Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a NASA se prepara para lançar a missão Artemis 2, o primeiro voo tripulado do novo programa de exploração lunar da agência. Será a primeira vez que seres humanos viajarão ao redor da Lua desde a era Apollo, há mais de meio século. Na ocasião, quatro astronautas vão testar os sistemas da cápsula Orion e do foguete Space Launch System (SLS) em um voo que antecede o retorno à superfície lunar em missões futuras.
Além da importância tecnológica e histórica da Artemis 2, a missão levará um conjunto de objetos simbólicos e de valor sentimental. Essa prática faz parte de uma tradição da NASA desde a década de 1960, na qual artefatos viajam ao espaço para representar conquistas, homenagens e momentos marcantes da exploração humana.
Mais de 4kg de objetos vão viajar à Lua com a missão Artemis 2
Entre os itens selecionados está um pequeno pedaço de tecido de musselina do Wright Flyer, o avião usado pelos irmãos Wright em 1903 no voo que os EUA consideram como o primeiro da história (o que é contestável, já que o brasileiro Santos Dumont realizou em 1906 o primeiro voo público, documentado e totalmente autônomo, reconhecido oficialmente como marco inicial da aviação). O fragmento mede 2,5 por 2,5 centímetros e foi cedido pelo Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian. Um pedaço menor do mesmo tecido já voou ao espaço em 1985, a bordo do ônibus espacial Discovery.
Outra lembrança é uma bandeira do país de 33 por 20 centímetros com um histórico marcante no programa espacial. O objeto esteve na primeira missão do ônibus espacial, reapareceu no último voo da frota antes da aposentadoria e também participou do primeiro teste tripulado da cápsula Crew Dragon da SpaceX. Agora, fará um novo capítulo ao orbitar a Lua a bordo da Orion.
Também foi incluída no kit uma bandeira que seria hasteada pela missão Apollo 18, cancelada antes do lançamento. Ela nunca havia deixado a Terra e agora terá seu primeiro voo espacial. O objeto simboliza a retomada do caminho interrompido no fim do programa Apollo e o novo esforço dos EUA para levar astronautas de volta ao ambiente lunar.
A cápsula também transportará um negativo fotográfico da missão Ranger 7, primeira sonda norte-americana a obter imagens da superfície lunar com sucesso. A série Ranger ajudou a NASA a identificar áreas seguras para pousos da Apollo, e sua inclusão reforça a ligação entre as conquistas passadas e os novos objetivos da Artemis.
Alguns itens têm função educativa. Após a Artemis 1, sementes enviadas ao espaço foram distribuídas para escolas e instituições, germinaram e tornaram-se “árvores lunares”. Agora, amostras de solo dessas árvores e novas sementes serão novamente enviadas, dando continuidade ao ciclo de plantar, crescer e voar.
A missão também levará um cartão digital com milhões de nomes de pessoas que participaram da campanha “Envie seu nome para o espaço”, aproximando o público da exploração espacial, além de bandeiras, adesivos e broches destinados a parceiros e colaboradores.
Ao todo, cerca de 4,5 kg de objetos compõem o kit oficial da Artemis 2, reforçando que a missão não leva apenas tecnologia, mas também memória, história e simbolismo rumo à Lua.
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Diferenças entre o novo programa de exploração lunar da NASA e a era Apollo
Muita gente se pergunta por que, nas décadas de 1960 e 1970, os pousos das missões Apollo pareciam tão diretos e relativamente rápidos. Essa comparação alimenta até hoje teorias conspiratórias e dúvidas infundadas sobre se o ser humano realmente esteve na Lua.
O fato é que, na época, a exploração lunar era diferente e, de certa forma, mais simples. O foco estava em chegar primeiro, não em construir uma presença duradoura. Essa diferença de objetivo ajuda a entender o contraste entre os dois programas. Saiba mais detalhes aqui.
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