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Mais do mesmo? Coisas que Samsung deveria mudar na família S26, mas não vai

by Fesouza
13 minutes read

O anúncio oficial da nova linha Galaxy S26, os verdadeiros tops de linha da Samsung no mercado de smartphones, praticamente chegou. Eles são a primeira oportunidade do ano para a empresa mostrar tudo de bom e de melhor que consegue trazer nos seus smartphones sem ficar limitada por questões como ter que dobrar os aparelhos no meio. E são também a família em que, já há muitos anos, quem acompanha de perto os lançamentos do mercado fica com uma espécie de sensação de “déjà vu” tecnológica.

Ano após ano, basicamente desde a geração dos Galaxy S23, as atualizações se limitaram ao processador do ano, recursos de software e outros ganhos pontuais. Um momento de avanço inquestionável, como o que aconteceu entre os Galaxy Z Fold 6 e 7, simplesmente não aconteceu mais na linha S. E como no momento em que este texto foi escrito, na quinta-feira da semana anterior ao lançamento, os vazamentos já permitem que saibamos quase tudo sobre os três modelos da linha S26, também é seguro dizer que a nova geração não vai mudar essa tendência de verdade.

Isso não é por falta de opção. As empresas chinesas de smartphones vêm inovando em velocidade assombrosa, então oportunidades de melhorar existem aos montes. Neste texto, vou detalhar quais tecnologias acredito que a Samsung deveria adotar na família S26 para que seu carro-chefe não acabe sendo um “Galaxy S25S”.

DESIGN: como resolver o problema do celular “gangorra” na mesa?

Começando com uma mudança que não seria nem de longe a mais importante, mas certamente traria o impacto mais perceptível: o design. O visual da família top de linha da coreana é basicamente o mesmo desde os S23. Se olharmos só para os Ultra fica pior, sem mudanças além de um arredondamento dos cantos e detalhes nas câmeras desde o S22 Ultra. 

Galaxy S22 Ultra - cores.jpg

Eu sei que é bom para uma empresa ter uma “linguagem visual” própria nos seu design, já que isso facilita o reconhecimento pelo público geral, que tende a preferir algo que já conhece. Só que além de isso já de cara passar a sensação de que o novo aparelho é apenas mais do mesmo, manter o design atual da Samsung significa não resolver um incômodo real que eu e basicamente todo mundo que faz reviews de smartphones já reclamo desde os Galaxy S21: o posicionamento das câmeras na vertical e concentradas em um dos lados do aparelho, seja em um módulo inteiro levantado, seja só com calombos para as câmeras, faz com que o aparelho balance bastante quanto ele está deitado em uma mesa. 

Como parece que nos S26 a Samsung vai basicamente repetir a aparência das câmeras do Z Fold 7, com um degrau em forma de pílula e outro degrau isolado para cada câmera, a situação fica pior. Eu adorei o celular-dobrável-que-vira-tablet mais recente da coreana, mas ele foi o smartphone que mais sacudia na mesa de todos que eu testei até hoje. Por pouco a Samsung não pode incluir no marketing que o aparelho vem com uma “função gangorra”. Não dava nem para usar sem ter que pegar ele na mão.

Galaxy Z Fold 7 câmeras.JPG

Um aparelho premium não deveria sambar na mesa enquanto você encosta nele. Por isso, a mudança que eu mais gostaria de ver no design dos Galaxy S seria uma centralização do módulo de câmeras. Pode ser na forma de círculo como muitas chinesas estão fazendo, ou até em um retângulo na horizontal. “Ah, mas aí reclamariam que estão copiando a Google com os Pixel!”. Não: a própria Samsung já tinha módulo centralizado lá na linha S10. E mesmo se fosse o caso: não vejo problema copiar algo de uma rival se o resultado for melhor para o uso. Câmeras centralizadas reduziriam até o tanto de vezes que dedos apareceriam no canto de uma foto ou vídeo feitas com a lente ultrawide. Só vantagens.

BATERIA E RECARGA: já não passou da hora de superar o trauma do Note 7?

Enquanto o design pode não ser tão importante assim, a bateria é um ponto que todo mundo concorda que é essencial – e aqui a Samsung está comendo poeira. Os rumores indicam que o S26 base deve vir com reservas maiores, de 4.300 mAh, o que é um ganho de 300 mAh em comparação com o S25 base. Já os S26+ e Ultra continuam estagnados em 4.900 e 5000 mAh. Enquanto isso, as chinesas estão correndo soltas com baterias de silício-carbono, que permitem aparelhos são pequenos e finos quando o S26 base, mas com 5.500 mAh de bateria ou mais, e que em versões equivalentes ao Ultra já aparecem até com 7.500 mAh.

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Se isso não fosse ruim o suficiente, a Samsung também estacionou no suporte a carregadores limitado a 45W com carregadores de no máximo 25W inclusos na caixa. E isso não deve mudar na nova geração, exceto pelo S26 Ultra, que supostamente vai suportar até 60W (o que não quer dizer que o carregador que vem incluso é de 60, ou mesmo de 45W a nova ode muito bem ainda vir com o de 25W e sua carteira que lute se quiser tirar proveito). Tudo isso para ainda assim ficar bem atrás das chinesas, que já vêm com carregadores cabeados de 100W, ou até 120W,e suportam padrões de recarga sem fios muito mais rápidos.

Nem mesmo imãs embutidos no aparelho parece que os S26 vão ter, o que seria necessário para eles realmente serem compatíveis com acessórios Qi 2 de recarga sem fio igual o Pixel Snap da Google ou o Magsafe da Apple. Se você quiser algo igualmente prático e mais eficiente nos Galaxy S, só com capinha com imãs próprios.

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Sim, eu sei que a tecnologia de silício-carbono tem pontos fracos, o que inclui aparentemente perda de capacidade maior com o passar do tempo. Mas toda bateria perde capacidade: a estimativa dos celulares com íons de lítio, como os da Samsung, é perder cerca de 20% em 2 anos. Mesmo que a estimativa do silício-carbono chegue a 35%, isso significaria que depois de 2 anos os aparelhos de silício-carbono ainda têm mais capacidade.

E esse é o cenário pessimista. Digamos que seu celular tem 6300 mAh de capacidade e você desde o início ativa as proteções de recarga, limitando a bateria a 80%. Você ainda vai ter uma bateria maior do que a do Ultra da Samsung, e a degradação vai ser mais lenta.

Além disso, há o receio da expansão das baterias (que realmente é maior no silício-carbono), o que teoricamente poderia causar celulares inchando ou até pegando fogo. No entanto, até agora após quase 2 anos de empresas chinesas colocando a tecnologia nova nos aparelhos , seguimos sem grandes relatos de isso realmente ser um problema massivo desses smartphones (e também não é como se bateria de íons de lítio nunca inchassem ou pegassem fogo).

Um Samsung Galaxy Note 7 na vertical em um fundo branco, com a tela virada para cima e uma caneta S-Pen encostando no display.

Eu sei que a Samsung tem motivos para ser cautelosa, com todo o trauma do Note 7 pegando fogo, mas isso já vai fazer 10 anos. Foi em 2016. Já está na hora dos executivos da Samsung superarem esse trauma e voltarem a inovar, ou então vão continuar comendo poeira atrás de todo mundo. Menos da Apple, talvez, que vive no seu mundinho. Pelo menos por enquanto me parece que os testes das chinesas com o silício-carbono estão indo bem, então eu gostaria muito que a Samsung adotasse novas tecnologias de bateria e recarga para trazer melhorias verdadeiramente notáveis para a linha S.

PROCESSADORES: por que a mistura de Exynos e Snapdragon prejudica a linha?

Outro ponto que eu gostaria que a Samsung mudasse nos S26, mas ela claramente não vai, é a salada que a empresa faz com qual processador vai em cada modelo e mercado. Já faz muitos anos que na linha de ponta a Samsung vai e volta entre usar o seu próprio chip Exynos de ponta nos modelos mais básicos e o Qualcomm avançado mais recente nos Ultra em alguns mercados, e em outros mercados usar só o Snapdragon na família inteira. E isso causa problemas.

Não é que o Exynos em si seja pior. Geralmente os chips da Samsung são muito bons e na geração do S26 ele está prometendo até ser o mais poderoso entre os dois. O problema é a falta de foco, o que leva a erros. Eu não consigo lembrar de nenhum smartphone dos últimos 5 anos que a Samsung tenha lançado apenas com um processador Exynos e que tenha sofrido com problemas graves de desempenho ou aquecimento, mesmo incluindo modelos intermediários. Eles só são limitados pela capacidade de cada modelo mesmo, o que é o normal.

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Por outro lado, basta pesquisar sobre os reviews que fiz dos Galaxy S dos últimos 5 anos e você com certeza vai reparar que desde os Galaxy S21 e S21 FE eu sempre tive problemas variados nas versões com Exynos, e nunca tinha coisas parecidas com os Qualcomm. Quando a Samsung focava em preparar e otimizar um celular para rodar só com seu próprio chip, os problemas não apareciam. Era ela tentar se dividir e lançar o mesmo modelo trocando só o chip, que aí a coisa azedava.

CÂMERAS: até quando a Samsung vai reciclar o hardware do Galaxy S22?

Houve um tempo em que a Samsung ousava mais no hardware das suas câmeras. Quem lembra do Galaxy S9, com abertura variável? Nos últimos anos, os modelos Ultra até continuaram recebendo uma novidade ou outra nesse sentido, geralmente melhorando no máximo um dos 4 sensores traseiros a cada duas gerações em média. Só isso já é ruim, mas no caso dos modelos base e Plus a coisa fica bem pior: o hardware das câmeras é basicamente o mesmo desde a família S22. Principal de 50 MP, teleobjetiva de 10 MP com zoom de 3x e ultrawide de 12 MP com ângulo de 120º. O algoritmo de processamento de imagens melhorou um pouco, mas não tanto.

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Enquanto isso, concorrentes pelo mundo afora estão colocando sensores cada vez maiores, não em contagem de Megapixels, mas em tamanho físico mesmo, o que melhora a qualidade das fotos e deixa elas mais perto de câmeras mirrorless. Não a Samsung. Até a Apple sabe que as câmeras são importantes ao ponto de incluir o mesmo conjunto do seu maior e mais caro aparelho, o iPhone Pro Max, em pelo menos uma opção menor, que no caso é o Pro. Já na Samsung, a evolução fica

Então aqui o que eu gostaria de ver é não só uma evolução real no hardware das câmeras do Ultra, mas em toda a linha. Daria para igualar as coisas entre os modelos, ou pelo menos aproximar bem mais, mas não parece ser o que a Samsung vai fazer, já que os vazamentos indicam que todos os modelos da linha S26 vão ter câmeras com as mesmas especificações dos S25.

EXTRAS: é possível desfazer erros recentes e derrubar os muros do ecossistema?

Hoje, o Galaxy S mais avançado é o único smartphone de ponta com uma caneta embutida no próprio aparelho. Por muito tempo a Samsung investiu nesse diferencial da S Pen, melhorando o acessório uma geração depois da outra, até que nos S25 ela resolveu tirar a conexão Bluetooth, matando o que para mim era a melhor funcionalidade dela: servir de controle remoto. Idealmente, no S26 a Samsung voltaria a incluir isso, e junto da bateria de silício-carbono o smartphone como um todo acabaria mais útil e durando mais tempo por carga.

Aqui me permito até uma opinião polêmica, da qual talvez muita gente discorde: sem o Bluetooth, preferiria que a Samsung tirasse a S Pen para caber uma bateria maior no Ultra, e aí vendesse a caneta separadamente para quem fizer questão. Faria mais sentido para o meu padrão de uso. Só que a Samsung também não vai fazer isso, então o S26 Ultra terá a caneta sem Bluetooth e sem bateria maior para o celular.

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Outra coisa pequena que a Google já conseguiu, e que eu gostaria bastante de ver a Samsung conseguindo também nos S26, é a derrubada do muro do AirDrop da Apple. Nos Pixel 10, já é possível para usar o Quick Share para enviar e receber arquivos via AirDrop com iPhones, iPads e Macs. É uma coisa pequena, mas que me agrada. Eu adoro ver cair as barreiras artificiais que as empresas constroem para prender as pessoas nos seus ecossistemas de produtos. Todo mundo ganha, menos os acionistas bilionários.

O conforto na liderança vai custar caro para a Samsung?

A quase certeza de que a Samsung não vai fazer nada do que eu expliquei aqui na geração S26 e possivelmente nem nas próximas não quer dizer que não teremos novidades nos aparelhos. Mencionei algumas aqui de passagem, mas vale também mencionar por exemplo a nova tecnologia de tela de privacidade, que chegará pelo menos ao S26 Ultra. Parece algo realmente bem pensado e executado se funcionar tão bem quanto se especula.

No entanto, muitas das coisas que eu mencionei aqui são problemas que datam de anos e já foram exaustivamente abordados por criadores de conteúdo do mundo inteiro. Ou seja: a Samsung está ciente. Se ela não fez essas melhorias no passado e continua não fazendo agora, a mensagem está clara: a coreana está muito satisfeita e confortável na liderança do mercado, dentro e fora do Android. Vamos ver até quando ela continua com a filosofia do time que está ganhando não se mexe.


O que é mais imperdoável para você a Samsung manter igual no S26? Você acha que a coreana periga ser deixada para trás como outras gigantes do passado? Ou acha que a estratégia atual é a correta? Deixe seu comentário abaixo para debatermos e continue acompanhando o TecMundo para mais conteúdos detalhados e sinceros sobre as tecnologias que afetam nossas vidas todos os dias.

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