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Mistério violeta: céu da Serra Gaúcha intriga cientistas e ganha repercussão internacional

by Fesouza
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Um fenômeno visual fascinante e ainda sem explicação definitiva transformou o céu noturno de Cambará do Sul (RS). Durante cerca de cinco minutos, a escuridão deu lugar a uma intensa coloração roxa, capturada pelas lentes do fotógrafo Egon Filter.

Segundo o G1, O registro, feito por volta das 21h da última terça-feira (20) através de longa exposição, revela o que parece ser uma aurora austral – algo extremamente atípico para a latitude brasileira.

O olhar de quem viu

Egon Filter, que reside na região serrana e dedica-se à fotografia há 41 anos, não é um amador. Especialista em astrofotografia e com expedições por mais de 100 países no currículo, ele relata a emoção do momento:

Já fotografei diversos fenômenos visuais e astronômicos no céu mundo afora. Esse me parece muito uma aurora austral, o que me arrepiou de emoção no momento do clique.

Egon Filter em entrevista ao G1.

O debate científico

Embora a hipótese de uma aurora seja visualmente tentadora, a comunidade científica local mantém a cautela e levanta outras teorias, gerando um verdadeiro debate.

Carlos Fernando Jung, doutor em engenharia e fundador do observatório Heller & Jung, vê a tese da aurora com ceticismo. Segundo ele disse ao G1, as auroras clássicas dependem da interação do vento solar com o campo magnético nos polos e nunca foram registradas no sul do Brasil.

Para ele, poderia ser um airglow (luminescência atmosférica causada por reações químicas de átomos). Porém, ele admite que um airglow costuma ser mais dissipado e menos intenso do que o registrado na foto.

Paisagem noturna de longa exposição exibindo o céu estrelado coberto por uma suave névoa de luz verde e amarelada, característica do fenômeno Airglow, sobre a silhueta escura de uma floresta no horizonte.
Ilustração do fenômeno airglow: diferentemente das auroras polares, que formam arcos definidos, essa luminescência atmosférica se apresenta de forma mais difusa e menos intensa no céu noturno. Imagem: German Markov / Shutterstock

José Valentin Bageston, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em Santa Maria, descarta a aurora clássica (pois os detectores de partículas do observatório não registraram nada) e duvida do Airglow por ser muito localizado na foto.

Portanto, a explicação alternativa seria um Arco SAR (Arco Vermelho). No entanto, normalmente, o SAR forma um arco visível e uma linha vermelha bem definida, características que não estão claras na imagem de Cambará.

Neste vídeo, o canal Tsula’s Big Adventures explica como ocorre o Arco SAR:

Repercussão mundial

A singularidade do evento ultrapassou fronteiras. O site norte-americano Space Weather, referência global em monitoramento espacial, destacou o caso. Os pesquisadores dos EUA também divergem sobre a natureza do clarão, inclinando-se para a hipótese do arco SAR, mas mostram-se surpresos com a localização do registro.

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A conclusão é unânime em apenas um ponto: ver algo assim no sul do Brasil é quase impossível, tornando o registro de Egon Filter um documento cientificamente valioso e um mistério que ainda precisa de mais dados para ser desvendado.

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