Marte: imagens revelam região com mais de 3,7 bilhões de anos

A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou novas imagens de Marte que revelam em detalhes uma das regiões mais antigas e intensamente crateradas do planeta vermelho. Os registros mostram parte de Arabia Terra, uma extensa área no hemisfério norte marciano cuja formação remonta a mais de 3,7 bilhões de anos.

As imagens foram captadas pela High Resolution Stereo Camera (HRSC) a bordo da sonda Mars Express em 12 de outubro de 2024, durante a 26.233ª órbita da missão ao redor do planeta. O material foi processado posteriormente para gerar uma visualização detalhada em cores e topografia da região.

Imagem mostra parte de Arabia Terra, região antiga de Marte marcada por numerosas crateras de impacto e terrenos erodidos ao longo de bilhões de anos (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)

Região antiga e marcada por impactos

O cenário registrado destaca uma paisagem moldada por bilhões de anos de impactos, atividade vulcânica e processos erosivos. Arabia Terra é conhecida por concentrar um grande número de crateras, resultado de colisões de rochas espaciais ao longo da história do planeta.

Entre as estruturas visíveis aparecem crateras de diferentes tamanhos e níveis de degradação. Algumas preservam contornos mais definidos, enquanto outras apresentam bordas desgastadas e sinais claros de erosão acumulada ao longo do tempo.

Mapa global colorido de Marte destaca a região de Arabia Terra, uma antiga planície nas terras altas do planeta, com indicação de crateras e outras formações geológicas (Imagem: NASA/USGS; ESA/DLR/FU Berlin)

Cratera Trouvelot domina a paisagem

O elemento mais evidente na imagem é a cratera Trouvelot, uma bacia de impacto com cerca de 130 quilômetros de diâmetro. A estrutura apresenta bordas suavizadas e um interior parcialmente preenchido, características que indicam sua grande antiguidade.

Pequenas crateras espalhadas sobre o piso mostram que o processo de bombardeamento não ocorreu apenas em um único evento, mas continuou ao longo do tempo. À esquerda de Trouvelot, outra grande bacia aparece ainda mais degradada, com a borda quase completamente erodida. O fato de a cratera Trouvelot cortar essa estrutura sugere que ela se formou posteriormente.

Imagem em close mostra rocha escura cobrindo o fundo da cratera Trouvelot e de uma bacia vizinha mais antiga, com dunas barchan ainda mais escuras visíveis no centro-esquerda da imagem (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)
Imagem em close mostra um monte de tonalidade clara no canto superior esquerdo, destacando-se entre as rochas escuras ao redor (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)

Rochas vulcânicas e dunas moldadas pelo vento

O interior da cratera mais antiga é quase totalmente coberto por rochas escuras ricas em minerais, como magnésio, ferro, piroxênio e olivina. Esse tipo de material, conhecido como máfico, está associado a processos vulcânicos.

Cientistas consideram que essas rochas podem ter sido expostas por impactos e depois redistribuídas por ventos e pela ação da gravidade. Em Trouvelot, parte desse material escuro foi moldado em dunas do tipo “barchan”, formações em formato de crescente que indicam a direção predominante dos ventos na superfície marciana.

Imagem em close mostra outra cratera visível no canto inferior esquerdo da imagem principal (à esquerda da cratera Trouvelot e da bacia antiga que ela atravessa) (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)

Indícios de minerais associados à água

Em meio ao material escuro dentro da cratera, também aparece um monte claro com cerca de 20 quilômetros de extensão, marcado por sulcos e cristas. Estruturas desse tipo já foram observadas em outras regiões de Marte.

Essas formações costumam conter minerais que se formaram ou foram alterados na presença de água, o que explica a coloração mais clara em comparação com o terreno ao redor. Ainda há debate científico sobre a origem desses montes, que podem ter se formado em ambientes como antigos lagos ou a partir da interação entre sedimentos e água subterrânea.

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Mais de duas décadas observando Marte

A imagem foi obtida pela HRSC, um dos oito instrumentos científicos da missão Mars Express, que orbita Marte desde 2003. A câmera tem sido usada para mapear a superfície do planeta em cores, alta resolução e modelos tridimensionais.

Segundo a ESA, a divulgação recente também mostra o valor científico de reprocessar dados arquivados, permitindo extrair novos detalhes e interpretações a partir de observações realizadas meses ou anos antes. Mesmo regiões já estudadas do planeta podem revelar novas informações quando analisadas com técnicas atualizadas de processamento e interpretação.

Cratera Trouvelot em Marte em 3D (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)
Mapa topográfico da cratera Trouvelot em Marte (Imagem: ESA/DLR/FU Berlin)

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