Uma jovem dos Estados Unidos abriu um processo contra grandes empresas de tecnologia responsáveis por redes sociais. TikTok, YouTube, Snap e Meta, dona de Facebook e Instagram, estão entre as marcas denunciadas.
A ação judicial alega que essas companhias desenvolvem aplicativos que possuem recursos feitos para causar vício no usuário, mantendo eles online por mais tempo. Além disso, essa utilização contínua seria responsável por danos à saúde mental, incluindo pensamentos de automutilação e até suicídio.
A responsável pela denúncia é conhecida apenas pelas iniciais K.G.M., tem 19 anos de idade e está acompanhada na acusação pela mãe, Karen Glenn. Elas pedem uma indenização não detalhada em dinheiro.
K.G.M. diz que começou a usar redes sociais aos 10 anos, mesmo com restrições impostas pela mãe. As notificações frequentes teriam feito ela desenvolver um uso compulsivo dos aplicativos, além de colocá-la facilmente em contato com pessoas desconhecidas.
A jovem alega que desenvolveu um quadro depressivo, além de um comportamento prejudicial por comparações de corpo e vida social com outras pessoas.
Processo pode ser marco inicial na indústria
O caso é tido no Judiciário dos EUA como importante, já que pode servir de teste ou até precedente para outras ações judiciais parecidas.
A diferença para outros processos é que esta acusação mira especificamente o design das próprias plataformas e por elas saberem do mal que é causado aos usuários, não por conteúdos específicos publicados por outras pessoas — que costuma ser a legislação mais usada pelas Big Tech em casos similares.
Até por isso, é possível que algumas companhias escolham encarar o julgamento com mais seriedade que o comum, inclusive com depoimentos de executivos de alto escalão.
O que dizem as empresas
As companhias acusadas no processo já lançaram nos últimos anos ferramentas que reduzem a utilização ou app por adolescentes, restringem as capacidades desse tipo de conta ou ao menos fazem alertas sobre certas formas de consumir o conteúdo.
- A Meta diz que a ação “retrata erronaneamente a companhia e o modo de trabalho diário” da marca para “garantir experiências online seguras e confiáveis para jovens”. Ela alega que as conversas e trechos adicionados ao processo tentam pintar uma “imagem propositalmente enganosa” da empresa;
- Segundo a Reuters, o YouTube deve alegar que o serviço funciona de forma diferente às demais marcas envolvidas no processo para tentar escapar da acusação. Para a CNN, um porta-voz rejeitou as acusações;
- A marca Snap, dona do Snapchat, fez um acordo com a acusação por um valor não divulgado e não fará parte do julgamento;
- O TikTok não respondeu os veículos estadunidenses sobre o caso — a empresa está atualmente em um processo de troca de donos que pode explicar a ausência de comunicados;
O tema segue em evidência com preocupações crescentes — apesar de nomes como Mark Zuckerberg alegarem que não há relação entre redes sociais e saúde mental em jovens. Recentemente, a Austrália proibiu o cadastro e uso nesse tipo de ferramenta digital por menores de 16 anos.
Você conhece a história e a evolução das redes sociais? Conheça a trajetória delas neste vídeo!