Não é novidade dizer que o avanço da inteligência artificial e suas ferramentas, como os agentes de IA, representam uma das maiores transformações do cenário empresarial global nos últimos anos.
A capacidade de interagir com essa tecnologia de forma simples, usando a linguagem natural, democratizou seu acesso e mudou a forma como as empresas operam, já que não é mais uma ferramenta restrita aos profissionais de TI, e sim um recurso estratégico para aproximar os tomadores de decisão e colaborar com a geração de análises mais rápidas, precisas e personalizadas.
Contudo, o sucesso da implementação da IA não depende apenas da qualidade da tecnologia, mas também da capacitação e do letramento dos profissionais dentro das empresas. A tecnologia tende a ser tão boa quanto os dados que a treinam e, principalmente, tão útil quanto a habilidade de seus usuários para extrair o máximo de seu potencial. De nada, ou pouco adianta ter a melhor ferramenta se não há profissionais habilitados para fazer as perguntas certas e interpretar as respostas necessárias para cada etapa operacional.

É importante também que as empresas prestem atenção na popularização da IA: um fenômeno que joga luz à necessidade de uma nova forma de alfabetização no meio digital.
Nesse sentido, o letramento vai além do conhecimento técnico adquirido, pois implica na compreensão sobre como a IA funciona, quais são seus pontos fortes, limitações e formas de usá-la com ética e eficiência. Ou seja, é necessário ensinar os profissionais a formular prompts claros, validar as informações geradas, identificar vieses e a aplicar as análises da ferramenta para resolver problemas complexos.
A urgência desse movimento já é percebida no mercado. De acordo com projeções realizadas pela consultoria Gartner, os agentes de IA agêntica estarão em 33% dos aplicativos de software corporativo até 2028, indicando que a tecnologia ocupa cada vez mais espaço no ambiente de trabalho. Pessoalmente, acredito que essa previsão subestima o ritmo de adoção da ferramenta, que é consideravelmente acelerado.
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Outro estudo conduzido pelo fórum empresarial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que, embora 65% dos empresários entrevistados afirmem que utilizam a IA em pelo menos uma função de negócios, 62% dos profissionais admitem não ter habilidades fundamentais para usá-la de forma eficaz. Esse dado chama a atenção para que seja realizado um investimento maciço em formação de bons profissionais para aproveitá-la e, mais ainda, para desenvolver as próximas gerações de aplicações.

Assimilar esse cenário sugere que nós, líderes e tomadores de decisões nas empresas, possamos dar importante passo rumo à compreensão madura e assertiva sobre o uso de inteligência artificial. O futuro do trabalho não é sobre o que a ferramenta vai substituir, mas sobre como as pessoas vão se adaptar para usá-la, visando o aumento da produtividade e da criatividade no ambiente de trabalho.
A IA não é uma ameaça aos empregos, e sim um catalisador para a inovação. Cabe às empresas e aos profissionais entenderem que seu verdadeiro valor só poderá ser alcançado quando ela estiver combinada com o talento, a visão e o letramento das pessoas que a conduzem. Que tal pensarmos um pouco mais e melhor nesse aspecto da educação corporativa?
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