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IA, big techs e a tensão com Trump: os destaques do Fórum Econômico Mundial

by Fesouza
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O Fórum Econômico Mundial de Davos chegou ao seu terceiro dia nesta quarta-feira (21). O evento é uma forma de governos, empresas e lideranças da sociedade civil se reunirem para discutir assuntos urgentes e buscar soluções em conjunto… mas parece que isso está mudando.

Peter S Goodman, repórter do The New York Times que esteve presente no fórum, relatou que, neste ano, o clima está diferente. Entre filas, festas patrocinadas por gigantes da tecnologia e debates políticos ficando em segundo plano, o evento revelou um retrato claro de suas prioridades atuais: a inteligência artificial e as oportunidades de negócios no centro do palco, enquanto temas sociais e humanitários ficam às margens.

Três pessoas conversando na parte de fora do Fórum Econômico Mundial realizado em Davos em 2025
Fórum começou na segunda e vai até sexta-feira (Imagem: Ciaran McCrickard/Fórum Econômico Mundial)

IA e tecnologia dominam as ruas de Davos

Na noite de segunda-feira, uma fila com dezenas de pessoas se formava diante da AI House, uma organização sem fins lucrativos criada para promover diálogo e colaboração sobre o futuro da inteligência artificial. Poucos metros adiante, uma multidão ainda maior tentava entrar em um evento sobre IA e cibersegurança promovido pela Axios.

O clima era de euforia. Participantes trocavam dicas sobre convites para eventos exclusivos, tiravam selfies e circulavam entre lounges iluminados por néon, financiados por empresas de tecnologia, criptomoedas e inteligência artificial.

Enquanto isso, iniciativas com foco social passavam quase despercebidas. Um espaço da Aliança para o Bem Global — Equidade e Igualdade de Gênero, lançada pelo governo da Índia para fortalecer saúde e educação feminina, estava praticamente vazio.

Segundo a reportagem, a cena simbolizou o que o evento se tornou. Discussões sobre mudanças climáticas, refugiados ou o futuro da saúde até existiam, mas estavam restritas a salas menores e menos concorridas. O protagonismo era dos grandes grupos empresariais e da expectativa de lucros ligados à nova onda tecnológica.

donald trump
Presença de Trump foi alvo de grandes expectativas, principalmente diante das ameaças de ocupar a Groenlândia (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock)

Presença de Trump

A 56ª edição do fórum reuniu cerca de 3.000 participantes de 130 países, a maior presença já registrada no Fórum Econômico. A grande expectativa era com a chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para esta quarta-feira (21), que forçou o aumento na segurança e na circulação nas ruas de Davos.

Conforme relatado por Goodman, o clima político era sensível. Isso porque Trump adentraria um ambiente historicamente associado ao multilateralismo europeu em meio a declarações polêmicas, como a ameaça de reivindicar a Groenlândia (que pertence à Dinamarca).

Segundo o repórter, as autoridades europeias não esconderam o desconforto. Na terça-feira, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou esperar uma resposta firme da Europa diante da pressão norte-americana. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que a resposta europeia ao caso da Groenlândia será “inabalável, unida e proporcional”.

Em encontros paralelos, diplomatas e ativistas europeus debateram o impacto da volta de Trump ao centro da política global. Houve críticas à postura dos EUA em relação à Ucrânia, vista por parlamentares europeus como algo orientado puramente por interesses econômicos.

Fórum Econômico Mundial Davos
Para repórter, Davos virou uma grande vitrine de negócios, em vez de um fórum para assuntos de urgência (Imagem: Drop of Light/Shutterstock)

Big techs em destaque

Apesar das tensões políticas, o que mais chamava atenção eram os espaços físicos ocupados pelas big techs. As principais lojas da avenida central foram transformadas em espaços dedicados a empresas como Meta, Salesforce, Tata e grandes consultorias globais.

Um dos pontos mais disputados era a USA House, patrocinada pela McKinsey e Microsoft. O espaço destacava temas ligados à liderança americana, inovação e valores democráticos. Logo a frente, vinha o prédio da Palantir, empresa associada a projetos de vigilância do governo dos EUA.

E enquanto parte da Europa discutia como reagir a Trump, executivos do setor de tecnologia pareciam enxergá-lo sob outra ótica. A expectativa de um encontro do presidente americano com CEOs na quarta-feira gerava curiosidade e otimismo entre líderes empresariais. Segundo Daniel Newman, a maioria deles está focada em criar valor para acionistas e vê com bons olhos a promessa de desregulamentação e redução de burocracia.

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Já temas como diversidade, equidade e sustentabilidade, antes recorrentes nos discursos corporativos em Davos, perderam espaço.

Para Goodman, o cenário observado no Fórum Econômico Mundial reforça uma percepção antiga, agora mais explícita: Davos se consolida cada vez mais como uma grande vitrine de negócios, com a inteligência artificial no centro das atenções. Debates sobre valores, direitos humanos e cooperação internacional continuam existindo, mas já não definem o tom do evento.

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