Imposto sobre milkshake: a nova aposta de saúde do Reino Unido

Um estudo do ano passado mostrou que mais de um bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. A condição entre adultos mais que dobrou desde 1990 e quadruplicou entre crianças e adolescentes.

É claro que essa epidemia tem mais de um culpado. A Organização Mundial da Saúde encara a obesidade como uma doença crônica, que pode ocorrer por questões genéticas. As principais causas, porém, são o sedentarismo e a má alimentação.

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Pensando nisso, o governo do Reino Unido criou em 2016 políticas públicas para enfrentar esse quadro. Uma delas é um imposto extra sobre bebidas açucaradas – algo que atinge, sobretudo, os refrigerantes.

A novidade de agora é que essa taxa pode ser estendida também para milkshakes e outras bebidas lácteas. As autoridades já abriram uma consulta pública sobre o tema, que recebe o apoio de especialistas, mas é alvo de críticas por parte da população.

Mas, afinal, será que esse tipo de medida funciona de verdade?

Palavra de especialistas

  • Em artigo no site The Conversation, os pesquisadores David M. Evans e Jonathan Beacham defenderam a iniciativa.
  • Apresentaram um estudo que fala sobre a queda nas taxas de obesidade entre meninas de 10 a 11 anos após a implementação do imposto.
  • Isso está diretamente ligado a uma redução nas vendas de refrigerantes.
  • Ou na adaptação da indústria, que baixou os níveis de açúcar das bebidas.
Medidas como essa buscam combater a obesidade, sobretudo em crianças – Imagem: kwanchai.c/Shutterstock
  • A extensão para milkshakes seria um caminho natural para os doutores.
  • Ainda mais por estarmos falando de uma sobremesa com muita gordura e muitas calorias (e que é popular entre as crianças).
  • Apesar dos bons resultados e desses argumentos científicos, a maioria da população se mostra contra o projeto.
  • E por motivos diversos: são contra novos impostos e contra um estado controlador.
  • Para a dupla de autores, porém, a questão de saúde deve vir em primeiro lugar:

“Expandir o imposto pode não ser a solução para todos os problemas, mas as evidências até agora sugerem que é um passo inteligente na direção certa”, escreveram no The Conversation.

Uma discussão sobre os limites do estado

Uma pesquisa realizada pelo jornal britânico The Independent aponta que a maioria da população é contra esse novo imposto. E que 88% das pessoas não viram uma diminuição da obesidade após a adoção das taxas, há cerca de 10 anos. Consequentemente, essa mesma parcela se posiciona contra a extensão das tarifas para milkshakes.

Um dos argumentos utilizados é de que o estado não deveria entrar em questões tão particulares da vida das pessoas, como o peso corporal. Para os críticos da proposta, o estado não deve ser “babá” de ninguém.

Esse tipo de debate ocorre em todo o mundo. Estado provedor, estado controlador, estado mínimo – você encontra defensores de quase todas as correntes de pensamento.

Para os médicos que escreveram ao The Conversation, porém, a medida faz sentido, uma vez que, se não cuidar dessa crise, as pessoas ficarão mais doentes, sobrecarregando o sistema de saúde e levando a mais gastos. Ou seja, além da questão sanitária, também há um lado econômico.

Além da má alimentação, o sedentarismo também contribui para quadros de obesidade e sobrepeso – Imagem: txking/Shutterstock

Só na Inglaterra hoje, 29% dos adultos e 15% das crianças de 2 a 15 anos são obesos. No Brasil, quase 35% da população tem sobrepeso.

As informações são do Medical Xpress.

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