IA identifica pegadas de dinossauros e revela acidentalmente pistas sobre aves

Um estudo publicado na revista PNAS mostra que a inteligência artificial (IA) está transformando a forma como cientistas analisam pegadas de dinossauros. Essas marcas antigas revelam informações importantes sobre esses animais, mas são complexas e difíceis de interpretar.

Cada pegada não é só um “buraco no solo”. Ela registra peso, deslizamento dos dedos e deformações da lama. Com o tempo, erosão e compactação alteram o formato original, tornando a identificação um desafio para os paleontólogos.

Para superar esse desafio, pesquisadores desenvolveram o DinoTracker, um aplicativo que permite enviar fotos ou esboços de pegadas. O sistema fornece uma análise sobre qual dinossauro provavelmente deixou cada marca, ajudando a transformar interpretações subjetivas em dados consistentes.

Uma representação artística de uma rede neuronal a analisar os contornos de uma pegada de dinossauro. Crédito: Tone Blakesley

O problema é que as pegadas não se fossilizam de maneira uniforme. Dois animais com pés iguais podem deixar rastros diferentes, dependendo do solo, da umidade, da velocidade e do peso – e essas variações confundem até os especialistas mais experientes.

Após treinar a IA, o DinoTracker foi testado com pegadas fósseis conhecidas. O resultado mostrou cerca de 90% de concordância com análises humanas, inclusive em casos controversos. Embora não ofereça certezas absolutas, funciona como uma segunda opinião confiável.

Fósseis mostram semelhança com aves

Uma descoberta inesperada envolveu pegadas com mais de 200 milhões de anos que lembram marcas de aves. Isso sugere duas possibilidades: aves podem ter surgido antes do que se pensava, ou alguns dinossauros primitivos tinham pés muito parecidos com os das aves modernas.

O sistema também reexaminou pegadas antigas na Ilha de Skye, Escócia, feitas há 170 milhões de anos. Antes difíceis de identificar, agora a IA indica que podem ter sido deixadas por parentes antigos dos dinossauros bico-de-pato. Se confirmado, isso muda a compreensão sobre a expansão dessa linhagem.

O DinoTracker não é apenas uma ferramenta de pesquisa. Pegadas são comuns em descobertas paleontológicas, e a IA permite analisar rapidamente grandes volumes de dados. No campo, ajuda a testar hipóteses. Na educação, transforma pegadas em experiências interativas, tornando o aprendizado mais envolvente.

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IA oferece forma objetiva de classificar pegadas de dinossauros

Segundo Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, “este estudo oferece uma forma objetiva de classificar pegadas, abrindo novas possibilidades para entender como esses animais viviam e evoluíram”.

De qualquer forma, pegadas são únicas e complexas. O DinoTracker não substitui a interpretação humana, mas trata variações como informação, não como ruído. Reconhecendo padrões e deformações, acelera pesquisas e amplia a participação científica.

Mais do que facilitar estudos, a ferramenta aproxima as pessoas do mundo antigo. Cada pegada é um instante de contato entre o animal e o solo. Interpretar esses rastros com mais clareza ajuda a compreender melhor a vida, os movimentos e a evolução dos dinossauros.

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