
Todo o público se emociona com Agnes, e William finalmente desaba nos bastidores. Quando tudo termina, uma troca de olhares dá a entender que eles aceitaram o que aconteceu para poder seguir em frente, e que Hamnet nunca será esquecido.
O filme é sobrenatural?
Poucos imaginavam que o longa teria alguns aspectos sobrenaturais. Agnes é frequentemente acusada na aldeia em que mora de ser uma bruxa, mas de fato a sua conexão com a natureza é algo mágico, que se manifesta na sua capacidade de prever o futuro ao segurar a mão das pessoas. Além disso, ela já recebeu mensagens em sonhos, sendo uma delas a indicação de que ela teria dois filhos antes de morrer.
Agnes e William tiveram três filhos: uma menina e um casal de gêmeos. Com a morte de Hamnet, então, ela de fato ficou com apenas dois filhos vivos. Outra previsão também reforçada no filme é de que William teria um futuro impactante com a sua escrita.
Mas além de Agnes, Hamnet também parece ter herdado seu dom sobrenatural. Isso é visto quando quem estava quase morrendo da doença era a irmã, mas ele reza para que a morte o leve no lugar dela, e o pedido é aceito. O longa não se aprofunda em explicações, mas usa a espiritualidade para abordar a morte de forma mais tocante.
Por fim, Hamnet mostra a criança sendo imortalizada através da arte, que também é usada para enfrentar os momentos mais difíceis da vida, como o luto.