A história do Windows e de muitas pessoas que usam computadores há anos gira em torno de alguns programas que são muito utilizados e viraram clássicos. Esse é o caso do Office e dos seus integrantes, como Word, Excel, PowerPoint e outras ferramentas de criação, criatividade e produtividade.
O Office da Microsoft nasce como uma suite de programas, ou um conjunto ou pacote de softwares oferecidos de forma agrupada a um preço que é mais vantajoso do que se eles fossem comprados separadamente. Mas você conhece o início dessa trajetória e qual o caminho até que ele virasse um serviço online que é ao mesmo tempo similar e tão diferente hoje em dia?
A seguir e no vídeo acima, relembre os principais apps, a importância e as mudanças encaradas por esse serviço ao longo dos anos.
Tudo para o escritório em um só lugar
A trajetória desse serviço começa em 1º de agosto de 1988, quando o então CEO e cofundador da Microsoft, Bill Gates, anunciou a primeira versão do Office na feira de tecnologia Comdex. A expectativa era alta, porque a Comdex era um evento bem importante da época, tipo o que é a CES nos dias de hoje.
O lançamento do “The” Microsoft Office aconteceu no ano seguinte, comercializada em uma embalagem especial e exclusiva durante um ano para o Macintosh da Apple. O Windows ainda não era um fenômeno de mercado e a empresa dividia os esforços em lançar também programas para outras fabricantes no período.
Ele tinha três programas no pacote: o Word 1.1, Excel 2.0 e o PowerPoint 2.0. Esse é o trio original que, até hoje, seguem sendo os mais famosos.

O primeiro editor de textos Word saiu em 1983 no MS-DOS, o sistema operacional ainda sem interface gráfica da empresa. Os criadores foram dois ex-funcionários da Xerox que fizeram outro programa parecido antes, o Bravo.
Já o programa de planilhas e gráficos Excel nasceu em 1985, aproveitando que o controle de planilhas era uma das tarefas mais comuns de quem precisava usar um computador naquela época. O PowerPoint para apresentações de slides veio em 1987 e também nasceu fora da empresa, sendo uma das primeiras grandes compras da Microsoft.

Se hoje a concorrência é enorme, na época os nomes eram poucos. Para escrever, os principais eram o WordStar e o WordPerfect e o nome desse tipo de software era ‘processador de texto’. O WordStar era o favorito de vários escritores, tanto que o George R R Martin, dos livros de Game of Thrones, usa ele até hoje. Já o Word Perfect é de propriedade da dona do Corel, mas caiu em desuso.
A rivalidade do Excel era com o Lotus 1-2-3, que muita gente defendia ser melhor que o Excel. A Lotus Software foi uma desenvolvedora bastante popular, principalmente com o programa de planilhas, mas foi vendida para a IBM e acabou tendo pouco futuro.
Surfando na fama do Windows
A instalação da primeira versão no Windows era complicada e exigia tempo e noção do sistema operacional. Só mais tarde a empresa incorporou os programas do Office na plataforma, o que foi criticado como prática anticompetitiva de mercado por diminuir bastante o espaço da concorrência.
Em 1992 sai o Office 3.0, para unificar os números com a versão pra Mac. Aqui, o cliente de correio eletrônico “Mail”, depois rebatizado pra Outlook, entra para o Office e vira o primeiro programa de fora do trio no pacote. E essa também foi a primeira versão lançada também em CD-ROM — mas ainda pouco difundida em comparação com os disquetes.

O Office 95 é de 1995 e marca a primeira mudança na nomenclatura, agora com o ano em vez da versão. E foi aqui que a famosa logo com a peça de quebra-cabeça nasceu, durando algumas edições. Foram várias estreias: o Access, pra gerenciamento de banco de dados; o Binder, que compartilhava conteúdos de um programa do pacote para o outro; e o Schedule+ para gerenciar a própria agenda. Além disso, agora ele era separado pelas versões Standard e Professional, que tinha mais programas inclusos.
Algumas das versões seguintes foram batizadas como franquias de games esportivos: o nome do pacote é um ano a mais do que a data de lançamento — o Office 97 saiu em 1996, por exemplo. Neste caso, o menu superior
Aproveitando até os fracassos
Pouco tempo antes, a empresa lançou o Microsoft Bob, uma interface para Windows criada para ser mais familiar, intuitiva e fácil de usar. Foi um fracasso absoluto, mas uma coisa foi aproveitada desse projeto: os “personagens” que ajudavam na navegação e tiravam dúvidas.
A partir do Office 97, eles saltavam na tela e até podiam auxiliar de vez em quando, mas muita gente só não suportava ver eles. O mais famoso com certeza é o Clippy, que virou uma figura meio cult entre os fãs até ser desativado no Windows XP. Fora o clipe de papel, os assistentes incluíam Albert Einstein, o escritor William Shakespeare, um robô, um cachorrinho e por aí vai.
Everybody remembers Clippy but nobody remembers the alternative characters you could switch to if you dug into the settings. I liked Herr Einstein myself: pic.twitter.com/GGXYiLhrVD
— Jack Wilson (@jwilson1717) April 11, 2025
Aqui, o FrontPage passou a ser integrado e muita gente usou ele para criar os primeiros sites na internet. E esse foi o último pacote a ser vendido em disquete, porque isso estava começando a ser inviável: a edição básica do Office 97 era composta por mais de 40 disquetes.
Em 1999, sai o Office 2000 com algumas mudanças menos radicais. Uma delas foi o Registration Wizard, que começava a tentar evitar o uso de cópias piratas do pacote em PCs Windows, sendo que o Brasil foi um dos primeiros a ter o recurso.
Surgiu também um novo sistema de segurança com assinaturas digitais para evitar o espalhamento de malwares e um Editor de Scripts, uma ferramenta opcional para quem deseja trabalhar com HTML e códigos em geral usando um programa do pacote Office. O PhotoDraw pra desenhos vetoriais é o programa que estreia nessa versão.
Interface renovada
De 2001, a novidade é o Office XP, mudando de novo a nomenclatura para coincidir com a versão do Windows. Foi uma mudança grande em interface e quantidade de recursos, com os programas tendo ao menos parte da interface redesenhada.
Nesse caso, o destaque vai para etiquetas inteligentes, com atalhos pra otimizar o uso dos programas. Essa foi a primeira versão com reconhecimento de escrita à mão e de fala, mas os dois recursos foram criticados pela falta de precisão.
A próxima versão volta a sair no mesmo ano do nome: é o Office 2003. Esse pacote estreia uma nova logo, o programa de anotações OneNote e também a integração com a plataforma colaborativa SharePoint. Agora oficialmente, a Microsoft adiciona também o suporte aos formatos de arquivo XML, documentos mais flexíveis e adaptados a outros sistemas e programas.

Os arquivos XML são os formatos com um “x” no final, como docx e pptx, e eram também mais seguros, leves e com funções de recuperação em caso de erro. A Microsoft foi criticada por muitos anos por causa do formato proprietário dos arquivos do pacote Office e agora começava a flexibilizar um pouco isso.
Consolidação e mudanças
Já o Office 2007 demorou um pouco mais, trazendo uma mudança grande de interface chamada Ribbon. Os programas agora concentravam alguns recursos muito importantes em ícones mais visíveis, e abas bem mais dinâmicas pegaram o lugar daqueles menus ‘quadrados’. Outra adição foi o suporte da função exportar para PDF, que apareceu primeiro em um pacote adicional e virou um recurso nativo.
A estreia foi do Groove, um programa de trabalho colaborativo entre equipes que depois virou o SharePoint Workspace e ainda mais tarde se tornou o OneDrive for Business. Neste ponto da história, as versões do Office já eram meio confusas pela quantidade, com diferenças de preço e programas em modalidades como Basic, Standard, Home and Student, Professional, Professional Plus, Enterprise e Ultimate.
Nessa época, 81% dos empreendimentos consultados pela Microsoft em um estudo de 2010 usavam o Office 2007. O mercado tinha poucos concorrentes, além de alguns programas de software livre, enquanto Google Docs e derivados ainda estavam ganhando terreno devagar com a proposta de ser principalmente online.
Chegando no Office 2010, há o começo do suporte duplo para versões 32 e 64 bits. Na interface, a mudança é o “menu de backstage“, a tela de exibição inicial quando você abre o programa sem escolher um arquivo específico.
Foi ainda a estreia do Office Online, com versões gratuitas e web de alguns dos programas, ainda mais voltada para uso corporativo. Essa atualização do Office é até hoje considerada a mais bem sucedida comercialmente.
O escritório vai para a nuvem
Mas o setor e os usuários estavam mudando e logo veio um projeto diferente. Em 2011, nasce o Office 365, inicialmente pensado como um produto premium para oferecer os programas do pacote de forma recorrente, sem licença infinita. O modelo de assinatura não é o favorito de muita gente e tem vários pontos negativos, mas acabou virando uma grande moda na indústria: foi no mesmo ano que começou o Creative Cloud da Adobe.
Nesse começo, o Office 365 tinha os seguintes programas:
- Word
- Excel
- PowerPoint
- OneNote
- Outlook
- Publisher
- Access
- o mensageiro Skype com créditos
- SkyDrive com 20 GB de espaço (futuro OneDrive)
Porém, versões tradicionais ainda saiam, como o Office 2013. Ele tinha a interface Metro, levemente baseada no Windows 8 e Windows Phone, e sem versão equivalente para Mac. Havia uma integração maior com a nuvem e uma nova versão mobile do Office com os principais programas do pacote. O Office Mobile, inclusive, sai para iOS no mesmo ano e demora mais um pouco pra chegar no Android.
O Office 2016 removeu as ilustrações clássicas e de qualidade duvidosa Clip Art e fez poucas alterações em interface e funcionamento. E uma das adições foi o Skype for Business, com ele sendo um raro integrante do pacote sem o nome da Microsoft. Já o Office 2019 tinha recursos antes exclusivos dos assinantes do 365. E atendendo pedidos da comunidade, era possível comprar uma licença perpétua.
No pacote online, a principal mudança veio em 2020, quando o Office 365 vira Microsoft 365. Essa reformulação da marca não apagou totalmente o nome Office, mas ele agora virou uma espécie de integrante de um pacote maior de serviços na nuvem que inclui também o Microsoft Teams, que aposentou o Skype.
Nesse período, saiu também o Office 2021, com modo escuro melhorado, mais acessibilidade e versão alternativa para clientes comerciais.
O Office hoje
Atualmente, você pode contratar o Microsoft 365 com o Office em planos pessoais, família ou corporativos. Os valores são altos, vão de 500 reais por ano até R$ 750 da compra única, que é básica em recursos. Há ainda uma versão gratuita liberada para quem tem uma conta da Microsoft.
A última versão sem assinatura lançada pela Microsoft até agora é o Office 2024. Ele tem a nova fonte padrão Aptos, substituindo a Calibri e alguns anos de suporte garantido pela marca, com o quarteto Word, Excel, PowerPoint e OneNote na versão mais básica.
Já quem usa o Microsoft 365 tem recebido principalmente novidades do tema da moda, que é inteligência artificial. Mas isso tem um preço: os programas incorporaram o chatbot Copilot e a empresa anunciou em janeiro de 2025 um aumento global de preço nas assinaturas.
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