Hospitais negam acordo para oferecer ‘canetas’ de Wegovy no SUS

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) negaram a existência de um acordo formal com a Novo Nordisk para a distribuição do Wegovy (semaglutida) no Sistema Único de Saúde (SUS), informou o G1 nesta sexta-feira (13). 

A divergência surgiu após a fabricante citar as unidades como parceiras de um projeto piloto para tratar a obesidade grave no SUS. Atualmente, a rede pública de saúde não oferece esse tipo de fármaco.

Custos e burocracia travam a chegada do Wegovy ao SUS

A entrada de novos medicamentos no estoque não ocorre por parcerias diretas, mas via licitação (espécie de competição pública para compras do governo), informaram as unidades de saúde de Porto Alegre (RS) e do Rio de Janeiro (RJ). 

O GHC disse não possuir programa formalizado com a farmacêutica. E o IEDE reforçou que a aquisição das “canetas” exige o cumprimento de processos administrativos.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde informou que já existe um processo licitatório em andamento pela Fundação Saúde para a compra do fármaco. 

Diante das negativas, a Novo Nordisk admitiu ao G1 que, no momento, existem apenas “tratativas”, termo usado para negociações que não foram oficializadas em contrato.

O vínculo atual entre a empresa e o IEDE resume-se a um termo de cooperação para logística reversa. Esse acordo trata exclusivamente do descarte e reciclagem das embalagens e dispositivos usados, sem qualquer relação com o fornecimento do princípio ativo. 

A farmacêutica vê a nova proposta como uma evolução dessa parceria, mas as instituições públicas demandam formalizações complementares.

Porém, o maior obstáculo para a oferta em larga escala é o preço. Em 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou a não incorporação da semaglutida devido ao impacto financeiro (estimado pelo Ministério da Saúde em até R$ 6 bilhões ao longo de cinco anos).

Além disso, a Novo Nordisk reiterou que seu programa global não prevê a doação de medicamentos. E que qualquer fornecimento seguirá as leis de compras governamentais. 

O projeto piloto foca na capacitação técnica e na geração de dados sobre o impacto socioeconômico da obesidade. A ideia é provar que o investimento no tratamento pode reduzir gastos futuros do Estado com complicações da doença.

O post Hospitais negam acordo para oferecer ‘canetas’ de Wegovy no SUS apareceu primeiro em Olhar Digital.

Related posts

Clair Obscur vence Jogo do ano no GDC Awards! Veja lista de vencedores

Google corrige duas falhas de dia zero no Chrome exploradas por hackers

O que aconteceu com Faith Fraser? Temporada 8 de Outlander traz respostas