O uso de inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar um hábito consolidado entre os estudantes. De acordo com um novo relatório do Pew Research Center, 54% dos adolescentes nos Estados Unidos (na faixa de 13 a 17 anos) já utilizam chatbots, como o ChatGPT e o Microsoft Copilot, como auxílio em suas tarefas escolares.
O crescimento é vertiginoso. Para se ter uma ideia, em 2023, apenas 13% dos jovens admitiam usar o ChatGPT para estudar. Em 2024, esse número saltou para 26%, e a pesquisa mais recente mostra que, considerando todas as ferramentas de IA generativa, a maioria dos estudantes já incorporou a tecnologia ao dia a dia acadêmico.
Como os jovens estão utilizando a IA?
A pesquisa, que ouviu cerca de 1.400 adolescentes e seus pais, revela que a IA não é usada apenas para “gerar respostas”, mas como uma ferramenta multifuncional:
- Pesquisa: quase metade dos jovens usa chatbots para buscar informações sobre temas escolares.
- Exatas: mais de 40% utilizam a IA para resolver problemas de matemática.
- Escrita: cerca de um terço recorre aos robôs para editar e revisar seus próprios textos.
- Resumos e lazer: 42% usam a ferramenta para resumir conteúdos densos e 47% utilizam apenas por diversão.
O fim da “Era Google”? Chatbots viram a principal fonte de informação
Um dos pontos mais reveladores do estudo é que a IA está começando a desbancar os motores de busca tradicionais. Para 57% dos adolescentes, o uso principal dos chatbots é a busca por informações gerais, superando até mesmo a ajuda com o dever de casa.
Essa mudança de hábito indica que a Geração Z prefere respostas diretas e conversacionais a navegar por páginas de links no Google. Além disso, cerca de 20% dos jovens já utilizam ferramentas como o ChatGPT e o Character.ai para consumir notícias.
Essas preferências geracionais são esperadas: em 2024, o Olhar Digital já havia citado uma pesquisa da Adobe sobre a crescente preferência dos jovens pelo TikTok como buscador. Agora, os chatbots parecem consolidar esse movimento de “morte” da busca tradicional.
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O dilema: auxílio ou “cola”?
Embora a IA possa ser um tutor poderoso, a preocupação com a integridade acadêmica é alta, conforme destacado pelo The New York Times. O estudo aponta que 60% dos adolescentes acreditam que o uso de chatbots para trapacear é algo comum entre seus colegas.
Além da questão ética, há o impacto no aprendizado real. Um estudo citado pela Cambridge University Press & Assessment em parceria com a Microsoft Research mostrou que alunos que usam IA para entender textos tiveram um desempenho inferior em compreensão de leitura comparados àqueles que fizeram anotações de forma tradicional.
O debate entre educadores está dividido. De um lado, defensores da tecnologia argumentam que as escolas precisam ensinar os alunos a dominar a IA para prepará-los para o mercado de trabalho do futuro. Do outro, críticos alertam para os riscos de desinformação, enfraquecimento do pensamento crítico e a facilitação de fraudes em ensaios e redações.
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