Ao longo da minha trajetória, sempre enfatizei um ponto que, para mim, é inegociável: inovação precisa entregar resultado. Esse investimento demanda criatividade e ousadia, mas o ROI tem que ser claro. É preciso gerar uma transformação que apareça no caixa, seja criando novas receitas ou, muitas vezes de forma ainda mais eficiente, reduzindo custos.
No meu livro “Inovação sem complicação: Inove de uma forma simples, disruptiva e eficiente”, parto justamente dessa provocação. Inovar foi romantizado como algo caro, complexo e distante da realidade operacional das empresas, quando, na prática, ele geralmente acontece na reimaginação e na combinação inteligente daquilo que já existe.
A experiência mostra que isso não exige, necessariamente, grandes rupturas tecnológicas ou investimentos milionários. Exige método, foco e uma cultura que incentive melhorias contínuas nos processos já existentes.
Defendo que a inovação mais eficiente é aquela que atua nos pequenos gargalos do dia a dia, eliminando desperdícios, organizando fluxos, incentivando decisões mais inteligentes e criando hábitos que tornam a empresa mais eficiente ao longo do tempo. É essa visão pragmática que conecta diretamente essa abordagem ao resultado financeiro, especialmente quando falamos em redução de custos, o ponto central desta coluna.
A discussão se torna urgente quando olhamos para o cenário projetado para 2026. O Brasil entra em um ano eleitoral, tradicionalmente marcado por incertezas.
Os juros seguem elevados, o crédito continua caro e a volatilidade cambial pressiona custos, especialmente em empresas mais dependentes de insumos importados. Nesse contexto, errar fica mais caro e desperdiçar recursos não é uma opção.
É justamente aí que a inovação passa a ser uma ferramenta concreta de eficiência. A seguir, destaco cinco caminhos práticos para transformar essa lógica em redução real de custos.
1. Automatizar o que consome tempo (e dinheiro)
Processos manuais custam caro, mesmo quando o custo não aparece de forma explícita. Retrabalho, erros operacionais, gargalos e dependência excessiva de pessoas para tarefas repetitivas corroem a margem silenciosamente.
Automatizar fluxos simples (financeiros, operacionais ou administrativos) reduz erros, acelera entregas e libera talentos para atividades de maior valor.
2.Redesenhar processos antes de comprar tecnologia
Um erro comum é tentar resolver ineficiências com mais sistemas. Antes de investir em qualquer ferramenta, empresas maduras redesenham o processo. Eliminar etapas desnecessárias, reduzir níveis de aprovação e simplificar decisões costumam gerar ganhos imediatos de eficiência, muitas vezes sem exigir novos investimentos.
3.Usar dados para cortar desperdícios invisíveis
Decisões baseadas em achismo custam caro. Ações orientadas por dados permitem identificar desperdícios que passam despercebidos: contratos subutilizados, estoques excessivos, serviços redundantes, jornadas ineficientes. Com mais clareza sobre onde o dinheiro está sendo gasto, fica mais fácil saber onde ajustar.
4.Melhorar a experiência do cliente
Parece contraintuitivo, mas investir em experiência muitas vezes reduz custo. Processos confusos geram chamadas, reclamações, retrabalho e cancelamentos. Quando a jornada do cliente é clara e funciona bem, a empresa reduz problemas no atendimento e evita custos que poderiam ser facilmente prevenidos.

5.Disciplina contínua
Redução de custos sustentável não vem de um grande projeto de inovação pontual e isolado das outras áreas da empresa, mas de uma mentalidade constante de melhoria. Empresas que adotam períodos curtos de tese, metas objetivas e validações rápidas conseguem corrigir desvios e capturar ganhos ao longo do tempo.
No dia a dia, esses ajustes costumam gerar mais impacto do que uma grande aposta que nunca se traduz em resultado.
No fim das contas, inovar para reduzir custos é identificar onde a empresa perde eficiência sem perceber. Em 2026, com juros altos, volatilidade e margens pressionadas, não existe espaço para iniciativas que não se sustentam na prática. E os resultados que virão dependem das decisões tomadas agora.
