O governo do México prometeu retomar a emissão de vistos eletrônicos para brasileiros, revertendo uma medida de 2022. A mudança foi anunciada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que está no país para ampliar parcerias comerciais — um movimento estratégico após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
“Vamos trabalhar para ter, rapidamente, o visto eletrônico para facilitar esse intercâmbio Brasil-México. Estamos otimistas e vamos nos empenhar”, disse Alckmin, em conversa com jornalistas após uma reunião com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e ministros.
O assunto já havia sido discutido durante uma viagem do presidente Lula ao México em outubro do ano passado. Mais recentemente, o governo mexicano informou que uma nova modalidade de visto eletrônico seria implementado, mas não houve divulgação dos países contemplados pelo formato. Anteriormente, o visto poderia ser emitido 100% pela internet.
Ganha-ganha
- Desde 2022, brasileiros precisam ir presencialmente ao consulado do México, em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ), ou à embaixada mexicana, em Brasília (DF), para solicitar o visto;
- À época, o governo justificou que se tratava de uma solução para “assegurar uma migração segura, organizada e regularizada, assim como para combater os grupos do crime organizado internacional que lucram com o tráfico de migrantes e de pessoas”;
- A mudança impediu o trânsito de milhares de brasileiros, de acordo com a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que integra a comitiva;
- “O México está perdendo turistas. Como eu disse, em menos de dois anos, 100 mil brasileiros a menos foram gastar nas praias, nas cidades, nos museus, nas pousadas, nos restaurantes, nos bares, nos hotéis”;
- Por outro lado, mexicanos não precisam de visto para visitar o Brasil. E o governo espera por essa reciprocidade o quanto antes. “Embora se não tenha assinado nada, sentimos uma reciprocidade, um entendimento por parte do governo mexicano de que isso é importante”, disse Tebet. “O timing disso eu não poderia dizer porque não foi discutido na mesa de negociação.”
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Ampliando laços entre Brasil e México
O país latino-americano é uma peça-chave em uma tentativa do Brasil de diversificar mercados após o governo estadunidense impor uma taxa de 50% sobre determinados produtos brasileiros — apesar de uma lista com 700 exceções.
Na última semana, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) organizou um fórum na Cidade do México (México) com empresários, que possibilitou a assinatura de parcerias nas áreas da saúde, agropecuária e biocombustíveis.
“Foi um trabalho bastante amplo e bastante proveitoso. Vou levar ao presidente Lula uma boa notícia de que o Brasil e o México estão mais próximos em benefício das nossas populações e como motor do desenvolvimento da América Latina”, avaliou Alckmin, ressaltando que as trocas comerciais entre os países chegaram a US$ 13,6 bilhões (R$ 73,64 bilhões, na conversão direta) em 2024.
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