Um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society relata a ocorrência de mais de 1.200 explosões estelares em anãs vermelhas, no maior levantamento desse tipo de fenômeno já realizado a partir da Terra.
No total, os pesquisadores identificaram 1.229 erupções nessas pequenas estrelas, caracterizadas por fenômenos rápidos e intensos. A análise em larga escala revelou padrões antes difíceis de detectar, transformando registros isolados em um conjunto de dados mais amplo e consistente.
Em resumo:
- Mais de 1.200 erupções foram registradas em anãs vermelhas;
- Algumas estrelas explodem com mais frequência que outras;
- Observações foram feitas pelo ZTF, na Califórnia, EUA;
- Sistema automatizado e revisão humana garantiram precisão.
- Dados ajudam a estudar evolução estelar e planetas próximos.

Os dados mostram que algumas estrelas entram em erupção com maior frequência do que outras. Além disso, há indícios de que o envelhecimento estelar reduz a intensidade dessas explosões ao longo do tempo. Esse comportamento ajuda a entender melhor a evolução das anãs vermelhas, que são as estrelas mais comuns da Via Láctea.
União entre sistema automatizado e olho humano
As observações foram realizadas com a Instalação de Monitoramento de Transientes de Zwicky, conhecida pela sigla ZTF, que fica no Palomar Observatory, na Califórnia, Estados Unidos. Esse sistema varre grandes áreas do céu repetidamente, registrando mudanças rápidas no brilho de objetos celestes. Assim, foi possível acompanhar o início, o pico e o desaparecimento das erupções em questão de minutos.
Para lidar com o enorme volume de dados, cientistas do Instituto Astronômico Sternberg, de Moscou, Rússia, desenvolveram um sistema automatizado de busca. A ferramenta analisou bilhões de medições e selecionou os eventos mais relevantes. Além disso, os pesquisadores ainda precisaram revisar manualmente os registros para evitar confusões com outros fenômenos semelhantes.

Variações de brilho podem imitar explosões estelares
Esse cuidado é necessário porque algumas variações de brilho podem imitar erupções reais. Por isso, os algoritmos foram treinados para descartar sinais enganosos. A combinação entre análise automatizada e verificação humana garantiu maior precisão ao catálogo final.
Embora telescópios espaciais ofereçam observação contínua, levantamentos feitos da Terra cobrem áreas muito maiores do céu. Isso permite detectar eventos raros e brilhantes que poderiam passar despercebidos em missões espaciais. Nesse sentido, o ZTF preenche uma lacuna importante entre diferentes tipos de observação astronômica.
Os resultados também devem orientar futuras pesquisas de mapeamento do céu, como o Levantamento Legado do Espaço e do Tempo (LSST), do Observatório Vera C. Rubin, Chile, que vai monitorar bilhões de estrelas e galáxias, e o catálogo das anãs vermelhas ajudará a identificar erupções rapidamente e evitar falsos sinais. Projetos desse tipo podem capturar muito mais fenômenos no céu, ajudando os cientistas a entender como o Universo muda e se comporta.
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Outro ponto relevante da pesquisa envolve os planetas que orbitam essas estrelas. Em muitos casos, eles estão muito próximos de suas estrelas hospedeiras, o que os expõe diretamente às erupções. Essas explosões liberam radiação intensa, capaz de aquecer atmosferas e até provocar a perda de gases ao longo do tempo.
Embora o estudo não avalie diretamente os impactos nos planetas, ele fornece informações valiosas para esse tipo de análise. Ao mapear quando e com que frequência essas erupções ocorrem, os cientistas conseguem estimar melhor os riscos para possíveis ambientes habitáveis.
O catálogo também permite relacionar características como energia da explosão, tipo de estrela e idade. Essa abordagem ajuda a criar um modelo mais completo do comportamento dessas estrelas. Com o avanço de novos levantamentos, a tendência é que esse tipo de análise se torne cada vez mais preciso e abrangente.
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