O coração da Via Láctea acaba de ser revelado com um nível de detalhe sem precedentes. Astrônomos mapearam a principal região de gás frio da galáxia usando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, a maior rede de radiotelescópios do mundo. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (25) na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Conhecida como Zona Molecular Central (CMZ), a área estudada tem cerca de 650 anos-luz de diâmetro e concentra enormes quantidades de gás e poeira. É a primeira vez que todo o gás frio dessa região foi observado em alta resolução, resultando na maior imagem já produzida pelo ALMA.
Em resumo:
- Centro da Via Láctea é mapeado como nunca antes;
- Zona Molecular Central reúne gás frio abundante;
- Região circunda o buraco negro supermassivo Sagittarius A*;
- Filamentos densos originam estrelas massivas e moléculas.
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Região é próxima do buraco negro central da Via Láctea
A CMZ fica nos arredores do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, que habita o centro da galáxia, onde as condições são extremas, com grande concentração de matéria e intensa atividade energética. Isso torna o local ideal para estudar como as estrelas se formam e morrem.
Em um comunicado, Ashley Barnes, astrônoma do Observatório Europeu do Sul (ESO), explica que essa é a única região central de galáxia próxima o suficiente para ser analisada com tanto detalhe. A poeira bloqueia a luz visível, mas as ondas de rádio captadas pelo ALMA conseguem atravessar essa barreira.
O mapeamento revelou uma rede complexa de filamentos de gás denso e frio. Em alguns pontos, esse material se acumula e entra em colapso, formando aglomerados que podem dar origem a novas estrelas. Esse processo também ocorre em outras partes da Via Láctea, mas na CMZ ele é mais intenso.
No projeto ACES, os pesquisadores analisaram a composição química do gás. Foram identificadas dezenas de moléculas, incluindo compostos orgânicos como metanol e etanol, além de substâncias simples como o monóxido de silício.
De acordo com Steve Longmore, da Universidade John Moores de Liverpool, na Inglaterra, a região abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas na galáxia. Muitas têm vida curta e terminam em explosões poderosas, como supernovas e hipernovas. Estudar esse ambiente ajuda a entender como as galáxias cresceram e evoluíram ao longo do Universo.
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